Tomar | António Perez Metelo divulga campanha solidária para “helpar” Moçambique

O jornalista António Perez Metelo, que preside a Associação helpo, uma Organização Não Governamental (ONG) deslocou-se a Tomar na manhã desta terça-feira, 29 de agosto para divulgar uma campanha que vai decorrer entre 2 e 11 de setembro em todas as lojas Pingo Doce no território nacional.

Ao todo, serão 414 lojas a aderir a esta campanha solidária sendo que podem ser adquiridos nas caixas deste hipermercado vales de 1, 3 ou 5 euros que revertem a favor da associação helpo. Os fundos angariados com esta campanha serão aplicados em projetos que visam a escolarização de crianças que vivem nas províncias rurais de Moçambique e que podem passar desde a simples compra de cadernos, a oferta de um lanche escolar ou até à construção de uma sala de aulas.

António Perez Metelo esteve em Tomar para divulgar campanha de solidariedade da helpo, uma organização não governamental Foto: mediotejo.net

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António Perez Metelo esteve na Biblioteca da Escola Secundária Jácome Ratton, que integra o Agrupamento dos Templários, a explicar porque motivo está a dar a cara por esta causa, presidindo à associação desde 2013. O encontro começou com o diretor do Agrupamento Templários, Paulo Macedo, a agradecer a presença do jornalista, sublinhando que o fomento do voluntariado é um dos elementos que integram o projeto educativo do agrupamento, sendo que o mesmo vai colaborar com esta iniciativa, dentro das suas probabilidades. António Godinho, professor bibliotecário, contextualizou a ação, recordando que Peres Metelo foi um dos participantes do “Bibliotecando”, tendo este agora lançado o desafio ao agrupamento de participar nesta campanha em particular. O contributo do agrupamento passa por colocar voluntários, nos dias da campanha, à porta do hipermercado a explicar os objetivos da mesma.

António Godinho, professor bibliotecário, António Perez Metelo e Paulo Macedo, diretor do Agrupamento Templários durante o encontro que serviu para apresentar a campanha Foto: mediotejo.net

O jornalista referiu que a partir de sábado, 2 de setembro, e durante 10 dias, 414 lojas em todo o país do Pingo Doce vão promover a venda sugestiva de vales de 1 euros, 3 euros ou 5 euros a favor da helpo, sendo a primeira vez que a associação beneficia deste apoio. “É a maior operação de marketing, de norte a sul do país, que a nossa associação vai conhecer uma vez que milhões de pessoas irão saber o que significa a palavra helpo, em língua esperanto, e como a raiz da palavra em inglês indica significa ajuda”, disse, apelando a que as pessoas durante estes dez dias adquiram os vales, num gesto solidário a favor dos meninos mais pobres do norte de Moçambique.

A helpo, indicou, está há nove anos a trabalhar em 29 comunidades rurais das províncias de Nampula e Cabo Delgado. “Estes meninos vivem nos mínimos. De alimentação, de vestuário e também de condições de estudar. O último censo em Moçambique apontam para 27 milhões de moçambicanos. Quando Portugal se retirou, em 1975, havia 9 milhões de habitantes. Em 42 anos triplicou a população”, apontou.

Revista trimestral da helpo que tem o seu site em www.helpo.pt e ainda informação na página do facebook Foto: mediotejo.net

De acordo com o mesmo, mais de 40% da população tem até 14 anos o que quer dizer que em idade escolar obrigatória – que são sete anos – há sete milhões e meio de crianças dos quais mais de um milhão não têm salas de aula. Perez Metelo refere que, sendo economista de formação, fez as contas facilmente para obter uma elevada taxa de rentabilidade: cada sala de aulas serve 60 meninos e meninas, sendo que há três turmas por dia, sendo que cada sala de aula (um investimento de 10 mil euros) beneficia entre 120 a 180 crianças. “É a primeira necessidade ingente em Moçambique: construir salas de aula”, atesta, recordando que muitas crianças dos meios rurais nem sequer um caderno ou um lápis possuem. “Um kit de material escolar, que custa 3 euros, já muda as condições de aprendizagem destes meninos”, sublinha.

Jovens voluntários assistiram à apresentação da helpo na manhã desta terça-feira, 29 de agosto Foto: mediotejo.net

Ser padrinho ou madrinha de uma criança moçambicana

Para além de poderem ajudar através desta campanha, pode ainda ajudar tornando-se padrinho ou madrinha de uma criança de Moçambique. A modalidade de apadrinhamento “Futuro Maior” permite que com 30 euros anuais as crianças possam vir a prosseguir os estudos para o secundário. Neste momento, estão a ser apoiados nesta modalidade 765 crianças, espalhadas por 23 escolas secundárias.  “Somos uma rede de padrinhos e madrinhas à distância sendo que, de seis em seis meses, o animador da escola faz uma carta com os progressos e o comportamento do nosso afilhado. A maior alegria é nessa carta, quando começam a saber escrever, mesmo que com caligrafia feia e cheia de erros… querido padrinho, obrigado pela ajuda”, disse, emocionado. Atualmente, existem 3500 padrinhos na helpo mas já foram 5000, ressalva.

Perez Metelo apela à solidariedade dos portugueses a esta causa, sendo que mesmo um euro já representa uma ajuda importante para as crianças de Moçambique Foto: mediotejo.net

“Se há um milhão de crianças sem salas de aula, Moçambique necessita de construir dezenas de milhar de salas de aulas, sustenta, referindo que a helpo já conseguiu, nos primeiros anos, construir 54 salas em alvenaria e outras 45 em materiais tradicionais. Perez Metelo refere que, neste esquema de apadrinhamento, contribuem todos os meses para que as crianças possam prosseguir os seus estudos, sendo que há padrinhos que todos os anos veem com os próprios olhos a dureza do que é aquela vida. “Estas crianças, que andam duas horas para chegar à escola, sabem que a única fuga à miséria que têm passa por aprenderem uma profissão qualificada que lhes permite, em meio urbano, ter uma remuneração e sair da armadilha da pobreza em que se encontra”, disse. Mais informações sobre a helpo em www.helpo.pt

Tomar / António Perez Metelo divulga nova campanha da Helpo, Organização Não Governamental a favor da escolarização das crianças do norte de Moçambique

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 29 de Agosto de 2017

 

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Elsa Ribeiro Gonçalves
Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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