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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Tomar | Caminhar e sentir “Iria” na Mata Nacional dos Sete Montes (c/vídeo)

Os lugares são como as pessoas. Têm dados oficiais que os diferenciam, mas a essência que os torna únicos vai muito além disso. Aos dados confirmados dos documentos juntam-se as histórias que se recordam sem certezas pois a máquina fotográfica foram os olhos e o gravador de áudio os ouvidos. É o todo que nos torna humanos e é assim que surgem as lendas, como a de Santa Iria, pela qual nos deixámos envolver na Mata dos Sete Montes. Fomos conhecer o percurso artístico com o nome da Santa criado por Tiago Correia para os Caminhos da Pedra – e que ficará pelo local depois da iniciativa terminar.

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Numa altura em que a ânsia de registos visuais e escritos prevalece, são as lendas que alimentam o imaginário popular e não nos deixam perder a capacidade de sonhar com os olhos abertos. A identidade de um povo, tal como a de uma pessoa, faz-se de factos confirmados e dessas histórias sem registos oficiais que permitem construir outras histórias sem lhes roubar a essência. Em Tomar, uma delas é a de Santa Iria, que surge no percurso artístico criado por Tiago Correia associada à condição feminina.

A jovem monja que acabou assassinada por escolher o amor divino em detrimento dos amores terrenos inspirou o audiowalk (percurso sonoro) “Iria” que marcou o arranque dos Caminhos da Pedra na passada sexta-feira, dia 12, e os metros iniciais foram percorridos na Mata Nacional dos Sete Montes de phones nos ouvidos e mapa na mão. Com os primeiros caminhantes esteve o artista nascido em Tomar, assim como a rapariga que, tal como ele, regressou à terra natal e a misteriosa mulher que a aborda entre a paisagem verdejante.

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Tiago Correia e o grupo durante o percurso “Iria”. Foto: mediotejo.net

Ambas acompanharam o grupo pelos caminhos, em que o outono também tem as suas marcas, com o passo cadenciado pela faixa áudio de 48 minutos que passava no leitor de mp3 recebido no Posto de Turismo, mas que também pode ser descarregada gratuitamente online para o telemóvel. O primeiro segundo começou logo na entrada e os outros foram marcando a passagem ou paragem pela Gruta do Sangue, a Torre da Condessa, o Lagar, a Alameda dos Freixos e a Charolinha.

Percorrer “Iria” é sentir a lenda, dada a conhecer num formato menos convencional. Não se carrega o peso do tempo nos passos e a caminhada flui, como o diálogo entre as duas personagens que nos vai envolvendo até ao último momento, muitas vezes esquecendo que há mais gente por perto. Connosco apenas seguem as vozes de Ângela Marques e Isabel Carvalho, os sons das alunas de sopros da Associação Canto Firme e a música original de André Júlio Teixeira, com produção sonora de Ana Pedro.

A experiência sonora produzida pela companhia “A Turma”, co-fundada em 2008 por Tiago Correia, torna-se individual. Os anseios delas passam a ser os nossos e Iria revela o seu lado humano, o de mulher que morreu por se manter fiel a Deus, é certo, mas sobretudo a si própria. Não se trata de uma viagem histórica ou religiosa. É, sim, uma viagem interior inspirada no passado para fazer refletir sobre o presente.

O percurso termina junto da Charolinha. Foto: mediotejo.net

O percurso artístico do ator e encenador de teatro, que também tem ligações ao cinema, música, televisão e formação, é o terceiro criado para o projeto Caminhos e, a partir de agora, fica disponível para ser percorrido sempre que apetecer. Os anteriores foram apresentados nos Caminhos da Água e levaram os caminhantes a explorar o misticismo de Dornes (Ferreira do Zêzere) com “AudioWalk”, em 2017, e as particularidades de Minde (Alcanena) com “A Selva”, em 2018.

No primeiro fim-de-semana dos Caminhos da Pedra partilhou o programa com o percurso “Pedra a Pedra”, criado por Ana Bento no Sardoal. Outros chegam no segundo, entre 18 e 21 de outubro. Pode andar “De Mapa na Mão” por Ourém no percurso da BURILAR (ponto de encontro na Casa do Administrador às 14h00 de dia 18, às 10h00 de dia 19 e às 11h00 de 20 e 21) e descobrir em Torres Novas porque “Andão mortos por sima dos vivos” no percurso de Francisco Goulão (ponto de encontro na zona ribeirinha às 10h30 e 17h30 de sábado e domingo).

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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