Tomar | CDU preocupada com despedimento coletivo na IFM/Platex

Deputado municipal Paulo Macedo (CDU) durante a apresentação da moção relativa ao despedimento coletivo na Platex. Foto: mediotejo.net

Os eleitos da CDU apresentaram na última sessão de Assembleia Municipal de Tomar uma moção onde expõem preocupação e solicitam esclarecimentos sobre o despedimento coletivo de 27 trabalhadores da unidade da empresa IFM/Platex, localizada na Quinta de Valbom. O documento foi aprovado por unanimidade.

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Em causa está o anúncio por parte da IFM – Indústrias de Fibras de Madeira, S.A., também conhecida por Platex, do despedimento de 27 dos atuais 67 trabalhadores da unidade instalada no concelho de Tomar.

A laborar no concelho desde 1961, a empresa de produção de painéis de fibras de madeira já chegou a empregar 300 trabalhadores e já passou por outras situações de crise, como em 2009 quando cerca de 200 trabalhadores foram para situação de Lay-Off.

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Nessa altura, recorda a CDU na moção apresentada, aconteceram “várias reuniões e pedidos de apoio junto das mais diversas entidades políticas, inclusive junto da Câmara Municipal de Tomar, que nessa altura mostrou solidariedade para com a luta dos trabalhadores”.

Desta vez, são 27 os trabalhadores em causa, sendo que “oito são operadores de máquinas”, revelou o deputado Paulo Macedo (CDU), que diz que tal acaba por “dar a entender que querem mesmo encerrar a empresa”.

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Perante a atual situação, a CDU manifesta preocupação pela intenção da empresa e condena o efeito “devastador” que tal despedimento vai ter no concelho, a par com os constrangimentos já provocados pela pandemia de Covid-19, bem como “pela sua condição de interioridade e taxas altas de desemprego”.

A IFM Platex teve em 2017 um volume de negócios próximo dos 10 milhões de euros, com as exportações a representarem uma fatia de 13% da produção.

Nesse sentido, o grupo municipal da CDU salienta a “importância da empresa para o país” bem como a “experiência, competência e saber dos trabalhadores” e exorta na moção apresentada a administração da IFM Platex a “estudar, em conjunto com o Ministério da Economia e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) a possibilidade de viabilizar a manutenção de todos os postos de trabalho”.

A moção, que foi aprovada por unanimidade pelos 32 deputados municipais, pretende também solicitar ao Governo esclarecimentos sobre a situação ao mesmo tempo que apela a que os trabalhadores “não renunciem aos seus direitos e lutem pela manutenção dos seus postos de trabalho”.

Depois de aprovada em Assembleia Municipal, a moção vai ser agora enviada para a administração da IFM / Platex, bem como ao Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimento e Similares, Construção, Madeiras e Mármores e Cortiças do Sul e Regiões Autónomas (STCCMCS), ao ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, à AICEP e aos grupos parlamentares na Assembleia da República.

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As reações da Assembleia Municipal à situação da Platex

A primeira reação a esta moção da CDU e à situação vivida na empresa Platex fez-se sentir por parte do PSD. A este propósito, interveio a deputada municipal social-democrata e presidente Junta de Freguesia de S. Pedro de Tomar, Lurdes Ferromau, que sublinhou a oportunidade de emprego que a Platex tem desempenhado no concelho ao longo dos anos.

No entanto, relembrou o seu “percurso acidentado”, com situações de despedimento e paragens de linhas de produção, que causaram “consequências visíveis a nível social, nas populações” e disse que esta nova crise é uma questão que vai novamente “abalar o concelho”.

A deputada expõe ainda de que tem conhecimento de serem não 27 postos de trabalho em causa mas sim “pelo menos, 40 pessoas”.

Do lado do PS, o deputado municipal Hugo Costa anunciou o voto favorável da bancada à moção, reiterando a importância da empresa para a região e deixando um voto de solidariedade para com os trabalhadores afetados e “disponibilidade do PS para trabalhar dentro daquelas que são as competências que existem”.

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Por sua vez, o deputado independente e presidente da União de Freguesias de Serra e Junceira, Américo Pereira, salientou que, dos 67 trabalhadores, cinco estão de baixa e que, estando 27 em risco, deixa no efetivo apenas 35 trabalhadores. Em suma, defende que isto é “o princípio do fim”. Reconhece ainda que a Câmara “não disponha de mecanismos fortes e suficientes para contrariar esta situação”, mas defende que deve “denunciar a situação e pedir esclarecimentos” visto que a continuidade desta empresa é “muito importante para Tomar, para a região e para o país”.

Já a deputada eleita pelo Bloco de Esquerda, Maria da Luz Lopes, disse que a questão desta empresa se deve ao sistema capitalista em que “é mais rápido, barato e fácil despachar esses funcionários” em vez de os integrar em outras linhas de produção. Conclui que “não há grande solução a nível institucional” a não ser “exigir que o Governo crie soluções para estes casos”.

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