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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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Tomar: Culturista Isabel Martins trouxe bronze do campeonato da Europa

A tomarense Isabel Martins conquistou um 3° lugar na categoria Master Women Physique durante a prova de culturismo promovida no fim de semana de 7 e 8 de maio, promovida IFBB – Federação Internacional de Bodybuilding e Fitness.

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A competição decorreu em Santa Susanna, Barcelona, Espanha sendo que a culturista tomarense conseguiu subir ao pódio com bronze, entre 19 atletas oriundas de vários países europeus.

Bela Soares, como também é conhecida, obteve ainda um 6º lugar na geral na categoria Women Physique +1,63.

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Casada e com um filho, Isabel Martins trabalha na empresa de roupa SMF Jeans na zona industrial de Tomar e treina diariamente para um dia ser campeã europeia.

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Durante a prova, onde participaram 18 atletas de vários países

Quem é a Bela Soares?
Isabel Martins: A Bela Soares é o nome que eu adoptei no Facebook já alguns anos quando ainda não era atleta de competição. Acabou por ficar o meu nome e pelo qual eu sou conhecida. Mas o meu nome é Isabel Martins sou atleta de competição de culturismo e Sou de Tomar.

Participou recentemente no Campeonato da Europa, numa prova promovida IFBB – Federação Internacional de Bodybuilding e Fitness e acabou por trazer a medalha de bronze para Portugal. Como é que se sentiu no pódio?
O ano passado consegui o apuramento, numa competição nacional,  para participar neste campeonato da europa que se realizou em Barcelona. Ficar em terceiro lugar era algo que eu não estava, de todo, à espera porque é um nível muito muito elevado. Competi com atletas de toda a Europa, que são atletas fortíssimas e com outro tipo de preparações.

Mas o que é certo é que, entre 19 atletas, ficou com o bronze…
Fiquei em terceiro lugar na categoria Woman physical masters. Aqui, nós não competimos por quilos, é um “open” onde concorrem atletas mulheres com mais de 35 anos.

Em que é que consiste propriamente a prova?
O culturismo é o culto do corpo. Na prova, são definidos padrões por juízes que definem as características para aquela categoria. Falamos, por exemplo, da simetria, da densidade muscular, da definição ou da qualidade. Há uma série de características que a atleta tem de apresentar em palco. trabalhamos o ano todo para nos conseguirmos aproximar o mais possível daqueles parâmetros que são definidos pela IFBB, nesta caso a Federação Internacional de Bodybuilding e Fitness. A nossa exibição é feita diante de 12 a 14 juízes provenientes de vários países.

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A tomarense durante a exibição aos júris no Campeonato Europeu que decorreu em Barcelona

E em palco, o que é que faz uma culturista?
Pousamos. Nós temos poses obrigatórias que são definidas também para esta categoria. No fundo, as atletas são chamadas para posar em frente aos juízes, que vão ditando as poses e nós temos que as executar. Como estamos todas perfiladas, eles vão avaliando quais é que são as que tão mais próximas dos parâmetros que eles estabeleceram, ou seja, verificando quais são os corpos que que estão com melhor qualidade, com mais simetria, melhor densidade muscular.

O tal trabalho que se prepara durante todo o ano… A Isabel tem 43 anos, é casada, tem um filho e tem o seu trabalho… Consegue treinar todos os dias
Treino todos os dias menos ao domingo porque também temos de fazer um descanso. Uma pausa também é benéfica para o corpo e, portanto, eu faço um descanso ao domingo. Isto também porque o ginásio onde treino está fechado mas, de resto, treino todos os dias.

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Entre dois juízes da prova, já com a medalha de bronze ao peito

Vamos voltar um pouco atrás até para a dar a conhecer aos nossos leitores. Quando é que o culturismo entrou na sua vida?

Eu já praticava musculação há muitos anos para manutenção física porque gostava.  Eu já treino desde os 20 anos, altura em que entrei num ginásio e a musculação foi aquilo que mais me apaixonou. Foi o que mais gostei de fazer no ginásio. Comecei sem sequer pensar em vir a entrar em competições, só simplesmente para gostar de trabalhar o corpo, para me sentir bem fisicamente. Há cerca de 7 anos atrás, mais ou menos, conheci um atleta de competição e culturista que me disse que eu tinha muito boa genética para seguir esta modalidade, a partir dai foi o início de tudo isto.

Mas já tinha ouvido falar do Culturismo?
Não, não era uma coisa que eu tivesse assim muito conhecimento.

Informou-se sobre a modalidade?
Só quando essa pessoa me falou é que eu depois fui ver realmente o que é que era, o que é que se pretendia com o culturismo. Pesquisei até nas redes sociais, no Facebook e acabei por adicionar pessoas ligadas ao Culturismo e aos pouquinhos fui começando a entrar no meio. Até que, a certa altura, um atleta de competição aconselhou-me a ser vista por um preparador de culturismo, em Lisboa. Fui lá só para ter uma opinião e ele disse-me que realmente eu tinha muito boa condição para poder competir e apoiou-me.

Quando é que começou a entrar em competições?
Foi em 2013. Competi no campeonato nacional – foi a minha primeira prova que, no caso, era numa categoria que era Body Fitness, a categoria a baixo da qual eu estou neste momento. Competi e ganhei o campeonato nacional.

Foi logo uma uma estreia de ouro…
Foi (risos) Ganhei o campeonato nacional de Body Fitness.

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Há vários parâmetros que são avaliados pelo júri

“Nós, culturistas, temos de ser extremamente disciplinados”

Para se preparar para estas competição, para além do treino físico também tem de ter seguir uma dieta específica?
Isabel: Exatamente. O grande segredo dos culturistas é mesmo a dieta, porque treinar muita gente treina, o segredo é mesmo a dieta. Nós temos de ser extremamente disciplinados. Quem quer seguir esta vida não pode ter uma alimentação igual às outras pessoas. Como eu costumo dizer, nós temos uma dieta muito especifica.

Como por exemplo?
Nós temos de comer muita proteína, que vamos buscar à carne, ao peixe aos ovos, ao atum e temos que controlar os hidratos de carbono, no caso do arroz, da massa, bem como a gordura. Então é assim: eu faço 7 a 8 refeições diárias todas elas incluem, ou carne, ou peixe, arroz. Isso significa que ao pequeno-almoço como por exemplo, ovos com arroz, ou ovos com aveia, a meio da manha normalmente como bife de peru com batata doce, todas as refeições são assim, por isso as vezes as minhas colegas de trabalho até me dizem a brincar “tu almoças 7 vezes.

Mas tem mesmo que ser assim?
Tem de ser assim. E a comida é toda pesada. Tudo o que eu como é pesado. Isso exige uma preparação das refeições. Preparo as minhas refeições do dia seguinte à noite. Confecciono, peso, ponho em Tupperwares, para no dia seguinte levar as refeições todas para o trabalho.

Foi fácil mudar os seus hábitos alimentares? 
Não. Ao início custou-me um bocadinho, não achava nada normal  comer as 10 horas da manhã duas latas de atum com arroz e alface. Eu escondia-me que era para as pessoas não me verem a comer aquilo. Se para mim era estranho quanto mais para as outras pessoas… Ao fim de um tempo começou a fazer parte integrante da minha vida.

Esta é uma modalidade um pouco dispendiosa…

Eu pertenço a uma equipa que é a 2Corpos e tenho como preparador o António Guerreiro. É ele que me prepara desde o início, foi ele que apostou em mim e é ele que me apoia. Se não fosse ele eu não conseguia continuar a competir. Porque é um desporto extremamente dispendioso e, se não houver um suporte por trás –  a não ser que um atleta tenha muitas condições financeiras que não é o meu caso  – era impensável continuar a fazer esta modalidade. Pertenço a uma equipa e essa equipa é que está a suportar que eu seja atleta de competição deste nível. O meu preparador agora, visto os resultados terem sido tão bons está a ponderar pôr-me em outras provas internacionais mas vamos agora trabalhar. Agora que sai desta competição, tenho que tentar recuperar o corpo, porque realmente é um bocado agressivo. Temos de chegar a um ponto de prova em que não temos praticamente gordura corporal nenhuma, portanto, agora é recuperar para voltar a estabilizar tudo e depois trabalhar para futuras provas.

Porque também viu os resultados mais rapidamente a aparecer. É isso?
Exatamente. Já faz parte dos hábitos. Já não é uma dieta.
Já não consigo ser de maneira diferente, já não consigo.

E o resto da família?
Não, têm outro tipo de alimentação, a chamada normal, comem como as outras pessoas.

Porque é casada e tem um filho. Como é que concilia no fundo esta arte, que é uma arte não deixa de ser uma arte, com a vida familiar? Com a profissão? Que a Isabel também trabalha, tem de haver muita disciplina.
Eu tenho de gerir tudo muito bem é um bocado viver tudo cronometrado. Porque eu tenho de me levantar sempre a horas, para poder preparar, acabar de preparar as refeições, levar o meu filho à escola, ir trabalhar. Quando saio do trabalho tenho de vir a casa num instante preparar outra refeição, ir para o ginásio treinar, vir para casa, e depois fazer tudo para o outro dia.

A família aceita essa sua entrega?
Isabel: Sim.

E os amigos, o que é que lhe dizem?
Os amigos incentivam-me muito. Tenho as minhas amigas do trabalho, que não são do meio  –  porque  as pessoas que são minhas amigas  são atletas de competição fazem o mesmo e incentivam-me como é óbvio – que me  costumam dizer que, apesar de não ser uma coisa que elas gostem muito (ver uma mulher muito musculada) incentivam-me sempre a continuar.

E como é que lida com os comentários menos, digamos, abonatórios? Sente algum preconceito por ser uma mulher assumidamente musculada?
Eu sei que  sou o centro das atenções quando, por exemplo, chego a uma praia, porque normalmente não se costuma ver uma pessoa assim. Já estou habituada a que as pessoas olhem para mim e, muitas vezes, eu costumo dizer: Deus que era Deus não agradou a todos eu também não faço questão de o fazer. Quem gosta, que não gosta paciência…

É uma pessoa muito bem resolvida…
Sim, cada um é como cada qual, eu sou assim eu gosto de ser assim, gosto de me ver assim e vou continuar a ser assim. Quer as pessoas gostem ou não.

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Concorrentes a serem avalias pelo júri nesta prova

Esta medalha de bronze, como disse, teve um sabor especial…
Sim. Definitivamente. Eu quando soube que ia competir com 19 atletas pensei logo que não teria a mínima hipótese, porque são atletas da Alemanha, da França, da Espanha, atletas de Itália. Estamos a falar de atletas que estão muito bem preparados eu achei que não ia ter hipótese alguma. Como éramos 19, foram apuradas 15, que voltaram a subir ao palco. Eu fiquei integrada nessas 15 e pensei logo que já não ia passar ao top 6. Quando fui selecionada para o top 6, foi uma alegria imensa porque chegar ao top 6 já era mais do que o bom. Estava no top 6 e pensei: vou ser a 6.ª classificada. Mas quando começaram a chamar a 6º a 5º a 4º … eu não tenho palavras para descrever, quando me chamaram a mim em 3º lugar: medalha de bronze. Foi indescritível eu não consegui conter as lágrimas. Até acabei por chorar, porque era algo que eu não imaginava que conseguisse alcançar.

Tem alguma superstição antes de entrar em palco?
Por acaso tenho algumas. Ás vezes são pequenos pormenores, como levar um anel, tentar levar as coisas que naquela prova que ganhei eu tinha, são pequenos rituais, as vezes não significam nada, mas na altura parece que me dá mais confiança.

E qual é o seu lema?
Eu costumo dizer que sou guerreira por natureza. Não desisto facilmente e em vez de pensar nisso tento aguentar e conseguir superar todas as dificuldades que me vão aparecendo de uma maneira ou de outra porque sei que isto não é fácil. Muitas vezes é muito complicado gerir as preparações que são extremamente dura. Por exemplo, nesta preparação tinha de me levantar as 06horas da manhã de inverno, a chover ou com frio, e tinha de vir para a rua fazer exercícios cardiovasculares, tipo corrida para queimar gordura, para queimar gordura corporal. Mas é tentar superar sempre.

E qual é o sonho que se segue?
É conseguir chegar ao 1º lugar no campeonato da europa.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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