Tomar | Curiosidades e factos do tempo dos templários revelados no Convento de Cristo

Seminário “A Ordem do Templo e a Defesa Territorial”. Foto: mediotejo.net

Sabia que quando brinda com “Hep Hep Hurra” pode estar a utilizar uma expressão templária? E que as mulheres também pegavam em armas na época destes monges guerreiros? Descobrimos estas curiosidades e outros factos templários na quinta-feira, dia 5, durante o seminário “A Ordem do Templo e a Defesa Territorial”, que teve lugar no Convento de Cristo e marcou o arranque da Festa Templária. Uma tarde dedicada à História, em que não faltaram os míticos cavaleiros.

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A história da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão é sobejamente conhecida na cidade de Tomar, ora não tivesse sido ali que o Mestre Gualdim Pais, na qualidade de Grão-Mestre, fundou o castelo e o convento templários que começaram a partilhar a paisagem com o rio Nabão a partir de 1160. Encontrar um destes cavaleiros na rua tornou-se quotidiano nessa altura – e volta a ser realidade por estes dias, durante a Festa Templária.

O minuto zero da edição deste ano começou a contar no Convento de Cristo com o seminário “A Ordem do Templo e a Defesa Territorial” e teve como oradores João Maia, António Balcão Vicente e Miguel Sanches de Baêna, que abordaram desde os equipamentos à forma como os cavaleiros que prestavam auxílio aos peregrinos a caminho de Jerusalém acabaram por ajudar, igualmente, na formação de Portugal.

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António Balcão Vicente e João Pinto Coelho. Foto: mediotejo.net

António Balcão Vicente, historiador e escritor, apresentou factos históricos sobre os tempos em que o país era condado (Condado Portucalense) e o território era desejado por mouros e cristãos. Os monges guerreiros já andavam por cá há algumas décadas antes de chegarem aquela que ficaria conhecida por “cidade templária” e acabaram por contribuir com a sua visão estratégica e apoio militar para que os “infiéis” fossem cedendo, metro após metro.

Uma verdadeira “máquina de guerra”, segundo o diplomata e investigador Miguel Sanches de Baêna que primava pela organização, disciplina e dureza. Segundo o último orador a ser apresentado por João Pinto Coelho nesta tarde, o rigor não se aplicava apenas nos combates com o inimigo, mas também a nível interno, pois os soldados que saíam do esquadrão sem autorização eram presos.

Miguel Sanches de Baêna. Foto: mediotejo.net

Entre datas e nomes de locais surgiram curiosidades que nos aproximam mais dos cavaleiros templários do que pensamos, como a utilização da expressão “Hep Hep Hurra”, quando brindamos. “Hep” é um acrónimo da expressão Hierosolyma Est Perdita (“Jerusalém está perdida”) que muitos defendem ter sido gritada vezes sem conta pelos monges guerreiros que tiveram o castelo de Soure (doação de D. Teresa à Ordem em 1128 confirmada por D. Afonso Henriques no ano seguinte) como primeira sede oficial em Portugal.

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E desengane-se quem pensar que as vozes eram apenas masculinas, uma vez que João Maia, fundador da Espada Lusitana, associação dedicada a recriações históricas civis e militares, referiu as mulheres guerreiras que empunhavam o broquel. O pequeno escudo era igualmente utilizado pelos sargentos templários, vestidos de negro, que nesta altura desempenhavam a função de serventes e apoiavam os cavaleiros.

O manto branco em que se destaca a cruz vermelha associada aos templários não surgiu nos primeiros equipamentos de que a espada fez sempre parte, e nos séculos XII e XIII foi sendo acompanhada por outras peças essenciais, como a loriga (cota de malha), o gibão, o capelo (capacete), o elmo ou a lança. Pormenores apresentados “in loco” por João Maia com a ajuda de figurantes, adensando a essência templária indissociável de Tomar e que se vive mais intensamente até este domingo.

João Maia e um dos quatro figurantes vestidos a rigor. Foto: mediotejo.net

Além do seminário no Convento de Cristo, o primeiro dia do programa incluiu a abertura oficial na Praça da República e das atividades que decorrem ao longo dos quatro dias, como a Feira de Artesanato e Tasquinhas no Mouchão Parque e o Festival de Cozinha Medieval nos restaurantes aderentes. As recriações históricas no centro da cidade, com danças medievais e demonstrações de ofícios, também tiveram a sua estreia e foram complementadas pelo cerco ao Castelo Templário de 1190.

O momento histórico no Terreiro D. Gualdim Pais repetiu-se às 23h00 de sexta-feira, dia que começou com o desfile templário infantil e terminou com um Jantar Real no Convento de Cristo. Nas manhãs do fim-de-semana estão agendadas visitas culturais, pelas 10h00.

Os encontros templários continuaram no cortejo noturno que se realizou às 22h00 de sábado e o render da guarda está agendado para as 18h00 deste domingo.

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