Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

Tomar | Anabela Freitas (PS) assume presidência da Câmara para último mandato de “muitos desafios” (C/ÁUDIO)

O Cine-Teatro Paraíso acolheu, na noite de sexta-feira, dia 15 de outubro, a cerimónia de tomada de posse dos eleitos da Câmara e Assembleia Municipal de Tomar. Uma cerimónia solene, a marcar o regresso aos eventos presenciais com maior lotação e que contou com apontamentos musicais por alunos da Associação Canto Firme. Anabela Freitas (PS), presidente de Câmara reeleita para um terceiro e último mandato, afirmou assumir o cargo com a mesma responsabilidade e energia da primeira vez. Não deixou de enumerar “desafios internos e externos” que se colocam à governação do Município tomarense, tendo criticado o processo de descentralização de competências do Estado para as autarquias locais, que no caso de Tomar “despejam” na autarquia 21 competências. A edil entende que o “envelope financeiro” não resolve tudo, e que este modelo é errado. Outro tema que mereceu destaque foi a defesa da criação de uma nova região que ajude a impulsionar o desenvolvimento de Tomar. Na Assembleia Municipal, Hugo Costa assumiu a presidência acompanhado de Fátima Duarte e Vasco Marques como secretários.

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Assumindo funções no terceiro e último mandato autárquico, Anabela Freitas afirmou, confiante e determinada, tomar posse “com a mesma energia, vontade, convicção e determinação que tinha no primeiro dia do primeiro mandato” autárquico, deixando a promessa: “Tudo farei para servir os tomarenses e o nosso concelho.”

A presidente disse encarar o cargo com “enorme sentido de responsabilidade” face aos resultados obtidos no último ato eleitoral, mas sublinhando fazê-lo com “enorme sentido de humildade perante a responsabilidade do cargo e dos desafios que se avizinham”.

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ÁUDIO | Discurso de Anabela Freitas, presidente da CM Tomar

A edil enumerou diversos desafios que se levantam à presidência do município e à gestão do concelho, classificando uma série de questões de ordem interna e externa.

A nível interno, destacou as questões relativas à habitação e descentralização de competências. “Em matéria de habitação o desafio centra-se na habitação a custos controlados, para que jovens e trabalhadores de classe média possam trabalhar, mas também viver em Tomar”, começou por referir.

“Quando se fala de habitação não se pode, nem se deve olhar para o tema de forma isolada. Quando falo em habitação, estou também a falar em mobilidade, em educação, em saúde, em qualidade do espaço público e da vivência do mesmo”, mencionou, aludindo depois à reabilitação da margem direita do rio Nabão enquanto iniciativa de “papel central” neste novo mandato. “Queremos devolver o rio Nabão aos tomarenses”, assumiu.

Anabela Freitas, presidente da CM Tomar. Foto: mediotejo.net

Já no que toca ao processo de descentralização de competências do Estado para as autarquias locais, que tem decorrido ao longo dos últimos três anos e que deverá culminar a sua conclusão em 2022, a autarca socialista frisou que o município passa a deter na sua responsabilidade mais 21 competências.

“Desde o estacionamento até à saúde, é também um desafio hercúleo. O poder local é na verdade mais do que qualquer outro poder público, o que mais corporiza a ideia de estado de proximidade, e queremos continuar a sê-lo. Mas, permitam-me a expressão, o ‘despejar’ competências sem critério, sem análise dos territórios, sem análise da capacidade de recursos humanos de cada autarquia, pensando que um envelope financeiro resolve tudo, é o modelo errado. E para territórios como o nosso pode levar ao aumento das desigualdades económicas e sociais”, alertou Anabela Freitas.

Segundo a presidente da Câmara reeleita, toda a comunidade tem de “saber dar resposta” neste ponto, incluindo o poder associativo.

Falando em desafios externos, Anabela Freitas recordou uma frase sua, que é hábito proferir, dizendo que “Tomar não é uma ilha”. Ou seja, “o que for bom para o concelho ao nosso lado é bom para nós também”, frisando que “o reforço das redes criadas dentro do território do Médio Tejo, nacionais ou internacionais, é para continuar”.

“O posicionamento de Tomar nas negociações do caminho para a criação de uma nova região, deixando assim de estar dependente de duas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional – facto que, diga-se em abono da verdade, apenas ocorre no distrito de Santarém – é fundamental para as empresas, para as associações, para as instituições, para os nossos concidadãos”, sublinhou, reiterando que “o local onde ficarmos afetará o dia-a-dia de todos nós, e o trabalho de uma autarquia não se esgota, antes pelo contrário, no trabalho do dia-a-dia, nem nas fronteiras físicas do nosso concelho”.

Tomada de posse de Anabela Freitas, presidente da CM Tomar. Foto: mediotejo.net

Terminou referindo, “o concelho que foi sufragado é por aqui: um concelho aberto, dinâmico, sustentável, um concelho que queremos afirmar para o futuro. Um futuro que merecemos, todos. E que não tememos” e agradeceu o voto de confiança do eleitorado, deixando a garantia de que “também eu não temo o futuro, e que tudo, mas tudo, farei para o merecer”.

Durante o discurso deixou agradecimento aos autarcas que deixaram de prestar funções públicas à data da tomada de posse. Palavras dirigidas também a Hugo Costa, presidente da Assembleia Municipal, felicitando-o pela eleição e deixando “a certeza de que iremos trabalhar em conjunto em prol do concelho de Tomar, respeitando aquilo que são as competências de cada órgão: órgão executivo e órgão fiscalizador”.

Outro agradecimento ficou para o presidente da Assembleia Municipal cessante, José Pereira, referindo ter sido “uma honra” ter trabalhado durante oito anos com este.

A autarca segue acompanhada no executivo pelos vereadores reeleitos pelo PS, Hugo Cristóvão, Filipa Fernandes e Hélder Henriques. Na oposição contará com os vereadores eleitos pelo PSD, Lurdes Ferromau Fernandes, Tiago Carrão e Luís Francisco.

Por seu turno, antes de dar posse ao novo presidente da Assembleia Municipal, José Pereira, presidente da Assembleia Municipal cessante e que esteve no cargo nos últimos 8 anos, também tomou a palavra, agradecendo a presença de todos, e passando a transmitir uma mensagem de despedida onde fez balanço do exercício da função que agora deixa.

ÁUDIO | Discurso do presidente da Assembleia Municipal cessante, José Pereira

“Tudo fiz para que a missão que nos foi confiada, como órgão fiscalizador e representante do povo tomarense, tendo acompanhado no seu todo e em conjunto com o executivo municipal, após vontade demonstrada nas urnas a 1 de outubro de 2017. Dando voz a todos, bem como respeitando e fazendo cumprir todas as deliberações aprovadas em Assembleia. E sabendo nós que é necessário prosseguir o trabalho com grande dedicação e amor à causa pública para continuar a colocar o concelho no seu lugar, a que tem direito, que merece e lhe pertence”, começou por mencionar.

José Pereira, presidente da Assembleia Municipal cessante, recebeu uma ovação e forte aplauso na sua despedida. Foto: mediotejo.net

Deixou, ainda, um “desejo” sob forma de solicitação aos recém-eleitos “para que tudo façam, certamente com muito trabalho e enorme elevação de responsabilidade, em prol de Tomar como beleza natural e patrimonial que é”.

Depois de terminar com “um bem-haja e até sempre”, o presidente da Assembleia cessante teve direito a ovação de pé, com forte aplauso naquele momento solene, por todos os eleitos.

Já Hugo Costa, eleito presidente da Assembleia Municipal e que tomou posse para este mandato, referiu ser “com trabalho e com responsabilidade que assumo esta função”.

Interveio do púlpito e desde logo saudou a autarca Anabela Freitas pela sua reeleição enquanto presidente da Câmara de Tomar, crendo que o concelho irá “continuar no caminho do desenvolvimento e do progresso”.

ÁUDIO | Discurso de Hugo Costa, presidente da Assembleia Municipal

Saudação também ao presidente da Assembleia Municipal cessante, José Pereira, que convidou para se juntar à nova mesa para o quadriénio 2021/2025, “agradecendo e sublinhando a forma como dirigiu esta Assembleia. “Professor José Pereira, muito obrigado pela sua entrega, dedicação e empenho no desempenho desta nobre missão. Tomar tem muito a agradecer-lhe”, disse.

Hugo Costa, presidente da AM de Tomar. Foto: mediotejo.net

Dirigindo-se ao público presente, Hugo Costa lembrou uma das afirmações da sua candidatura. “Quando em março deste ano anunciei a minha candidatura à Assembleia Municipal, disse que queria devolver a Tomar tudo o que Tomar me deu. É esse o compromisso que renovo esta noite. Nasci, cresci e vivi em Tomar”, começou por afirmar.

Agradecendo a confiança do PS por propor o seu nome enquanto cabeça de lista nas eleições de 26 de setembro, deixou também agradecimento aos secretários da mesa da AM, os deputados Fátima Duarte e Vasco Marques, eleitos pela Lista A, proposta pelo PS, e tendo obtido 19 votos a favor. A Lista B, proposta pelo PSD (João Tenreiro como presidente e Célia Bonet e Pedro Pereira como secretários, obteve apenas 12 votos. Contou-se ainda um voto em branco.

Quanto às expetativas para o mandato desta Assembleia, frisou que gostaria que “fosse marcada pela transparência, lealdade institucional e pelo escrutínio. Uma Assembleia Municipal onde deve ser dado relevo ao trabalho das Comissões que foram criadas e que venham a ser criadas para acompanhar dossiês de tão sobeja importância como a saúde, a habitação, a educação ou ambiente, entre outros. E cujo trabalho tem de ser estimulado de modo a que as propostas concretas venham a ter resultados”.

O presidente da Assembleia Municipal defendeu ainda a necessidade de dar relevo à participação dos mais jovens. “Os jovens são o presente. Tenho consciência da importância de incentivar a aproximação dos mais jovens e este órgão, promovendo a Assembleia Municipal Jovem e explicando o funcionamento da Assembleia aos mais jovens na escola, de acordo com o seu grau de ensino, deve cumprir esse papel. Envolver os jovens na cidadania é um trabalho que se faz no terreno com persistência e consistência”, admitiu, aludindo ao programa que pretende o PS implementar nos próximos quatro anos.

Nova mesa de Assembleia Municipal tomou posse, tendo convidado o presidente da Assembleia Municipal cessante a permanecer em palco e à mesa durante a sessão. Foto: mediotejo.net

Uma das bandeiras do presidente da mesa de Assembleia é também avançar com a realização de sessões de Assembleia Municipal descentralizadas. “Vão ser uma realidade no sentido de fomentar uma aproximação cada vez maior entre eleitos e eleitores, em cada uma das onze freguesias do concelho. As questões técnicas não podem ser desculpa. Devemos sair do Salão Nobre para cada uma das nossas freguesias, auscultando de perto as dificuldades e desafios de quem espera também desta AM um parceiro para encontrar soluções”, garantiu.

Em termos de regulamentação, Hugo Costa anunciou que irá propor algumas alterações ao regimento, em conferência de líderes, “visando mais tempo de intervenção aos grupos municipais de menor dimensão, Assembleia Municipal por princípio fora do período laboral, a constituição de uma Comissão Permanente, a Câmara Municipal ter tempo de intervenção no período antes da ordem do dia”.

Quanto ao funcionamento, defendeu que deve solicitar-se à autarquia “um reforço adequado das verbas financeiras, mais meios e mais informação para todos” devendo “os atos da AM constar do site, mas simultaneamente todos os eleitos devem possuir informação do que acontece em cada uma das reuniões do executivo municipal”.

Foto: mediotejo.net

“A Assembleia deve ser cada vez mais próxima dos cidadãos e dotada de mais tecnologia.
Tomar é uma das poucas Assembleias Municipais da região com transmissão online, possibilitando aos cidadãos que acompanhem os trabalhos em proximidade. Devemos realizar colóquios e transferências sobre temas-chave para o concelho, dignificando o papel daquele que é o nosso valor enquanto deputados municipais”, enumerou.

Hugo Costa abordou ainda o momento de recuperação da pandemia que o país vive atualmente, “com oportunidades dos fundos comunitários e do PRR”, e crendo que a Assembleia Municipal de Tomar “deve ser parte interessada no debate estratégico para o concelho. Que futuro queremos para o concelho é fator chave essencial neste debate.
Conto com todos para elevar o debate político em Tomar, porque Tomar merece esse compromisso e todos nós e cada um tem essa responsabilidade”, concluiu.

 

FOTOGALERIA

 

LISTA DE ELEITOS QUE TOMARAM POSSE

Câmara Municipal:

Anabela Freitas (PS)
Hugo Cristóvão (PS)
Filipa Fernandes (PS)
Hélder Henriques (PS)
Lurdes Ferromau Fernandes (PSD)
Tiago Carrão (PSD)
Luís Francisco (PSD)

Assembleia Municipal:

Hugo Costa (PS) – Presidente
Fátima Duarte (PS) – 1ª Secretária
Vasco Marques (PS) – 2º Secretário
Ana Catarina Pereira (PS)
Susana Faria (PS)
Arlindo Nunes (PS)
Pedro Duarte Carvalho (PS)
Alexandre Antunes (PS)
Sílvia Silva (PS)

João Tenreiro (PSD)
Célia Bonet (PSD)
António Lourenço dos Santos (PSD)
Ricardo Carlos (PSD)
Graciete Honrado (PSD)
Pedro Pereira (PSD)
Miguel Rodrigues (PSD)
Fátima Jacinto (PSD)

Américo Costa (CHEGA)

Bruno Graça (CDU)

Paulo Mendes (BE)

Francisco Tavares (Coligação Tomar, Queremos Responder – CDS-PP/MPT/PPM)

Freguesias:

Carlos Rodrigues (PS) – Junta de Freguesia de Asseiceira
Francisco Santos (CDU) – Junta de Freguesia de Carregueiros
Rui Lopes (PSD) – Junta de Freguesia de Olalhas
Amâncio Ribeiro (PS) – Junta de Freguesia de Paialvo
António Vicente (PSD) – Junta de Freguesia de S. Pedro de Tomar
António Graça (PS) – Junta de Freguesia de Sabacheira
Jorge Graça (PSD) – União de Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira
João Alves (PSD) – União de Freguesias de Casais e Alviobeira
Luísa Henriques (PS) – União de Freguesias de Madalena e Beselga
Américo Pereira (Independentes) – União de Freguesias de Serra e Junceira
Augusto Barros Alves (PS) – União de Freguesias de Tomar (S. João Baptista e S. Maria dos Olivais)

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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