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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

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Tomar | Ao fim de 148 anos Club Thomarense chega ao fim

A mais antiga coletividade de Tomar fechou as portas. O aumento da renda mensal ditou o fim do Club Thomarense que funcionava no 1° andar do café Paraíso, na Corredoura.

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“Isto é o fim de uma vida”, desabafa Alda Faria, a última presidente da centenária coletividade, com quem fizemos uma visita final às instalações do clube antes da entrega da chave ao senhorio.

Fundado a 23 de janeiro de 1869, o Club Thomarense manteve-se em atividade até há poucos meses sob a liderança de Alda Faria. Apesar de ter uma atividade reduzida nos últimos tempos, o espaço chegou a ser utilizado para aulas de dança, exposições e ateliers de artes plásticas, apresentações de livros, concertos, Universidade Sénior, entre outras atividades.

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Em tempos áureos era o clube dos bailes, dos jogos de mesa e das tertúlias de uma certa elite de Tomar.

Interior do Club Thomarense. Foto: DR

Ninguém fica indiferente à imponência dos seus salões com um pé direito de cinco metros, decorados ao gosto do início do séc. XX. Os tetos, os espelhos e vidros, os candeeiros e candelabros, as portas trabalhadas e outros pormenores dão ao espaço um ar “vintage”. Ainda incerto é o destino da documentação ali existente, importante espólio uma vez que o clube faz parte da história de Tomar.

Segundo informação da última presidente, parte do mobiliário (mesas, cadeiras e cadeirões) foi doado à Sociedade Nabantina e alguns objetos foram guardados em casa de Alda Faria.

Até outubro de 2016, a última presidente pagava 98 euros de renda do clube, depositados mensalmente na conta do senhorio, Carlos António Vieira, Lda. Mas nesse mês o valor a pagar, sem qualquer aviso prévio, aumentou para 250 euros, conforme lamenta Alda Faria. A juntar a essa despesa havia a conta de eletricidade. Uma das últimas faturas foi de 87 euros.

Sem sócios e sem fontes de financiamento, Alda Faria deixou de pagar a renda e foi obrigada a entregar a chave ao senhorio. Isto depois de uma tentativa de ação de despejo em 2014 por parte do senhorio, mas cujo processo foi ganho pela coletividade.

Alda Faria: “Tenho muita pena mas não posso fazer mais”

Há cerca de 20 anos, numa assembleia geral, os sócios estavam para decidir extinguir o clube quando Alda Faria se propôs tomar conta dos destinos da coletividade. Conseguiu manter as portas abertas até agora.

Com graves problemas de visão, Alda Faria, 86 anos, lamenta o fim do Club Thomarense. “Tenho muita pena, é mais uma coisa a fechar em Tomar e a fechar pela minha mão. Mas pela minha idade não posso fazer mais e não vejo ninguém com vontade de aqui gastar dinheiro”, desabafa com tristeza.

Aos 90 anos, o arquiteto Costa Rosa, antigo sócio, recorda os “bailes, ceias e convívios extraordinários” que havia no Club Thomarense. Lembra-se da receção de algumas “embaixadas” como o Orfeon de Coimbra, dos jogos de azar, do “ambiente notável e muito interessante” frequentado por “uma certa burguesia de Tomar” porque “nem toda a gente entrava para o Club” e da valiosa biblioteca que o Club chegou a ter.

Como arquiteto destaca a construção do edifício por Manuel Mendes Godinho há cerca de um século e as ideias de decoração feitas pela pintora Maria de Lourdes de Mello e Castro para a sala de baile.

Para Costa Rosa o encerramento do Club Thomarense “é um triste fim, é o fim de mais um clube de grande valia em Tomar”. Defende que o edifício, com todos os seus pormenores arquitetónicos, devia ser preservado.

Mais do que o fim de uma coletividade, o encerramento do Club Thomarense marca o fim de um capítulo da história de Tomar.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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