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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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Tomar | Centro de vacinação deverá arrancar dia 9 no pavilhão da Escola de Santa Iria

O Centro de vacinação de Tomar deverá iniciar funções no dia 9 de dezembro na sua nova localização, o pavilhão da Escola Básica de Santa Iria, confirmou ao mediotejo.net a presidente da Câmara, Anabela Freitas. Esta decisão não tem sido aceite de forma pacífica, com alunos, professores e pais a manifestarem repúdio pela transferência do centro de vacinação da covid e da gripe para o interior das instalações escolares. Acontece que, entre os vários espaços visitados na semana passada, o ACES Médio Tejo validou apenas o pavilhão da Santa Iria. A presidente da Câmara Municipal já havia frisado na passada reunião de Câmara que as questões de saúde pesam mais na balança, e que “o mal menor” é a EB Santa Iria, tendo apontado que o ginásio da escola continuará disponível, bem como o pavilhão da Escola Jácome Ratton, nas imediações – local, aliás, onde o centro de vacinação começou por estar instalado no arranque da vacinação.

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Tal já havia sido anunciado em reunião de Câmara no início da semana, dia 29 de novembro, com Anabela Freitas a dar conta de que chegaram indicações para encontrar um novo local que permita aumentar o espaço e aumentar o número de postos de vacinação, tendo a Câmara iniciado há várias semanas, com a entidade de saúde, visitas a espaços em Tomar para serem validados consoante um conjunto de condições para o efeito.

A edil sublinhou, quanto à escolha do pavilhão da Escola de Santa Iria, que “pesa na balança as questões de saúde e que foi este o selecionado e validado pela saúde”.

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“Foi validado pela Saúde o pavilhão da Escola de Santa Iria, que tem entrada autónoma, não quebra na totalidade a prática desportiva das crianças porque tem um ginásio e um pavilhão. O que vai ser afeto é o pavilhão, ficando o ginásio para a utilização pelos alunos”, pelo que avançará a transição do atual centro de vacinação no 1º piso do Pavilhão Cidade de Tomar para o pavilhão da EB Santa Iria nos próximos dias.

A edil reconheceu, ainda assim, ser desejável que não haja interrupção da prática desportiva nas crianças e nos jovens, e que só em último dos últimos casos se visitaram pavilhões ou instalações afetas às escolas.

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Por outro lado, voltar ao Pavilhão Jácome Ratton – o local onde funcionou o primeiro centro de vacinação da cidade – estava fora de questão “para não sacrificar novamente os jovens que já estiveram sem prática desportiva e naquela escola existem cursos profissionais de desporto e prejudicar-se-ia o percurso e a via de ensino destes jovens”.

Refira-se que o Centro de vacinação começou por funcionar no Pavilhão Jácome Ratton, passando depois para o 1º piso do Pavilhão Municipal – situação que levou a reclamações sobre o funcionamento e atendimento e a procurar alternativas. Créditos: CM Tomar

“O mal menor é mesmo a Escola de Santa Iria”, afirmou a presidente de Câmara na reunião, insistindo que tem ginásio e pavilhão, em proximidade à Jácome Ratton, e permite que o 3º ciclo possa deslocar-se para a Jácome Ratton e não haver perda de prática desportiva.

“A solução caso não existam espaços, é Tomar dizer que não existem condições para ter um centro de vacinação na cidade e os cidadãos irem vacinar-se noutro centro de vacinação”, alertou a presidente de Câmara.

Um dos espaços que foi proposto e visitado pela autarquia foi na Avenida Cândido Madureira e que pertence ao Politécnico de Tomar, que tem uma galeria no rés-do-chão e não teria problema de acessibilidade. Porém não foi validado pela entidade de Saúde.

Também Hugo Cristóvão, vereador com o pelouro da Educação, referiu na reunião que dentro da necessidade de definir prioridades entre os espaços escolares disponíveis, a Escola de Santa Iria “é a que menos sai prejudicada pela utilização do pavilhão, por ser a que tem menos alunos e porque dentro do Agrupamento de Escolas Templários, a distância ao Pavilhão Jácome Ratton é quase igual em relação ao pavilhão da Escola Santa Iria”.

Lembrou ainda que na Jácome Ratton há outro ginásio, o antigo pavilhão, que pode ser utilizado face às necessidades da comunidade escolar.

“Dentro das instalações possíveis, o Pavilhão da Escola Santa Iria é a solução que menos prejudica os alunos, mesmo que a autarquia preferisse que não fosse necessário recorrer a estas soluções, mas o tempo que se vive assim o obriga”, concluiu o vereador na ocasião.

Acontece que a comunidade escolar e a Associação de Pais tem-se movimentado no sentido de manifestar-se contra a instalação do Centro de vacinação na escola.

Foto: CM Tomar

Se por um lado os docentes alertam para o facto de serem restringidas as condições para a prática desportiva e para lecionar Educação Física e isso interferir na atividade letiva, também os pais se manifestam contra o funcionamento deste centro no interior das instalações escolares, reivindicando a segurança, privacidade e tranquilidade dos mais novos ao frequentarem a escola.

A Associação de Pais fez circular uma nota dando conta do descontentamento e referindo convocar nova reunião com a autarquia e entidades de saúde para o final do dia, nesta sexta-feira, altura em que também decorreu uma manifestação dos alunos à porta da escola.

“Não podemos deixar que façam do espaço de desporto dos nossos filhos, um centro de vacinação, com tudo o que implica a permanência constante de pessoas estranhas na escola. O desporto é saúde. Há muitos espaços vagos na cidade, a ACES não quer aceitar nenhum, vamos mostrar que aquele espaço não é opção. Vamos defender os direitos das nossas crianças”, refere a Associação de Pais.

Recorde-se que já na segunda-feira, dia 29 de novembro, Anabela Freitas deu conta de que se iria realizar reunião com a Associação de Pais nessa tarde, não tendo havido consenso para uma alternativa. Nessa reunião a autarquia propôs que as aulas de Educação Física possam realizar-se no Pavilhão da Escola Jácome Ratton, a alguns metros da Escola Santa Iria, ou então a colocação de uma tenda no recinto escolar com três contentores de apoio para a prática desportiva e de outras atividades de exterior. Situação que não é todo aceite pelos pais, que prosseguem na luta contra esta que parece ser uma decisão irreversível.

Anabela Freitas confirmou esta sexta-feira à tarde que está previsto o novo centro de vacinação arrancar em funções no pavilhão da Escola Santa Iria a 9 de dezembro, próxima quinta-feira.

Na reunião de Câmara os vereadores do PSD mostraram-se surpreendidos com a decisão, com o vereador Luís Francisco (PSD) a lembrar ter sido dito pelo executivo “que se estavam a estudar alternativas mas que evidentemente a solução não poderia passar por um pavilhão desportivo de uma escola”.

Disse que “o PSD ficou espantado com a solução noticiada, de o centro de vacinação passar para o pavilhão da Escola de Santa Iria, tendo tal opção gerado repúdio pela comunidade escolar” e questionou “se não existem outras alternativas de edifícios sem grande uso, condignos para o efeito e com possibilidade de estacionamento e acesso fácil”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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