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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021
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Tomar | Arquiteto detém em casa a maior coleção de budas do país (C/VIDEO)

Desde há 40 anos que Mário Pedro se dedica a colecionar Budas de todos os tamanhos, formas e materiais. Juntou milhares de peças distribuídas pelas suas casas em Tomar e em Lisboa naquela que será a maior coleção do género do país. Com o seu valioso espólio quer criar um museu e dedicá-lo à memória do seu único filho que morreu com 19 anos. 

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É arquiteto de profissão, mas tem nos budas a sua paixão e o seu hobby. Tudo começou há 40 anos, quando uma amiga lhe ofereceu um pequeno Buda em marfim naquele que seria o primeiro de uma coleção que já vai em alguns milhares de exemplares.

Aos 66 anos, é com orgulho que Mário Antunes Pedro, de Tomar, mostra a sua infindável coleção de budas, espalhadas pela sua casa numa freguesia rural de Tomar e em dois apartamentos em Lisboa.

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Na realidade, Mário Pedro, apesar de se assumir como tomarense, nasceu em Martinchel, no concelho de Abrantes. Tinha um ano de idade quando veio viver para Tomar com os seus pais.

Aqui cresceu, estudou (instrução primária e curso comercial) e começou a trabalhar como professor de trabalhos manuais, atividade que iniciou em 1975, ficando efetivo em 1984.

Do seu currículo constam quatro cursos: pintura, design de equipamento, arquitetura e psicologia. Aliás, para concluir este último curso pediu uma licença sabática, numa formação que lhe permitiu exercer atividade como orientador escolar durante vários anos na escola secundária da Ramada e na Póvoa de Santo Adrião, ambas em Odivelas.

Depois disso, voltou a lecionar educação visual e a coordenar o departamento na escola Vasco Santa Santana, em Lisboa, perto do local onde reside e tem o seu gabinete de arquitetura.

Foi professor de projeto na Fundação Ricardo Espírito Santo e ainda iniciou um quinto curso, de escultura, mas não chegou a concluir porque concluiu que “precisava era de ganhar dinheiro”.

No seu gabinete de arquitetura chegaram a trabalhar oito profissionais. Hoje, já reformado, Mário Pedro ainda vai fazendo alguns projetos, mas trabalha sozinho. Em Tomar, a ele se devem os projetos da sede da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais e do infantário da mesma coletividade, na Choromela, projetos que fez graciosamente, sendo por isso agraciado com o estatuto de sócio honorário. Também fez o projeto para o Centro cultural do Coito, em Tomar, que não foi levado a cabo pela coletividade.

Mário Pedro junto a um dos milhares de exemplares que possui. Foto: mediotejo.net

Voltando à paixão que o tema central desta peça, Mário Pedro conta-nos que foi em 1980 que uma colega da escola Eugénio dos Santos, onde fez estágio, lhe ofereceu um Buda em marfim, que cabe na palma da mão. Na altura, numa mensagem premonitória, a amiga disse-lhe que aquele seria o primeiro Buda da sua coleção.

“Não liguei muito ao princípio, mas depois foi uma adição, tipo droga”, confessa o nosso interlocutor.

E assim começou a sua coleção de budas e outros objetos ligados à religião budista. Começou a comprar peças nas lojas especializadas, mas também visitava feiras de velharias, viajou até países onde o budismo é a principal religião e foi aumentando o número de objetos.

A morte inesperada do filho

Há oito anos aconteceu algo que veio marcar a sua vida de forma trágica: a morte do seu único filho. João Pedro tinha 19 anos quando “partiu para o eterno além” subitamente devido a problemas cardíacos desconhecidos até então.

Em sua homenagem construiu um memorial na moradia de Tomar e fez “uma coisa que pouca gente compreende”. Foi colocar uma fotografia do seu filho no local onde nasceu Sidarta Gautama, o Buda, em Lumbini, na região Oeste do Nepal, um dos principais lugares sagrados do Budismo.

O memorial é uma estrutura no jardim da moradia, com pedras, plantas, um lago, um portal e uma série de figuras budistas, tudo com um significado próprio. Desde logo a orientação nascente – poente, em que o portal significa o tempo da vida.

Para se chegar ao “altar” do memorial, passamos por 19 lajes redondas em pedra no chão, uma por cada ano de vida de João Pedro. Nas laterais, as plantas (agapantos) florescem desde finais da Primavera até ao Verão formando um túnel.

Mário Pedro confessa que uma das coisas que mais lhe doi foi terem-lhe furtado algumas peças do memorial dedicado ao filho. Sobretudo uma peça em pedra representando o cão de Foo, defensor dos templos e dos espíritos.

A sua moradia já foi assaltada várias vezes e têm levado algumas peças da sua coleção de budas. Reforçou a segurança, fez queixa à GNR e iniciou uma investigação por conta própria. Graças a esse esforço, conseguiu recuperar quatro peças que estavam num antiquário em Vila Nova da Barquinha. Mas faltam mais…

A peça maior tem 2,5 m de altura. Foto: mediotejo.net

As mil e uma representações de Buda

Um homem gordo, sentado com as pernas cruzadas, é, para nós, a imagem mais comum de Buda. No entanto, Mário Pedro, como estudioso do budismo, chama a atenção para as várias versões, interpretações e representações dessa figura. Se na China, no Japão e na Europa é aquela a imagem mais comum, o mesmo não se pode dizer na India ou no Nepal, por exemplo, em que Buda é uma figura totalmente distinta, alta e magra.

“No Oriente, cada país por onde a filosofia de Buda se espalhou, teve a sua interpretação da figura”, explica o arquiteto colecionador que já visitou vários países do Oriente. Em cada uma dessas deslocações procura sempre visitar templos budistas ao mesmo tempo que vai aprofundando o estudo do budismo e comprando peças.

O seu objetivo nos próximos anos é visitar 10 países que não conhece como por exemplo, Laos, Vietnam, Camboja, Sri Lança, Taiwan e Myanmar.

Não se afirmando budista, mas sem negar alguma devoção, Mário Pedro sente uma curiosidade insaciável em relação a esta religião e às suas representações.

Nas várias casas que tem em Tomar e em Lisboa já é pouco o espaço que sobra para colocar os objetos da sua infindável coleção. E quando lhe perguntamos o valor da mesma, hesita, porque ao valor monetário sobrepõe-se o valor sentimental. Há quem avalie o espólio em mais de um milhão e meio de euros.

O colecionador revela que chegou a comprar budas em prestações. A peça mais cara, avaliada em cerca de 60 mil euros, é um Buda esculpido num material raro que prefere não especificar. A peça maior é um quadro com 2,5m de altura.

É a diversidade de materiais em que são esculpidos os budas, que torna esta coleção única no país e talvez na Europa. Mário Pedro tem como termo de comparação a coleção de Joe Berardo no parque Buddha Eden, mas sublinha que neste caso as peças são todas feitas apenas em dois ou três materiais diferentes e da mesma época.

Já teve várias propostas para lhe comprarem a coleção, mas a ideia de Mário Pedro é criar uma fundação e um museu para que o espólio não seja esbanjado. “Queria que isto não morresse, que fosse perpetuado também em memória do meu filho”, confessa.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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