Tomar | III Encontro Municipal de Proteção Civil salienta necessidade de cultura de prevenção no cidadão

O Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar acolheu na manhã de sábado, 10 de março, o III Encontro Municipal de Proteção Civil, sessão onde foi salientado que os órgãos de comunicação social devem ser vistos pelos agentes da Proteção Civil como aliados e não como adversários. A iniciativa, juntou autarcas e dirigentes associativos, entre outros interessados, que assistiram a dois painéis de intervenções. Uma das temáticas que mais questões despertou foi a relacionada com a Segurança contra incêndios em edifícios, com o orador André Santos a dar conta de algumas novidades no que concerne à legislação.

PUB

Aludindo à tragédia ocorrida na associação recreativa de Vila Nova da Rainha, em Tondela (que fez pelo menos oito mortos e 38 feridos), André Santos deu conta da importância de se saber reagir no caso de um incêndio para diminuir as perdas humanas. “Se houver um incêndio temos que saber porque porta devemos sair. É necessária formação mas esta só interessa se o souber fazer na prática”, disse. Referiu ainda que “em Portugal não existe uma cultura de segurança” real e que cada vez que toca um alarme pensa-se logo que é devido a uma avaria.

“A Segurança começa em todos nós. Não só tenho que saber como sair de um edifício como também tenho que dar conhecimento dos danos que existem. Se há uma ficha elétrica danificada temos que dar conhecimento”, salientou. André Santos considera que atualmente existe um equívoco em relação ao Projeto de Segurança contra Incêndios (atribuir ao edifício condições de uso) e Medidas de Auto Proteção (para prevenir e controlar riscos) que deve ser esclarecido.

PUB

André Santos, da ANPC- CDOS Santarém, salientou a importância de uma cultura de prevenção Foto: mediotejo.net

Em relação aos Simulacros, atenta que os mesmos se destinam aos cidadãos e não aos bombeiros. “Não vale a pena fazer um Simulacro numa escola se os professores e os funcionários não participam na formação”, exemplificou. “É preciso saber evacuar as pessoas e é necessária formação para isso. Decidir, por exemplo, quem é que vai telefonar aos bombeiros. É preciso saber isso”, disse.

A presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, questionou, no caso de uma Associação com concessão de bar,  a quem compete fazer o pedido de fiscalização das condições de segurança. “Temos que ver o protocolo que existe entre a Associação e quem explora o Bar. Provavelmente, a associação faz o pedido de fiscalização mas se calhar tem que se chegar a um acordo entre as duas partes. Se for rés-do-chão e primeiro andar acho que é mais fácil. Mas se forem espaços compartilhados, as partes vão ter que chegar a acordo”, respondeu André Santos.

Laboratório de Investigação Aplicada em Riscos Naturais do Instituto Politécnico de Tomar deu conta do levantamento que está a ser realizado no centro histórico de Tomar Foto: mediotejo.net

Na sessão foi ainda abordada a dificuldade que existe no combate aos incêndios nos centros históricos, sendo que foi apresentado o trabalho que está a ser realizado pelo Laboratório de Investigação Aplicada em Riscos Naturais do Instituto Politécnico de Tomar para o centro histórico de Tomar.

Cristina Andrade do Laboratório de Investigação referiu que quando pensaram em fazer este projeto para o centro histórico de Tomar foi de acordo com a máxima que de “vale mais prevenir do que remediar” sendo que seria muito bom que o Politécnico pudesse antever projetos com aplicações práticas que tivessem benefícios para as populações. Referiu ainda que uma aluna vai fazer um trabalho de Mestrado que vai incindir sobre a avaliação de Risco de Incêndio no centro histórico de Tomar, com o levantamento específico.

“Os centros históricos são zonas muito difíceis de se trabalhar, muito expostas e vulneráveis. Encontramos diversas particularidades, desde o tipo de materiais combustíveis que provêm da construção desses edifícios antigos, uma elevada concentração de edifícios, a proliferação de edifícios degradados e devolutos e instalações elétricas muito antigas”, exemplificou.

Acrescentou ainda que muito perto do centro histórico de Tomar, com ruas muito estreitas – que tornam complicado o acesso das viaturas de bombeiros –  se encontra a Mata dos Sete Montes, com muito material combustível. Em relação ao que se encontra a ser feito, Cristina Andrade destacou a Carta de Risco de Incêndio e a Carta de Risco Sísmico que podem vir a ser feitas, considerando que é necessário saber com o que se pode contar em termos de acessibilidades ou se existem pessoas acamadas ou não a residir naqueles edifícios.

“É preciso a população saber se tem ou não um ponto de encontro em caso de evacuação”, exemplificou.

Vítor Tarana, 2.º Comandante dos Bombeiros de Tomar, recordou que entre 2007 e 2017, na área do centro histórico de Tomar, foram recebidos 114 alertas em edifícios, sendo que 21 se revelaram falsos alertas (18 delas pelos sistemas automáticos de deteção de incêndio).

As bocas de incêndio, os marcos de água e as bocas de régua são os equipamentos que têm conseguido responder ao reabastecimento de água para combate a incêndios no centro histórico. “Embora não seja o equipamento adequado é aquele a que podemos socorrer”, disse.

Carlos Gonçalves, Comandante dos Bombeiros Municipais, referiu-se às alterações climáticas Foto: mediotejo.net

O Comandante dos Bombeiros de Tomar, Carlos Gonçalves, disse que “cada um de nós deve ser o seu primeiro bombeiro”, devendo ter a capacidade de lidar com situações adversas e não apenas esperar que alguém o faça por si. “Estamos hoje longe do rebate do sino da aldeia e, atualmente, através de diversas ferramentas tecnológicas é possível estabelecer o contacto”, referiu o responsável, referindo que atualmente existe um maior respeito por parte dos cidadãos em cenários de catástrofe.

Carlos Gonçalves referiu-se ainda à temática das alterações climáticas. “Há sete dias o país estava em seca severa, nomeadamente na zona sul, e hoje às sete da manhã foi ativada pela Comissão Distrital de Proteção Civil o Plano Especial de Cheias do Vale do Tejo que já estavam a passar 2297 m3 de água por segundo no Rio Tejo, junto ao Castelo de Almourol”, anunciou, acrescentando que “há uns anos era impensável estas mudanças em tão pouco tempo”.

Alcina Coutinho da ANPC – CDOS Santarém abordou a questão da Comunicação do Risco Foto: mediotejo.net

Nesta sessão, salienta-se ainda a intervenção de Alcina Coutinho, da Associação Nacional de Proteção Civil (ANPC) do CDOS de Santarém que falou sobre a temática da Comunicação do Risco, dando o exemplo da Operação “Fátima” decorrida durante a visita do Papa Francisco em maio de 2017.

“A missão da Proteção Civil não pode estar dissociada da informação. Uma sociedade mais informada é uma sociedade mais protegida e os órgãos de comunicação social devem ser vistos pelos agentes da Proteção Civil como aliados e não como adversários”, disse.

PUB
PUB
Elsa Ribeiro Gonçalves
Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).