Quinta-feira, Fevereiro 25, 2021
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Tomar assume presidência da Federação Europeia da Rota dos Templários

O dia 13 de janeiro marcou os 892 anos do nascimento oficial da Ordem do Templo (em Troyes, França, durante o Concílio da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e da sua Regra), mas a simbologia desta efeméride abarcou ainda a cerimónia de passagem de testemunho da presidência da Federação Europeia da Rota dos Templários (em inglês, Templars Route European Federation – TREF) de Troyes (França) para solo português, e é agora assumida pela cidade de Tomar e pela sua autarca Anabela Freitas. O mandato da presidência portuguesa da TREF pelo Município de Tomar durará até 2023.

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Em conferência de imprensa restrita, devido à atual conjuntura e no dia em que foram apresentadas medidas sobre o novo confinamento, foi lançado um vídeo de apresentação da presidência portuguesa da TREF, a marcar a assunção formal da mesma.

Foi numa Assembleia Geral de julho de 2020, por videoconferência, que foi deliberado que durante o triénio 2021-2023 a presidência da TREF passaria para Tomar, um dos membros fundadores a par de Troyes (França), Perugia (Itália) e Ponferrada (Espanha).

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Anabela Freitas deu conta de estar já em processo de alargamento a rede, nomeadamente com a Temple Church em Londres, e ainda Chipre e Grécia.

“Já tinha sido feita, no passado, uma candidatura ao Conselho da Europa para criação do itinerário cultural europeu da Rota Templária, candidatura apresentada por parte de França, que na altura estava na presidência da TREF e lideraram esse dossier. Essa candidatura não vingou, foi feita agora uma segunda candidatura por parte de França, e temos já, dia 28 de janeiro, uma reunião com a conselheira que está a analisar a candidatura”, enunciou.

A TREF pretende ir “além do itinerário cultural”, tendo um conjunto de associados nos vários países. Nos corpos dirigentes, conta com um conselho de administração, uma Assembleia Geral, e um Comité Científico Internacional, sendo que cada país tem um Comité Científico nacional.

ÁUDIO: A autarca tomarense explicou os objetivos da TREF

“É importante que, ao criarmos este itinerário, ao marcarmos os vestígios em menor ou maior estado de conservação que temos nos nossos territórios, que estejam perfeitamente assentes sobre bases científicas e académicas”, justificou Anabela Freitas.

O Comité Científico português será presidido por Ernesto Jana, que o coordena, Carlos Veloso (Instituto Politécnico de Tomar), Hermenegildo Fernandes (Universidade Clássica de Lisboa), Joaquim Nunes (Associação Templ’Anima), Maria João Branco (Universidade Nova de Lisboa) e Miguel Martins (Câmara Municipal de Lisboa e Universidade Nova).

Na mesa de oradores (dir. para esq.): Ernesto Jana, coordenador do Comité Científico português da TREF, Anabela Freitas, autarca tomarense à frente da presidência da TREF, bem como a vereadora Filipa Fernandes, que também integra o Conselho de Administração da rede. Foto: mediotejo.net

Também presente na sessão, Ernesto Jana referiu que no seu entender deve existir “multiplicidade de instituições para que haja maior transparência nos processos e aproveitar melhor o saber de um conjunto de pessoas e dos estudos e áreas que estão a defender”, passando a apresentar cada um dos membros do comité por si coordenado. “Com base no perfil curricular destas personalidades, achei que deviam ser elas a integrar o comité científico”, disse.

ÁUDIO: Ernesto Jana, coordenador do Comité Científico português da TREF

O coordenador referiu que foi desenvolvida uma escala de quatro categorias, “com sítios bem conservados, caso de Tomar, Dornes ou Almourol, seguida de uma segunda categoria com vestígios documentados mas fracos, e uma terceira com vestígios datados dos templários e da Ordem de Cristo. Por fim, a quarta categoria assenta nos locais que não têm documentos, não têm vestígios, mas há uma toponímia alusiva”.

Esta escala de categorização vai servir a sinalização específica e a comunicação com o visitante, que poderá consultar informação preparada para dinamizar estes conteúdos da História, património e cultura dos vários locais onde se inserem.

“Interessa que se comece a ligar Tomar, enquanto sede da Ordem Templária, a um vasto conjunto de possessões, documentos, sítios e igrejas, e interessa ir mostrando cada vez mais. Todos ficamos certamente a ganhar no aspeto económico, turístico, cultural, que é isso que interessa. Mais do que a guerra entre cristãos e muçulmanos, interessa que uma Ordem outrora militar seja agora o foco que potencie a ligação entre povos, entre culturas”, mencionou Ernesto Jana.

Créditos: TREF

Neste âmbito, indo ao encontro dos objetivos da presidência portuguesa, que passam por consolidar a TREF; desenvolver, em caso de aprovação pelo Conselho da Europa, o Itinerário Cultural do Património Templário; alargar a TREF mediante uma política geral da parceria associada a políticas nacionais; e constituir uma Rota do Património Templário Português, foi desenvolvida pelo Gabinete de Comunicação do Município de Tomar uma sinalética com intuito de “reforçar a comunicação com o grande público”, sinalética que vai ser adotada por todas as cidades da TREF.

A sinalética, que apresenta o património templário classificado nas quatro categorias propostas pelo Comité Científico português, inclui acesso a informação online através de leitura de QR Code. 

A TREF pretende “ancorar-se no trabalho científico e académico, ao invés do que é frequente em muitas das alusões aos cavaleiros do Templo”, e por isso mesmo a presidência, cujo conselho de administração é composto por Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, Filipa Fernandes, vereadora com o Pelouro do Turismo e Cultura, e Joaquim Nunes, da Templ’Anima.

Anabela Freitas fez ainda agradecimento público ao docente Carlos Trincão, denominado assessor pro bono da TREF após deliberação de executivo camarário, que tem desenvolvido trabalho “importante” sobre a matéria dos templários e a ligação a Tomar, tendo inclusive bibliografia publicada sobre esta temática, dirigida ao público jovem e aos alunos das escolas tomarenses.

Foto: mediotejo.net

A TREF pretende assim, trabalhar para “valorizar internacionalmente esse importante recurso que é o legado templário, marca de Tomar mas ainda pouco rentabilizada no seu imenso potencial”, incluindo-se aqui diversos planos de dinamização de iniciativas e atividades, onde se inclui o “plano turístico (com a criação de rotas e formação de operadores), económico (através do encontro de vontades entre produtores económicos a nível internacional), institucional (dando-a a conhecer aos poderes públicos nacionais e internacionais), científico (através de publicações e conferências) e educativo (criando parcerias entre escolas e estudantes, independentemente de o objeto de trabalho ser ou não diretamente relacionado com a Ordem do Templo, desde que pertencentes a cidades da TREF)”, destaca a autarquia.

ÁUDIO: Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, sobre a construção do plano de atividades da TREF para o próximo triénio

“Foi proposto um plano de atividades com três níveis, que posteriormente será aprovado em Assembleia Geral da TREF e apresentado em todos os países. Da parte de Tomar, vamos ter um espaço físico dedicado à TREF, na Praça da República, e que contamos – assim o covid-19 o permita – fazer a inauguração desse espaço público no dia 1 de março, dia de Tomar”. No mesmo dia, está previsto que seja implantada, simbolicamente, a primeira sinalética na igreja de Santa Maria dos Olivais, panteão dos mestres da Ordem do Templo.

Anabela Freitas entende que esta presidência da TREF representa “um marco importante para Tomar”, referindo que durante décadas, apesar de se falar da importância da marca templária no concelho, “nunca se fez nada”.

“Temos obrigação enquanto tomarenses de agarrar esta oportunidade com as duas mãos para, efetivamente, projetarmos aquilo que é o nosso concelho e o nosso território além-fronteiras. Acho que temos de ser ambiciosos e audazes, projetando além-fronteiras”, disse a edil, salientando que além do trabalho em solo português, é necessário fomentar relações e ligações no estrangeiro, projetando o nome do concelho a vários níveis.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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