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Domingo, Agosto 1, 2021

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Tomar | Diretora do Convento de Cristo quer “apurar responsabilidades”

A diretora do Convento de Cristo, Andreia Galvão, afirmou ao mediotejo.net que vai apurar responsabilidades sobre as suspeitas que foram levantadas sobre a sua atuação, numa reportagem da RTP emitida na sexta-feira, 2 de junho. Quanto aos estragos provocados pelas filmagens de “O Homem que matou D. Quixote” neste monumento que é Património da Humanidade, a responsável adiantou que a parte técnica do inquérito da Direção Geral de Património Cultural já está concluída, tendo que se aguardar pelo final da investigação.

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É o tema quente desde sexta-feira, 2 de junho, a nível nacional, sucedendo-se contraditórios e declarações de técnicos e responsáveis sobre as consequências das filmagens de “O Homem que matou D. Quixote” no Convento de Cristo, Património da UNESCO, em Tomar. Mas o que se estragou afinal no monumento? As últimas notícias tendem a desvalorizar as denúncias de um património único parcialmente destruído, referindo que os estragos estão contabilizados em 2900 euros e que não serão “muito diferentes” dos resultantes da degradação natural do edifício.

“O Homem que matou D. Quixote” é um projeto de longa data do ex-Monty Phyton Terry Gillian. Uma produção internacional que ascende aos 16 milhões de euros, coproduzida por Portugal, Espanha, França, Bélgica e Inglaterra. A reportagem do “Sexta às 9” dá conta que a Direção Geral do Património Cultural (DGPC) arrecadou cerca de 170 mil euros com o aluguer do Convento de Cristo para estas filmagens.

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As filmagens decorreram em abril e maio no Convento de Cristo, havendo queixas dos turistas que pagaram bilhete e se depararam com o aparato cinematográfico. Segundo a reportagem do “Sexta às 9”, que falou com funcionários e ex-funcionários do monumento, a passagem das gravações pelo local deixou um rasto de estragos no edifício, sendo citada a existência de “uma fogueira de 20 metros” no claustro D. João II, além de ter havido corte de árvores e a quebra de pedras centenárias. Há ainda acusações relacionadas com fraudes na bilheteira e a atuação da diretora do Convento de Cristo, que terá usado funcionários públicos para projetos de natureza privada.

Após a reportagem, o Bloco de Esquerda foi o primeiro a pedir esclarecimentos quanto ao sucedido em Tomar, seguindo-se outras forças políticas. No Facebook, Terry Gilliam manifestou-se de imediato sobre o sucedido, considerando as acusações de uma “ignorância sem sentido”. Afirmou ainda ter respeitado a arquitetura do edifício, “um dos mais gloriosos” que conheceu.

Seguiram-se as declarações da produtora Ukbar, admitindo um prejuízo de 2900 euros com estragos no edifício. “Verificaram-se, de facto, alguns danos, que foram devidamente contabilizados pela equipa de peritagem associada ao Convento de Cristo”, refere em comunicado. “Para que conste, esses danos saldaram-se em seis (convencionais e de fabrico recente) telhas partidas e quatro fragmentos pétreos de dimensões reduzidas e variáveis, de aproximadamente oito centímetros, no máximo”, refere o texto. “Nenhum destes danos foi causado por algum tipo de uso indevido ou excessivo, mas poderia ser provocado por qualquer visitante” e serão posteriormente corrigidos com as tradicionais técnicas de restauro.

Sobre o corte de árvores, a produtora esclarece que “ocorreu durante a limpeza no final da rodagem, tendo os serviços do Convento de Tomar justificado a decisão com o facto de não se tratarem de espécimes autóctones (e que foram plantados há alguns anos para a rodagem de outro filme), que deveriam ser substituídos”. O fogo não terá colocado em risco o edifício, defende, e no local estivam os Bombeiros e a Proteção Civil de sobreaviso.

A Ukbar argumenta que cumpriu o contrato. “Houve sempre acompanhamento técnico por parte dos profissionais do Convento, tanto nos períodos diurnos como noturnos; e foi também nossa preocupação que o seu normal funcionamento fosse afetado o mínimo possível”, afirma o mesmo documento.

Entretanto, a Câmara de Tomar abriu um inquérito para averiguar a veracidade das notícias avançadas e o Ministério Público confirmou à Lusa existirem investigações relacionadas com várias irregularidades no Convento de Cristo.

Na terça-feira, 6 de junho, o Ministro da Cultura, Luís Mendes, revelou ter pedido uma auditoria para averiguar os alegados problemas de bilheteira no Convento de Cristo e que a DGPC abriu um inquérito aos danos provocados pelas filmagens, tendo um prazo de 20 dias para apresentar conclusões. Os estragos verificados no mosteiro foram avaliados em 2900 euros por pedras danificadas num claustro que não foi utilizado nas filmagens e por telhas partidas. “Se estou à espera de um inquérito é porque não sei tudo e não estou satisfeito”, disse o ministro perante a insistência dos deputados de todas as bancadas parlamentares.

Numa entrevista à SIC, Álvaro Barbosa, Conservador do Convento de Cristo, também desvalorizou os estragos provocados pela equipa de filmagem. “Pode acontecer por um turista se sentar na beira de uma pedra, de um banco (…) são situações que podem ser recuperadas sem prejudicar a imagem e integridade do monumento”, referiu. Também o impacto do calor da fogueira no monumento é desvalorizado.

Foi lançada, entretanto, uma petição pública exigindo o afastamento da diretora do Convento de Cristo. Sobre toda esta situação, Andreia Galvão apenas adiantou ao mediotejo.net que a parte técnica do inquérito da DGPC já está concluída e que agora é preciso dar espaço à investigação, face à “gravidade” das acusações levantadas na reportagem da RTP.

Imagem das gravações do filme “The man who killed D. Quixote”. Foto: D.R.

Adam Driver, o vilão Kylo Ren das novas sequelas da série “Guerra das Estrelas”, Olga Kurilenko, uma das Bond Girls do filme “007: Quantum of Solace”, mas também os conhecidos atores Stellan Skarsgard, dos “Piratas das Caraíbas”, e Jonathan Pryce fazem parte do elenco deste “D. Quixote”, assim como a portuguesa Joana Ribeiro. A página de cinema IMDB aponta a data de estreia da película para 2018, narrando a sinopse que um executivo de publicidade viaja no tempo até ao século XVII, onde D. Quixote o confunde com Sancho Pança.

No decurso da realização deste filme houve, desde logo, um problema com a produção. Prossegue em tribunal uma batalha pelos direitos de produção da película, atribuída inicialmente à produtora do português Paulo Branco. Não tendo conseguido avançar com o projeto, a produção foi entregue a outra equipa, a Ukbar Filmes. Recentemente, depois de um tribunal francês ter dado razão a Paulo Branco, o produtor acusou Terry Gillian de estar a fazer uma rodagem “clandestina e ilegal”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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