Tomar | Centro Comunitário de Apoio Familiar vai acolher cinco famílias até final do ano

Foto: mediotejo.net

O Centro Comunitário de Apoio Familiar de Tomar, concluído após uma empreitada que rondou os cerca de 340 mil euros, deverá entrar em funcionamento e receber as cinco famílias de etnia cigana do Flecheiro, selecionadas pelos serviços de ação social do Município, até final do ano. Segundo a autarquia, este projeto na avenida António da Fonseca Simões é apenas “uma pequena parte” de um processo já iniciado há vários anos, nomeadamente de intervenção junto da comunidade do Flecheiro.

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O primeiro trabalho começou por ser de levantamento, sendo que hoje “mais de metade da população que existia no Flecheiro já lá não está”, lembrou Hugo Cristóvão, vice-presidente da autarquia, em declarações ao mediotejo.net.  O autarca referiu que na altura se contabilizaram 230 pessoas, cerca de 55 agregados familiares, ali a residir.

Hoje cerca de 100 pessoas restam no acampamento do Flecheiro, e o trabalho continua no sentido de encontrar soluções de habitação fora daquela zona da cidade, tendo já sido intervencionada por diversas vezes e demolidas barracas.

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Segundo Hugo Cristóvão o que se prevê com este centro comunitário é que “gradualmente as famílias que selecionámos vão começar a transitar para lá”, tendo dito que a sua expetativa “é que no final do ano os cinco módulos já estejam ocupados”.

Aquele equipamento vai contar com apoio da equipa interdisciplinar no Município de Tomar, uma equipa que tem sido constituída nos últimos seis anos, e que tem sido reforçada com elementos e competências, caso de apoio de psicólogos, assistente social e outros técnicos especializados.

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A equipa irá dispor do sexto módulo do Centro Comunitário, onde passará a estar com “regularidade” a trabalhar, não só para as famílias que vão transitar para aquele espaço. Pretende-se que funcione como “espaço centralizador, fora das instalações municipais, para algumas atividades e acompanhamento às famílias apoiadas pela autarquia”, disse o vice-presidente da CM Tomar, lembrando que esta equipa desempenha um trabalho “transversal” na comunidade.

Tomar tem cerca de 180 fogos de habitação social, além de outras matérias na área da ação social e em articulação com outras entidades no âmbito da Rede Social. Mas  no centro comunitário prevê-se que, à partida, “as atividades a realizar serão maioritariamente com comunidade cigana, não apenas com as 5 famílias que passarão para ali, mas com as famílias em geral”.

Foto: mediotejo.net

Hugo Cristóvão frisou que este centro comunitário não se trata de habitação social, uma vez que é “um equipamento”, tendo sido pensado, planeado e construído numa lógica de que “daqui a dez, 15 ou 20 anos, possa pura e simplesmente ser desmantelado ou transferido, se fizer sentido”.

“Não são edifícios com características definitivas. Sendo equipamento, não poderíamos aplicar o regulamento da habitação social. Mas tem de se aplicar regras por uma questão de equidade de tratamento com as demais famílias existentes nos 180 fogos de habitação social, mas também por uma questão de cumprimento dos objetivos a que o centro se propõe”, disse o autarca.

O objetivo é que “as famílias que ali são colocadas no fundo ganhem condições e rotinas de habitabilidade, a ponto de depois passarem para habitações definitivas. Um dos princípios é que cumpram precisamente as mesmas regras que todos os outros, seja no pagamento da renda, no pagamento da água, da luz, das demais matérias. Aquilo que se está a fazer, em termos de aplicação, é aprovar a aplicação das mesmas regras aplicadas às habitações sociais”, disse, lembrando que o assunto foi debatido e posteriormente aprovado em reunião de Câmara Municipal.

As obras estiveram a cargo da empresa Arlindo Lopes Dias Construções, sendo esta uma empreitada no valor de 339.307.82 euros, tendo acabado mais tarde que o previsto devido a algumas “burocracias”.

Este centro comunitário tem estado na génese de várias críticas e discussões junto da população tomarense, nomeadamente nas redes sociais, quer sobre a sua localização, quer sobre o propósito para o qual foi designado. O mesmo localiza-se a portas meias com as traseiras do Posto Territorial da GNR de Tomar, estando separado por vedações.

Recorde-se que uma das principais promessas de Anabela Freitas na campanha eleitoral de 2007 foi a de em “cem dias” avançar com uma solução para o Flecheiro. O problema das famílias de etnia cigana – que já tem mais de 40 anos e nunca foi passível de resolução por parte dos vários executivos que passaram pela autarquia – são um tema recorrente, uma vez que o Acampamento do Flecheiro sempre foi considerado um “péssimo cartão de visita” às portas da cidade.

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