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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Tomar | Campanha de Natal gera discórdia no executivo e PSD vota contra (c/áudio)

A campanha de Natal com descontos no comércio local tomarense entrou em vigor esta semana, tendo na reunião de executivo sido apresentado a ratificação o despacho que aprovou as normas da edição deste ano. Apesar de não existirem alterações significativas em relação à edição anterior, visto que 2020 foi o ano de estreia, o executivo PS notou que foram feitos pequenos ajustes operacionais e de logística, mas o PSD votou contra, criticando o facto de a decisão já ter sido tomada e vir a votação a ratificação do despacho da presidente de Câmara, Anabela Freitas. “Fizeram tudo à vossa forma, sem contributos e sem as empresas terem tempo para se inscreverem e sem as pessoas estarem devidamente informadas”, criticou Lurdes Ferromau (PSD), que levantou muitas dúvidas sobre as normas aprovadas.

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Na sessão camarária, realizada na segunda-feira, dia 15, a vereadora Filipa Fernandes (PS) abordou a nova edição da campanha de vouchers de incentivo a comprar no comércio local e tradicional de Tomar, iniciativa que decorre de 17 de novembro a 31 de dezembro, referindo que o retomar desta medida “representa uma fidelização e criar um hábito de as pessoas/tomarenses investirem e fazerem as suas compras em Tomar, no comércio local”.

A vereadora frisou que do feedback da primeira edição da campanha foi possível aferir que muitos dos tomarenses desconheciam muitas das lojas de Tomar e nunca tinham feito as suas compras de Natal no concelho, e que foi “uma grande iniciativa” porque ajudou o comércio local e deu a conhecer o que existe no concelho, dando a garantia que não é preciso sair para outros concelhos quando há imensa diversidade por terras nabantinas.

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Na segunda-feira já existiam mais de 70 lojas aderentes à iniciativa. Os vouchers estarão disponíveis para aquisição no posto de turismo entre as 10 e as 16h00, de segunda a domingo. Este ano foram feitas alterações em relação ao ano de estreia, passando cada cidadão a só poder levantar os seus vouchers e de mais três pessoas.

Diminuiu também o limite de vouchers por pessoa, neste momento podem pagar no máximo 50 euros e levar 100 euros em vouchers; esta diminuição para metade surge no sentido de dar possibilidade de mais tomarenses adquirirem os cartões de desconto.

Outra medida implementada será o limite de senhas por dia, que será de 100, para não dar falsa expectativa de as pessoas estarem em espera na fila e depois não poderem ser atendidas por encerramento do posto de turismo. Quando chegar à senha final, os restantes cidadãos serão informados de que terão que voltar no dia seguinte.

E se o executivo socialista entende que esta é uma aposta vencedora, já os vereadores da oposição não se mostraram favoráveis ao ponto da ordem de trabalhos.

Iluminações de Natal na Praça da República, em 2017, em frente aos Paços do Concelho. Foto: Luís Ribeiro

Lurdes Ferromau Fernandes (PSD) começou por notar que este seria mais um ponto que vinha para ratificação e não discussão e deliberação em reunião de Câmara. Disse que o relatório da edição do ano passado não foi apresentado e que os atuais vereadores social-democratas não tinham tido acesso ao mesmo. Situação que Filipa Fernandes (PS) contrapôs, uma vez que o relatório foi presente a reunião de Câmara no anterior mandato.

A vereadora do PSD levantou muitas questões quanto às normas e à implementação da campanha, nomeadamente sobre o facto de não ter sido considerada parceria com a ACITOFEBA – Associação Comercial e Industrial, crendo que seria uma forma de dinamizar a associação e incentivar o movimento associativo e promover parcerias, acusando o executivo socialista de não incentivar parcerias com as associações do setor.

O PSD entende que deveria ter o executivo em conta mecanismos de salvaguarda para distribuição de verbas que estão à guarda e para gestão de uma entidade pública. Também pôs em causa a adesão de empresas beneficiárias, referindo que mais de 95% são da cidade, e questionou o porquê de não se incentivar o comércio das freguesias.

Entre outras dúvidas, surgiram questões sobre a garantia de que as pessoas que adquirem os vouchers residem no concelho, sobre a validação de quem adquire os cartões e se são pessoas maiores de idade. Confrontou também a autarquia sobre se têm em conta as pessoas que trabalham e não têm horário, e as que trabalham fora do concelho e as que vivem nas freguesias.

Lurdes Fernandes (PSD) mencionou ainda que na documentação era sugerido pela chefe de Divisão a obtenção de parecer da área financeira sobre a verificação das normas e cabimentação, e que cabe ao executivo municipal a aprovação das normas após a verificação e validação. A vereadora Lurdes Fernandes afirmou não ter visto esta validação e que só consta o cabimento nos documentos.

Vereadores do PSD na Câmara Municipal de Tomar, eleitos para o mandato 2021-2025. Foto: PSD Tomar

Filipa Fernandes (PS), por seu turno, disse que “as normas estão bem explícitas” relativamente aos vouchers e não ver qual o problema.

A vereadora do PS com o pelouro da Cultura e Turismo esclareceu que o horário de aquisição dos vouchers “não poderia estar mais inclusivo, porque é das 10h às 16h ininterruptamente, estando o posto de turismo aberto à hora de almoço, e funciona de segunda a domingo”, acrescentando que está garantida a acessibilidade e prioridade de pessoas com mobilidade reduzida, incluindo grávidas.

Quanto às lojas serem na sua maioria na cidade, diz que tal não compete ao município definir, porque não é feita objeção a qualquer loja. “Todas as lojas são bem-vindas, seja da freguesia urbana ou das freguesias rurais”, sublinhou, notando que o ano passado algumas lojas das freguesias aderiram à campanha.

Quanto à parte financeira, disse que foi visto pelo Revisor de Contas do Município e foi aprovado, tendo sido alteradas algumas medidas em relação ao ano passado. “Mais transparência, acho que era impossível”, assumiu Filipa Fernandes (PS).

Outra situação colocada por Lurdes Fernandes (PSD) teve que ver com quem valida quem compra e de onde é residente o comprador. Filipa Fernandes (PS) afirmou que os vouchers estão disponíveis a todos os cidadãos, não só aos tomarenses e que o intuito é que o dinheiro fique no concelho.
 
“Economicamente o que interessa é que o nosso comércio local possa vir a ganhar, mesmo que venham pessoas de fora investir no nosso concelho, muito bem, que venham conhecer o concelho de Tomar e o que temos para oferecer a nível de lojas”, disse.
 

Já Tiago Carrão (PSD) perguntou sobre o limite diário de senhas no posto de turismo, medida que não consta das normas aprovadas, insistindo que “faria sentido estar constante essa regra, e de forma detalhada, referindo um limite diário, dando conhecimento às pessoas e não criando falsas expectativas”. O vereador propôs que seria de considerar pontos de venda dos vouchers nas freguesias, em parceria com as juntas de freguesia.

Mas Filipa Fernandes (PS) disse que não seria fácil “a gestão de controlo dos cartões de cidadão e da não duplicação dos números de contribuinte”, uma vez que todos os vouchers são validados pelo número de contribuinte, existindo um programa no posto de turismo que valida e certifica se aquela pessoa levantou ou não.

A campanha de descontos no comércio local, que acontece na sua segunda edição após o sucesso no Natal de 2020, não reuniu consenso entre PS e PSD. Foto: CMT

Quanto ao limite de senhas diário, a vereadora socialista assumiu que não consta essa medida das normas “tratando-se de sugestão das técnicas do Posto de turismo posteriormente às normas terem sido apresentadas e aprovadas”. Filipa Fernandes (PS) acrescenta que o limite será de 100 senhas por dia e é uma questão de organização interna das funcionárias.

Lurdes Fernandes (PSD) reforçou que a autarquia deveria manter uma ligação com as empresas, dentro e fora da cidade, seja em que assunto for.

ÁUDIO | Lurdes Fernandes, vereadora do PSD na CM Tomar:

“Veio à reunião de Câmara algo tão importante como esta medida de 100 mil euros para o comércio local, vem hoje para ratificação, num histórico que já existia do ano passado, onde a Senhora Vereadora afirma que o ROC validou estas normas, é algo que nos preocupa sobre a falta de planeamento que existe para questões desta natureza”, criticou

O PSD votou contra, reconhecendo que “nem precisava votar porque já vem aprovado” pela presidente da Câmara e vereadores do PS. “Fizeram tudo à vossa forma, sem contributos e sem as empresas terem tempo para se inscreverem e sem as pessoas estarem devidamente informadas”, apontou.

Também Luís Francisco (PSD) interveio, referindo que “este tipo de opções agrada aos comerciantes”, mas que a Câmara Municipal tem coisas que só ela pode fazer, e havendo conhecimento sobre necessidades e falta de meios, afirmou que “há critérios de alocação e distribuição de meios que não são os mais razoáveis”.

Entende que a prioridade e os valores e fundos existentes podiam ser imputados a outro tipo de atividades que estão carentes de serem resolvidas no dia a dia, e que têm impacto nos cidadãos, crendo que os 100 mil euros poderiam resolver outros problemas e necessidades mais prementes. O vereador do PSD disse que repetir a campanha “parece forçado para aquilo que é a missão do Município”.

Filipa Fernandes (PS) disse que a decisão veio para ratificação porque o programa já tinha sido divulgado antecipadamente, e daí já existirem 70 inscrições de lojas da cidade e das freguesias rurais, sinal que não passou ao lado dos lojistas e não foi mal divulgado. Por outro lado, afirmou que “não foi feito em cima do joelho por que é o segundo ano de aplicação da iniciativa”.

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora do PS na CM Tomar:

“Estamos cá para trabalhar, incentivar as pessoas e os nossos comerciantes e é isso que interessa a este executivo, que comprem no comércio local, comprem em Tomar e deixem o dinheiro na nossa economia”, concluiu.

A ratificação do despacho que aprovou as normas da campanha “Tomar Natal é no Comércio Local” foi aprovada por maioria socialista com três votos contra dos vereadores do PSD.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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