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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Tomar: Casa Memória Lopes-Graça fechada por falta de recursos humanos

casa memoria lg
Interior contém um grande acervo documental, agora vedado ao público

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Seis  anos após ter sido inaugurada ao público, a Casa Memória Lopes Graça, em Tomar, que evoca um dos maiores maestros e compositores portugueses do século XX,  está fechada desde meados de Agosto de 2015.

O encerramento, explica a autarquia tomarense ao mediotejo.net, deve-se “à escassez de meios humanos para assegurar a sua abertura”. Por este motivo, em dezembro de 2015, ocasião em que se celebravam 109 anos do nascimento do compositor Fernando Lopes-Graça, a autarquia deixou passar em branco a efeméride.

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De acordo com o apurado, a casa-memória (onde o compositor nasceu) funcionou com regularidade – como qualquer Museu – durante cinco anos, mantendo-se aberta ao público no horário das 10h00 às 13h00 e das 15h00 às 19h00, de 3.ª a sábado. Mas, por falta de pessoal, encontra-se “encerrada temporariamente”, como consta num aviso afixado no local.

CASA MEMORIA 1
Aviso colocado na porta não detalha motivos

Foi a 13 de dezembro de 2008 que foi inaugurada a Casa Memória Lopes-Graça, no n.º 25 da Rua Dr. Joaquim Jacinto, em Tomar, local onde o compositor nasceu. Para “oferecer” esta Casa-Memória à comunidade, a autarquia – na altura liderada por Côrvelo de Sousa (PSD) -, investiu cerca de 85 mil euros na recuperação do edifício.  Ali podem ser encontrados, por exemplo, milhares de recortes de imprensa feitos por amigos de infância de Lopes-Graça e que os foram oferecendo à Biblioteca, livros expostos raríssimos, fotografias, gravações e outros documentos.

MAESTRO
Maestro António Sousa critica falta de interesse

A cerimónia de inauguração foi pomposa, decorrendo parte dela no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde esteve presente a pianista Olga Prats, que recordou alguns momentos da vida do compositor. Em seguida, abriram-se as portas da Casa Memória e foi apresentado um programa cultural que contemplou o lançamento da banda desenhada “Fernando Lopes-Graça – Andamentos de uma vida” e a apresentação e lançamento do CD “Danças e Rondas Infantis”, obra apresentada pelo maestro António de Sousa.

Foi um munícipe, o empresário Rui Costa, quem ofereceu o imóvel à autarquia em 2000, tendo decorrido 8 anos até que fizessem as obras e abrisse ao público, recorda ao mediotejo.net o maestro António Sousa, que foi o seu coordenador científico durante cinco anos. “A Casa Memória funcionou bem durante os três primeiros anos. Tínhamos uma funcionária, que ali foi colocada através do Centro de Emprego, que assegurava a abertura e a quem se fez uma formação “in loco” mas a quem não se renovou contrato”,
explica. A Casa Memória manteve-se – mesmo assim – de portas abertas durante mais dois anos –  sempre com pessoal enviado pelo Centro de Emprego – mas que estavam, por norma, pouco tempo, até que acabou por ficar encerrada “temporariamente”.

lopes graça
Lopes Graça nasceu em Tomar a 17 de dezembro de 1906

É com alguma mágoa que António de Sousa fala deste desfecho. “Eu estive lá como coordenador científico para fazer a instalação do acervo documental mas desde 2012 que não tenho qualquer ligação embora ainda fosse fazendo algumas coisas. Até que decretei para mim mesmo que não fazia mais nada porque acho que estava a criar uma situação dúbia”, explica. O maestro, aponta a  “falta de interesse do poder político” aliada à falta de autonomia da Casa Memória Lopes Graça que foi sempre encarada como se de mais uma associação fosse.

“Desde o princípio que isto esteve sempre torto. O próprio poder político, publicamente, demarcou-se várias vezes de todo o processo”, refere António de Sousa, acrescentando que tudo piorou quando saiu a lei que veio impedir a contratação de pessoal para a Função Pública. “A Câmara não só não enviava ninguém como foi deixando sair pessoas até que chegou a um ponto em que havia um funcionário para todos os espaços museológicos, desde a Casa dos Cubos ao Núcleo de Arte Augusto França, passando um dia pela Casa Memória”, exemplifica.

O maestro recorda que este foi um importante pólo cultural. “Fizeram-se  dois concursos de piano, quatro exposições de várias épocas e, sobretudo, houve várias estreias de obras de Lopes-Graça feitas cá em Tomar”, recorda.

“Até estar resolvida a situação da falta de recursos humanos, não é possível abrir a Casa Memória Lopes Graça ao público. Todavia, sempre que há solicitação de visitas, as mesmas são asseguradas”, garante a autarquia, nas explicações que nos remeteu.

CASA MEMORIA 3
Casa Memória situa-se na Rua Dr. Joaquim Jacinto, no centro histórico

A Câmara de Tomar assegurou ainda que está a decorrer um procedimento de contratação de serviços para assegurar a abertura ao público dos monumentos e museus da cidade.

“Até esse procedimento estar concluído é impossível assegurar esta função em pleno. A situação é comum a outros equipamentos municipais cujo funcionamento está condicionado à disponibilidade de meios humanos”, realça a Câmara, que é liderada por Anabela Freitas (PS).

A autarquia reforça que “não é interesse do município manter espaços museológicos encerrados”, independentemente da procura do público ser maior ou menor, reiterando que só será possível após o procedimento de contratação em curso estar concluído.

Não obstante ao facto de se encontrar fechada ao público, a presidente da autarquia, – interpelada pelo vereador Pedro Marques dos Independentes por Tomar na reunião de 18 de janeiro  -,  indicou que vai ser colocada no imóvel uma placa placa alusiva à doação do edifício, que se situa na rua Dr. Joaquim Jacinto, em pleno centro histórico da cidade.

A ganhar pó e teias de aranha, por enquanto.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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