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Sábado, Maio 8, 2021

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Tomar | Destino da antiga Estalagem de Santa Iria entregue a empresários tomarenses

A antiga Estalagem de Santa Iria, propriedade municipal datada dos anos 50 no parque do Mouchão, está agora nas mãos de dois sócios tomarenses que se juntaram para agarrar no projeto que até então estava adjudicado após concurso a consórcio de Leiria. Os atuais donos têm agora 12 meses para iniciar as obras de reabilitação do edifício e colocar o equipamento em atividade, após aprovação de prorrogação de prazo de execução do contrato de arrendamento para exploração turística da antiga estalagem em reunião de Câmara Municipal. Encerrada há três anos, parece agora avistar-se luz ao fundo do túnel para um processo que os tomarenses ansiavam resolver-se, devolvendo a vida ao edifício histórico nabantino.

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Os novos investidores, com experiência no ramo da hotelaria em Tomar pois são proprietários de outras unidades hoteleiras da cidade, entre as quais Thomar Boutique Hotel e Casa dos Ofícios, são agora proprietários da empresa Era Uma Vez em Tomar, limitada, que ganhou a concessão do edifício da antiga Estalagem de Santa Iria, no Mouchão.

A autarquia já reuniu por diversas vezes com os empresários para esclarecimentos de diversa ordem, em termos técnicos e legais sobre o que existe no edifício e sobre o que pode ou não ser feito no mesmo.

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No mês de abril foi aprovada prorrogação de prazo para realizar as obras e abrir ao público, bem como constituição de equipa de acompanhamento da execução da obra. O prazo inicialmente definido apontava para término em agosto deste ano, para que a obra estivesse pronta e o edifício novamente em utilização, o que tendo em conta os desenvolvimentos não seria exequível.

Por isso, a autarquia aprovou na reunião de Câmara do dia 12 de abril a prorrogação do prazo por 12 meses, isto é, que recomeçasse a contagem para os novos investidores.

“Tem havido acompanhamento próximo no sentido de ajudar a empresa a rever o que entenda no projeto de reabilitação do edifício que estava já fechado, que é natural que haja algumas pequenas alterações que queiram fazer. Tudo o resto está do lado da empresa, assim a obra comece o quanto antes”, disse o vereador Hugo Cristóvão durante a sessão.

Foto: CM Tomar

“O edifício teve as últimas obras nos anos 80, e existem muitas coisas que têm de ser atualizadas, não só porque o edifício precisa dessa intervenção, mas porque as regras de hotelaria, ao dia de hoje, são muito mais exigentes do que eram nessa época”, contextualizou Hugo Cristóvão.

“O que tem a ver com política neste processo, é apenas em dois momentos, um, quando a Câmara decidiu que o que existia no edifício não era digno do que merece e que a comunidade merece, e seguir o rumo de cumprir a lei e terminar o que lá existia, e segundo ponto, lançar o novo concurso. E aquela que estava a tomar hoje, sobre um concurso público que decorreu (…) um concurso público é um concurso público, por mais que se faça ruído à sua volta. As regras eram claras, as pessoas sabiam os documentos que tinham que entregar. Tudo são opiniões. Político era o que tinha de ser, o resto são questões técnicas de concursos públicos”, afirmou na altura.

Segundo o vereador o estabelecimento deverá manter as tipologias de hotelaria e restauração, mediante o concurso. Quanto à designação de estalagem, Hugo Cristóvão alertou que a figura em termos jurídicos já não existe no ramo da hotelaria.

Por seu turno, os vereadores do PSD, nomeadamente pela voz do vereador Francisco Madureira, apontaram que “politicamente, este foi um dos maus exemplos, nasceu mal, teve muita controvérsia, uma série de chatices pelo meio”.

Foto: CM Tomar

Os social-democratas lembraram que este é um tema que “para todos é importante, duvido que haja algum tomarense que não queira que a estalagem volte ao ativo e seja reabilitada”.

Quanto aos novos empresários tomarenses “com provas dadas”, crê a oposição que o investimento irá “a bom porto e melhor do que poderia ter ido, numa primeira fase, com pessoas que não tinham ligação nenhuma a Tomar”.

Hugo Cristóvão assumiu que “a perspetiva dos investidores, com algumas alterações ao projeto, é poder avançar para obra quanto antes”.

Fechada há três anos, a antiga Estalagem estava até há pouco tempo concessionada a Sólido Favorito, Limitada e Nélio Oliveira Duarte, de Leiria, que originaram a empresa Era Uma Vez Em Tomar, Lda.

Apesar das expectativas altas para um investimento que iria trazer nova vida àquele edifício patrimonial tomarense, várias imposições legais e restrições devido à localização da unidade hoteleira e especificidades fizeram arrastar o processo, que para além de moroso foi também atribulado. Em causa está a necessidade de respeitar o cariz histórico do edifício bem como as características da envolvente, e que o projeto deve prever e estar em consonância.

Nas mãos de investidores que já operam em Tomar, espera-se um futuro mais risonho para a antiga Estalagem, que a população tomarense acarinha e que lamenta que tenho sido fechada e votada ao abandono ao longo dos últimos anos, tendo inclusivamente sido alvo de atos de vandalismo.

A Estalagem de Santa Iria, no então Parque Municipal do Mouchão, foi inaugurada em outubro de 1949 pelo presidente de Câmara que na altura era o Major Fernando Oliveira. Foto: José Leite/Restos de Colecção

Propriedade da Câmara Municipal, tendo sido inaugurada na década de 1950, foi em fevereiro de 2018 que se fechou o ciclo com a última vez que esteve em atividade, pela mão de outro concessionário que foi despejado pela Câmara Municipal após várias situações de «braço-de-ferro»; uma delas prendia-se com o facto de o período de concessão ser de 15 anos, mas o concessionário já levava mais 25 de exploração, situação que não era legal. Por outro lado, verificavam-se rendas em atraso, num valor avultado de centenas de milhares de euros que a autarquia reivindicava.

Sem entendimento possível, e após notificação ignorada para encerramento (em dezembro de 2017) a autarquia tomou diligências e acabou por vedar o acesso automóvel ao Mouchão, apenas permitindo entrada de veículos camarários ou de emergência, para impedir acesso pelo então concessionário e possíveis clientes que mantivesse. Na altura foram também cortadas a água e a luz, e o espaço acabou por ser desocupado em fevereiro de 2018.

Após um procedimento de hasta pública para arrendamento para exploração turística que gerou controvérsia, em outubro de 2018 o arrendamento foi adjudicado ao consórcio Sólido Favorito, Limitada e Nélio Oliveira Duarte, que mais tarde viria a constituir-se Era Uma Vez em Tomar, lda), empresa agora vendida aos investidores de Tomar.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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