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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Tomar | Deixámo-nos levar pelo Bons Sons (c/ fotogaleria)

Em qualquer festival é natural que nos deixemos levar pelo ambiente e a música. Quando se fala de Bons Sons há quem o faça de outras maneiras. No segundo dia apanhámos o transfer que parte da estação ferroviária de Tomar e acompanhámos uma das visitas guiadas à aldeia, dada a conhecer por jovens que a conhecem bem. À viagem de autocarro pela estrada e a que fizemos a pé pelas ruelas juntaram-se as dos concertos que esta sexta-feira, dia 10, juntaram nos palcos ritmos de João Afonso, Mazgani, 10 000 Russos, Sara Tavares e António Bastos.

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Início de tarde em Tomar e o calor vai apertando. O ambiente junto da estação ferroviária de Tomar é calmo. Várzea Grande com poucos carros, táxis estacionados. São poucas as pessoas que entram e saem do edifício onde estão as bilheteiras e há um grupo sentado na sombra, juntamente com uma mãe e um bebé. São festivaleiros do Bons Sons e aguardam um dos transferes disponibilizados de hora a hora para quem não chega a Cem Soldos e segue as indicações dos estacionamentos.

O autocarro chega pouco antes da hora marcada e parte depois de entrarem as passageiras de última hora, que chegam a correr. O passe geral permite o pagamento cashless do euro e meio que assegura a ida, desde as 10h00, e a volta, até às 04h30. No entanto, também há moedas, que são guardadas pelo elemento da organização do festival numa caixa de metal onde outrora existiram bolachas. A viagem no segundo dia do Bons Sons promete ser doce.

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Diogo, Luísa e Vânia. Foto: mediotejo.net

No interior ouve-se português puro, português estrangeirado e francês. No primeiro caso, misturam-se os sotaques e entre eles estão o de Lisboa de Diogo Nunes, com 27 anos, e o do Porto de Luísa Caetano e Vânia, de 29 e 26 anos. São repetentes no Bons Sons e conheceram-se no festival em 2017. O transfer também não é uma estreia e usam-no nas viagens entre os hostels da cidade onde estão alojados e a aldeia. Diogo desde 2014 e Luísa e Vânia desde o ano passado.

O carro está fora de questão e admitem que se tornaram fãs pois “é muito mais prático”. O lisboeta destaca que esta opção permite “sair às horas que quiser” e refere o alargamento do horário de regresso que permite ficar até aos últimos concertos. Os pagamentos cashless também são apontados como uma mais-valia e riem-se quando dizem que é preciso “controlar a pulseira” pois o dinheiro não se vê a sair da carteira.

A conversa é curta, como a viagem que dura cerca de 15 minutos e o autocarro estaciona perto da placa que apresenta “Cem Soldos” aos visitantes. Uma primeira opção, mais prática para os campistas. Quem preferir ficar mais próximo do recinto, segue caminho para a entrada da Escola. É o nosso caso e depressa entramos no ambiente das ruas do Bons Sons, apinhadas de gente com a famosa caneca do festival nas mãos.

Segundo dia do Bons Sons 2018. Foto: mediotejo.net

As paragens desta sexta-feira são para ver os filmes do Curtas em Flagrante no Auditório Agostinho da Silva e ouvir Patrícia Costa e Meta no palco MPAGDP, S. Pedro e Tomara no palco Giacometti, Norberto Lobo e João Afonso no palco Amália, Mazgani e Sara Tavares no palco Lopes-Graça e 10 000 Russos e Mirror People no palco Zeca Afonso. O Dj Forol encerra o programa do segundo dia no palco Aguardela, pouco depois de António Bastos – que surgiu numa varanda da aldeia durante a tarde – passar por lá.

Algures pelo meio, conseguimos tempo para conhecermos Cem Soldos numa das visitas guiadas, às 17h00 e às 19h00, asseguradas por dois grupos de adolescentes da aldeia. Quem orienta os festivaleiros pela aldeia Bons Sons são a Andreia, a Ana Raquel, a Catarina e três Marianas. O ponto de encontro é na sede do SCOCS – Sport Club Operário de Cem Soldos às nossas três guias junta-se Dário Cartaxo, que também conhece bem os recantos, mas mora agora na Alemanha.

Os inscritos chegam e são movidos pela curiosidade ao longo das ruelas no grupo identificado com a cartolina amarela a anunciar as visitas guiadas. Ao longo do passeio vai-se descobrindo, entre outras histórias, a origem do nome de “Cem Soldos”, as benesses da antiga proprietária da Casa Verde, a D. Lurdes, o milagre do orago São Pedro, os projetos desenvolvidos pelo SCOCS e as juras de amor inscritas nos papelinhos que se escondiam na antiga eira, agora vedada ao público depois de anos de protagonismo como palco do festival.

Os guias em frente à Oficina das Avós. Foto: mediotejo.net

As perguntas vão surgindo ao longo dos cerca de 20 minutos em que também se descobre a Oficina das Avós e a Junta de Freguesia. As últimas são, sobretudo, sobre o festival, como o primeiro ano em que foi feito (2006) ou para onde revertem as receitas (por exemplo, um terço do valor global é aplicado no Centro de Saúde). No final, alguém da aldeia regista o momento com uma foto de grupo numa rua próxima do palco Giacometti, ocupado pela música de Tomara.

Fazem-se as despedidas. O nervosismo dá lugar aos sorrisos e perguntamos se correu bem. “Acho que sim, desde que as pessoas tenham gostado”, responde uma das jovens. Estão preparadas para as restantes visitas guiadas agendadas durante o fim-de-semana? Esperam muita gente? A resposta é afirmativa às duas perguntas e rematam “quanto mais melhor, que comece a festa!”.

A festa já começou na sexta-feira e ainda há muitas razões para se deixar levar pelos bons sons do Bons Sons. A música começa pouco depois de almoço e termina muito depois da ceia com dezenas de concertos nos oito palcos. Até ao último transfer da edição de 2018 passam por Cem Soldos quartoquarto, Luís Severo, Miguel Calhaz, Rodrigo Amado Motion Trio, PAUS, Linda Martini, Cais Sodré Funk Connection, Dead Combo e Conan Osiris, entre outros.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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