Tomar | Bons Sons revelou o cartaz de 2017

As ruas da aldeia de Cem Soldos, em Tomar, voltam a ter “toponímia festivaleira” entre os dias 11 e 14 de agosto com o regresso do Bons Sons e da enchente de artistas e público que transforma a pequena localidade num imenso palco. O programa da edição de 2017 foi apresentado esta terça-feira, dia 21, e o festival organizado pelo Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS) vão passar nomes emergentes e firmados no panorama musical português.

Manuel Fúria e os Náufragos, Capitão Fausto, Virgem Suta, Mão Morta, Né Ladeiras, Samuel Núria, Orelha Negra, Frankie Chavez ou Rodrigo Leão são apenas alguns dos 44 nomes revelados por Luís Ferreira, diretor do festival, na apresentação aos meios de comunicação social que também permitiu (re)visitar os recantos da aldeia. Rita Morgado, responsável pela comunicação do festival, começou a visita guiada no Largo do Rossio que em agosto passa a ser conhecido pelo largo do Palco Lopes-Graça.

Por aqui vão passar o adufe e o cavaquinho dos Virgem Suta e a música eletrónica dos Holy Nothing no dia 11. No dia 12 é a vez da dupla Medeiros/Lucas com uma sonoridade que puxa a reflexão sobre a essência do ser humano e Né Ladeiras, figura icónica que se afirma em nome pessoal depois dos tempos da Brigada Victor Jara. No domingo, 13, surge o fado de Paulo Bragança e a semana começa começa com Rodrigo Leão e Frankie Chavez, cujas carreiras dispensam apresentações.

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Rita Morgado fez a visita guiada aos meios de comunicação social. Fotos: mediotejo.net

O mesmo largo passa a designar-se Palco Aguardela ao final da noite com os sons dos Djs Groove Salvation e Thunder&Co. a 11, o projeto Ballroom a 12, Txiga e a dupla Celeste/Mariposa a 13 e Rodrigo Afreixo a 14. A visita continuou até à antiga eira, que dá nome ao palco destinado à nova musica portuguesa e onde os visitantes foram recebidos pela guitarra de Valter Lobo que volta a atuar em Cem Soldos no mês de agosto.

Por aqui irão passar as influências indie dos anos 80 trazidas pelos Glockenwise e o rock e pop dos Capitão Fausto a 11, a multiculturalidade do kuduro e do rock dos Throes + The Shine a 12, a unicidade de Samuel Úria e o ritmo próprio dos Orelha Negra a 13, ficando para o último dia o rock’n’roll dos The Poppers e a fusão da música lusófona e eletrónica dos Octa Push.

A Rua de S. Sebastião recebe artesanato e o Largo de S. Pedro o Palco Giacometti. Fotos: mediotejo.net

A paragem seguinte foi na Igreja de S. Sebastião, que reafirma a parceria de programação com o canal-arquivo de vídeo Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP), estabelecida em 2012. A intimidade do templo religioso transforma-se no Palco MPAGDP no dia 11 com a música tradicional portuguesa, clássica e folk dos Band’Olim e os temas de Fausto e Zeca Afonso, a par de originais, dos Singulalugar.

A fé continua a ser partilhada no dia seguinte com os cantautores Lucía Vives e João Raposo e o saxofone de Filipe Valentim, dando lugar, a 13, à performance audiovisual que destaca traços de identidades locais da dupla Sampladélicos, formada por Sílvio Rosado e Tiago Pereira, e aos Moços da Vila, que são literalmente moços que trazem o cante alentejano a Cem Soldos. No último dia, os moços dão lugar às Moçoilas, três mulheres que chegam para divulgar e afirmar o canto algarvio, e o trio Sanct’Irene Ensemble, que tem a mesma missão associada à região de Santarém.

Valter Lobo e Surma mostraram um pouco do que trazem em meados de agosto. Fotos: mediotejo.net

O adro da igreja passa a ter crentes na música portuguesa com os espetáculos no Palco Tarde ao Sol. Nas escadarias não se olha para o céu e os concertos trazem à terra a música tradicional portuguesa de Manuel Fúria e os Náufragos a 11, a música acústica, o folk e canção de autor influenciadas pelo jazz, o rock, o pop e a bossa nova dos Les Saint Armand a 12, os dispositivos musicais da “Phobos, Orquestra Robótica Disfuncional” trazida por Sonoscopia a 13 e o jazz do trio LST a 14.

O santo padroeiro também dá nome à rua onde regressa a zona de novo artesanato e marroquinarias. É nesta rua, conhecida pelos habitantes como a “Rua das Senhoras”, que também se encontra o antigo armazém, transformado em meados de agosto no espaço dedicado à programação familiar que reforça a parceria com a Canto Firme de Tomar – Associação de Cultura, centrada nas sessões de música para crianças. Antes de chegarmos ao local passamos pelo portão de garagem que se abre durante meia-hora para cada grupo que pretenda apresentar os seus projetos musicais ao público do Bons Sons.

A paz da aldeia que é “invadida” anualmente por milhares de festivaleiros. Fotos: mediotejo.net

O Palco Garagem tem recebido dezenas de bandas emergentes nas últimas edições, entre elas os LODO, que no ano passado passaram para o palco Eira. A Rua de S. Sebastião desemboca no Largo de São Pedro, cuja toponímia festivaleira rebatiza de Palco Giacometti, que privilegia a intimidade entre os músicos e os visitantes. A primeira ligação será estabelecida por Surma (Débora Umbelino), a one-woman-band que fez as honras com uma atuação ao vivo esta terça-feira, e pelos Whales, banda revelação marcada pelos sons do rock e da eletrónica. Ambos chegam de Leiria no dia 11.

No dia 12 é a vez das origens alentejanas e algarvias de Filipe Sambado subirem ao palco, a par do universo feminino presente nos temas de Señoritas e o mundo próprio dos Mão Morta no concerto de celebração dos 25 anos da edição do álbum Mutantes S21. O dia 13 inclui uma viagem com Captain Boy levando a guitarra a tiracolo, que dá lugar ao folk e música eletrónica de Joana Barra Vaz. As duas guitarras de dia 14 tocam em horários diferentes e pertencem a Marco Luz e a Valter Lobo.

A apresentação na antiga Casa do Povo, atual auditório, incluiu Mouchão e bolinhos dos Santos. Fotos: mediotejo.net

A visita guiada terminou na antiga Casa do Povo, recentemente transformada no auditório onde o cartaz do Bons Sons de 2017 foi apresentado, depois de um copo de mouchão e de uma fatia de bolinhos dos Santos. A programação do espaço resulta de uma nova parceria com a associação Materiais Diversos, que traz as duplas de performers Ana Jezabel e António Torres e Lander & Jonas, a 11 e 12, e a bailarina e coreógrafa Carlota Lagido, a 13.

Terminada a visita guiada pela aldeia-palco – em que o vereador da Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão anunciou a remodelação do Largo do Rossio – resta aguardar pela revelação do 45º nome, que fecha o programa, e a apresentação das atividades paralelas. O conjunto contribuiu para a recente conquista dos prémios de Melhor Alinhamento e Melhor Receção e Acolhimento na segunda edição dos Iberian Festival Awards, recebidos no passado dia 16 de março em Barcelona.

Luís Ferreira e Hugo Cristóvão. Fotos: mediotejo.net

Um reconhecimento a nível ibérico que o diretor do Bons Sons revelou ao mediotejo.net ter sido “muito surpreendente”, sobretudo o prémio ligado ao alinhamento num festival que se centra na música portuguesa. A distinção ao acolhimento era, nas suas palavras, “mais expectável” devido à “receção e o ambiente que o festival proporciona”. Receção essa que em 2017 começa no dia 10 de agosto aos campistas com as sonoridades dos bares de Lisboa, trazidas por Inês Lamim.

O regresso à música, a essência que esteve na génese do festival mais focado na aldeia nos últimos anos, foi referida por Luís Ferreira durante a apresentação. Aposta justificada ao mediotejo.net com a importância de “vincar essa lógica”, destacando o receio de que “as pessoas confundam o festival com outro tipo de proposta de vivência que acontece no território. É válida, mas não é o nosso papel”. O objetivo, destaca, é “criar uma boa experiência para as pessoas, que comuniquem e que vivam a aldeia, mas sempre com uma unidade, que é a música e o respeito por ela e pelos artistas”.

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Sónia Leitão
Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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