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Tomar | Fábrica IFM/Platex vai encerrar e avança com despedimento de 42 trabalhadores

A fábrica IFM/Platex vai fechar portas em Tomar e avançar com despedimento coletivo de 42 trabalhadores. O alerta foi dado pelo deputado da CDU, Paulo Macedo em sessão de Assembleia Municipal. A empresa de produção de painéis de fibra de madeira (o chamado platex), que labora desde 1961 em Tomar, na Quinta de Valbom, iniciou o processo de insolvência. Chegou a empregar 300 trabalhadores e já passou por outras situações de crise, como em 2009 quando cerca de 200 trabalhadores foram para situação de lay-off.

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Paulo Macedo referiu, em tom acusatório, que “um dos problemas políticos de Tomar é não se atuar a tempo e horas sobre a situação laboral do concelho”.

“A administração da Platex vai despedir coletivamente 42 trabalhadores da empresa, e a fábrica vai encerrar. A fábrica dedicava-se à produção de painéis de fibra de madeira, conhecidos pela marca Platex em Portugal, única do género no país e que era ainda uma das maiores da Europa”, disse o deputado, referindo que a produção da empresa foi sempre reconhecida pela sua qualidade e “tinha condições para ter atividade industrial viável”, reconhecendo ainda a sua importância não só para a região como para a indústria de madeiras em geral.

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Paulo Macedo referiu que a CDU/PCP sempre defendeu que se estava “a contribuir para a degradação da economia, do aparelho produtivo e do que se produz com qualidade e que deveria ser considerado estratégico para o desenvolvimento do país”.

Já o ano passado a CDU havia levado o assunto a sessão ordinária do mês de julho, com o anúncio por parte da IFM – Indústrias de Fibras de Madeira, S.A., também conhecida por Platex, do despedimento de 27 dos então 67 trabalhadores da unidade instalada no concelho de Tomar.

Paulo Macedo relembra que a Platex já havia passado por um processo de insolvência em 2010, e na altura, com 200 trabalhadores, conseguiu-se que fossem reintegrados 105 trabalhadores. Por outro lado, o assunto já havia sido debatido na Assembleia Municipal a 31 de julho de 2020, através de moção apresentada pela CDU, que foi aprovada por unanimidade e que pretendia dar a conhecer ao Governo o drama em que a empresa e trabalhadores estavam a viver.

“O fecho desta empresa vai provocar, mais uma vez, o aumento do desemprego no concelho de Tomar e por sua vez vai levar ao substancial agravamento nas condições de vida da população e da atividade económica do concelho. São 42 trabalhadores que vão para o desemprego, a maioria de Tomar, alguns ainda jovens e, com isto, se vai pôr em causa o vasto número de postos de trabalho indiretos que também a fábrica gerava além dos variados serviços que eram prestados por ela. Resulta também em perda significativa para a economia local e para o país”, afirmou.

Créditos: DR

A CDU lamentou que a Câmara Municipal, na pessoa da presidente Anabela Freitas, “nada tenha feito, não se tenha preocupado com a empresa do concelho e seus trabalhadores”.

“Será assim que se quer inverter a tendência mencionada nas Grandes Opções do Plano de 2021, em que é mencionado no documento que «ao nível local o que é preocupante é o desemprego»? Também será assim que se quer inverter o «inverno demográfico transversal ao interior do país que é também uma preocupação política no concelho de Tomar”? Pensamos que não é assim…”, afirmou o deputado comunista.

A laborar no concelho desde 1961, a empresa de produção de painéis de fibras de madeira já chegou a empregar 300 trabalhadores e já passou por outras situações de crise, como em 2009 quando cerca de 200 trabalhadores foram para situação de lay-off.

A IFM Platex teve em 2017 um volume de negócios próximo dos 10 milhões de euros, com as exportações a representarem uma fatia de 13% da produção.

Este encerramento marca a história da indústria tomarense, com mais um fecho de uma fábrica importante para a economia e desenvolvimento do concelho, à semelhança do que sucedeu com a Fábrica do Prado/Prado Karton, que fechou em 2017.

Também o grupo Municipal do PS demonstrou preocupação com a situação da Platex e o deputado com assento na Assembleia da República, Hugo Costa assumiu o compromisso de averiguar. “Julgo que emprego é sempre importante no concelho e o desenvolvimento económico também se faz com as empresas. Independentemente da atual situação económico-financeira do país, tem consequências graves. O encerramento de empresas deve ser evitado a todo o custo”, terminou.

Já Maria da Luz Lopes (BE) diz que a insolvência anunciada e despedimento coletivo pela Platex é “lamentável”. Refere que se trata de “questões de gestão” que leva ao desemprego de muitas pessoas e que afeta famílias em Tomar e na região.

Refere que “não se justifica o despedimento” de trabalhadores porque se sabe que “há encomendas”, e não se trata de falta de escoamento da produção, mas sim de questões de administração e gestão.

PSD lamenta encerramento da IFM/Platex, Câmara diz aguardar reunião com sindicato de trabalhadores

Créditos: DR

“A IFM/Platex cessa atividade este mês por via de processo de insolvência que está em curso no Tribunal Judicial de Santarém. Não podemos deixar de lamentar o encerramento de mais uma empresa de Tomar, esta com 60 anos de história, e são 42 trabalhadores diretos que se perdem, mas é sobretudo Tomar que fica mais pobre. Este encerramento também tem impacto na fileira da floresta no nosso concelho e região”, referiu o PSD, na voz do vereador Luís Ramos na reunião de Câmara do dia 2 de março.

Luís Ramos recordou que, já em novembro de 2020, o PSD levou a reunião de Câmara a situação da IFM, altura em que se questionou qual o ponto de situação sobre a empresa. “Nessa altura a sra. presidente disse que estava a acompanhar o caso. Gostaríamos de saber que tipo de acompanhamento foi feito, que providências foram tomadas pelo município para evitar este desfecho”, questionou.

Anabela Freitas respondeu que “as competências das autarquias vão até determinado ponto, e já não é a primeira vez que a IFM passa por um processo complicado”.

Ainda assim, reconheceu que “a IFM precisava de um investimento muito grande para se poder modernizar”, referiu a edil, notando também o esforço e trabalho desenvolvido pelo sindicato no sentido de conseguir manter alguns postos de trabalho, sacrificando outros tantos.

“Aguardamos reunião com a massa insolvente, queremos fazer o mesmo processo que fizemos com os trabalhadores da Fábrica do Prado, em que recebemos os trabalhadores e houve um conjunto que até gostaria de manter a fábrica a funcionar e que tinha projetos. Situação que acompanhámos junto do AICEP à procura de investidores. É isso que estamos na disponibilidade de fazer com a IFM, sendo certo que ainda não ocorreu mais recentemente nenhuma reunião com o sindicato. E queremos também falar com o sindicato dos trabalhadores”, concluiu.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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