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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Tomar | Centro histórico tem agora um café-livraria (com muito mundo dentro)

Será, como os próprios promotores repetiam quando se atreviam a sonhar alto, um projeto “insensato”? Provavelmente. Mas se há coisa que a pandemia nos ensinou é que há poucas coisas na vida que podemos ter como seguras. Por isso, o sonho ganhou mesmo forma e o café-livraria Insensato apresentou-se ao mundo este sábado, 8 de maio, no centro histórico de Tomar.

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“Nos últimos anos, tenho pensado muito sobre isto da vida: sendo finita e irrepetível, preciso de torná-la interessante, ano após ano, dia após dia”, diz Gabriel Soeiro Mendes, que sendo natural de Tomar há muito que não vivia na cidade, tendo corrido mundo como jornalista e fotógrafo. Escreveu para várias revistas de viagens e notabilizou-se como blogger com Uma Foto, Uma História, galardoado quatro vezes com o prémio da BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa para Melhor Blogue de Fotografia de Viagem (2014, 2015, 2016 e 2018) e vencedor do principal prémio dos Momondo Bloggers Open World Awards (2017). Depois criou Filho de mil histórias, um blogue mais pessoal, onde além das crónicas e fotografias, partilha também as suas leituras e histórias de encontros em viagem.

Agora regressou à “casa de partida”, com a sua mulher, Selma, para unirem noutro projeto comum mais duas paixões: os livros e a cozinha.

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O café-livraria Insensato, no centro histórico de Tomar. Créditos: DR

Na parte da livraria a aposta é sobretudo nos usados, a preços que variam entre os 5 e os 10 euros. Os títulos novos são de editoras selecionadas, dentro dos temas de viagem ou de autores locais e regionais. Todos foram cuidadosamente escolhidos por Gabriel, que saberá falar de cada um com os clientes que procurem um conselho ou queiram, pura e simplesmente, conversar sobre livros – uma dimensão que se perdeu nas grandes livrarias.

No futuro há também a intenção de promover tertúlias e fazer apresentações de novas obras.

Na parte do café, destacam-se as preferências por ingredientes saudáveis e naturais, refeições leves, brunch, panquecas e bolos caseiros. 

Tosta aberta em pão de fermentação lenta. Créditos: Insensato

Quando falava do que ia fazer aos amigos, a reação era quase sempre a mesma:
“Como assim, abrir um café neste tempo de pandemia? Livraria? Pior ainda! Numa cidade pequena, ainda para mais?”, descreve Gabriel numa publicação no Facebook, quando tornou pública a sua intenção de mudar de vida.

“Sei que é insensato, mas tenho a esperança que depois da tempestade vem sempre a bonança. Se não vier, se correr mal, hei de dar à costa pelo menos meio-vivo, e tenho de acreditar que descobrirei novos caminhos para trilhar.”

Gabriel e Selma mudaram-se para Tomar, onde acabam de abrir o café-livraria Insensato. Créditos: DR

Se o dia da inauguração servir de indicador para o futuro, avista-se muito sucesso no horizonte. A casa esteve sempre com movimento, bem como a esplanada, e ouviram-se elogios ao ambiente, à decoração, à escolha dos livros, à comida e ao serviço da equipa.

Num outro tempo de crise (final da 2ª Guerra Mundial), o dramaturgo George Bernard Shaw descreveu um homem sensato como “aquele que se adapta ao mundo” e o homem insensato como o que “insiste em tentar adaptar o mundo” às suas necessidades e circunstâncias. É por isso, dizia, que “qualquer progresso depende do homem insensato”.

Ontem como hoje, há que aplaudir quem corre riscos e improvisa neste grande palco que é a vida. E daqui a pouco tempo apostamos que haverá uma multidão a perguntar: “Um café-livraria? Como é que ainda não existia nenhum em Tomar?”

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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