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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Tomar | Ambientalistas descem Nabão em canoa e apelam por despoluição do rio (c/fotos e áudio)

O movimento proTEJO assinalou no sábado, em Tomar, a 9.ª edição do “Vogar contra a indiferença” com uma descida pelo rio que juntou 50 pessoas em 25 canoas, numa demonstração ibérica de cidadãos “Pela despoluição do rio Nabão”.

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A atividade organizada pelo movimento ambientalista com sede em Vila Nova da Barquinha consistiu numa “ação de defesa de rios vivos sem poluição e livres de açudes e barragens para assegurar a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos, o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas e os fluxos migratórios das espécies piscícolas”.

Além de cidadãos portugueses e espanhóis, esteve presente a deputada do BE eleita por Santarém, Fabíola Cardoso, Ana Pereira e Pedro Machado, do PAN, e Hugo Cristovão e Fernando Freire, autarcas de Tomar e de Vila Nova da Barquinha, respetivamente. 

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 O “9.º Vogar contra a indiferença” visou este ano “chamar a atenção para os problemas de poluição do rio Nabão”, e decorreu na manhã de sábado, desde a praia fluvial do Sobreirinho com um percurso em canoa pelo rio Nabão até ao Parque do Mouchão, na cidade de Tomar.

Com vista a “defender o rio Nabão e como cidadãos da bacia do Tejo, em Portugal e em Espanha, unimo-nos para reivindicar a todas as autoridades competentes, internacionais, nacionais, regionais e locais”, disse Paulo Constantino, do proTEJO, tendo destacado quatro pontos na Carta Contra a Indiferença, lida aos presentes no Parque do Mouchão:

As reivindicações passam, por um lado, pela “necessidade de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo com base no princípio da unidade da sua gestão”, e, por outro lado, “pelo cumprimento da Diretiva Quadro da Água, nomeadamente a garantia de um bom estado das águas do rio Nabão”.

Os ambientalistas defendem ainda o “acompanhamento, monitorização e verificação do cumprimento das licenças de descargas de efluentes das ETAR urbanas, industriais, exigindo a tomada de medidas de proteção ambiental com base no princípio da precaução”, assim como o “desbloqueamento da execução das medidas que se sabe serem necessárias para eliminar os focos de poluição no rio Nabão, informando os cidadãos do planeamento da execução, nomeadamente, da sua exequibilidade temporal”.

O porta-voz do proTEJO, Paulo Constantino, destacou no final as conclusões da iniciativa ambientalista, que antecede outras já agendadas para setembro e outubro.

Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO – Movimento pelo Tejo. Foto: DR

ÁUDIO: PAULO CONSTANTINO, PORTA-VOZ proTEJO:

A ação ambientalista culminou no Parque do Mouchão com a leitura da “Carta Contra a Indiferença”, que aqui reproduzimos na íntegra:

“O rio Nabão não é apenas água, é cultura viva, a espinha dorsal e o eixo, das terras e das aldeias por onde passa. É com grande felicidade que vemos juntarem-se em defesa do rio Nabão todos os cidadãos e organizações aqui presentes, representativos de toda a bacia ibérica do Tejo e de todos os sectores da sociedade e áreas de ação, constituindo-se como um exemplo independente de participação e cidadania.

Nas nossas diferenças, o elo que nos une são os rios da bacia do Tejo! Esta bacia do Tejo de Espanha a Portugal, que une todas as populações ribeirinhas e as suas culturas, que a conhecemos e a vivemos da nascente até à foz dos seus rios e afluentes, de Albarracín ao Grande Estuário.

É também significativo que nos encontremos aqui neste encantador mouchão de Tomar onde se pretende realçar a beleza do património natural do rio Nabão, que flui desde a sua nascente para vir banhar a praia fluvial do Sobreirinho e atravessar o município e a cidade de Tomar, de onde prossegue até desaguar no rio Zêzere e por fim chegar ao rio Tejo.

Todos estes afluentes e subafluentes que confluem para o rio Tejo ao longo do seu curso sustentaram as atividades agrícolas e comerciais das suas gentes e constituíram-se como o principal eixo de desenvolvimento das comunidades ribeirinhas: agricultores, moleiros, construtores de barcos, artes de pesca, barqueiros, pescadores. Destes teimam uns poucos em tirar dos rios o sustento, cada dia mais magro em resultado da degradação dos ecossistemas e consequentes alterações na biodiversidade, causada pelos desmandos do ser humano.

As populações da bacia do Tejo sempre conseguiram sobreviver e prosperar em harmonia com os rios, que lhes foram generosos no passado e que serão essenciais no futuro.

Um futuro onde o laço de natureza e cultura perdure e se reforce com o regresso de modos de vida ligados à água e ao rio, assente num desenvolvimento sustentável de atividades agrícolas e industriais responsáveis, de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental, que apenas será possível se unirmos esforços para a preservação dos rios Vivos sem poluição e Livres de açudes e barragens para assegurar a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos, o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas e os fluxos migratórios das espécies piscícolas.

É sabido que o rio Nabão e muitos outros afluentes do Tejo têm vindo a sofrer uma continuada poluição que mata os peixes, envenena o ambiente e afeta a saúde das pessoas, com origem na falta de tratamento de águas residuais urbanas e de descargas de efluentes não tratados da agricultura, indústria, suinicultura, entre outras.

São graves as implicações da poluição na qualidade das águas destinada para a rega dos campos, a pesca, a biodiversidade, a saúde das pessoas e o aproveitamento do potencial da região ribeirinha para práticas de lazer, de turismo fluvial e de desportos náuticos com respeito pelo estado ecológico da bacia hidrográfica do Tejo.

Também é grave que esta poluição ocorra com desrespeito pelas leis em vigor e sem a competente vigilância e controlo das autoridades responsáveis, valendo a ação de denúncia das organizações ecologistas e dos cidadãos, por diversas formas, nomeadamente, através das redes sociais e da comunicação social.

A despoluição do rio Nabão e a preservação ecológica dos rios é um tributo que os cidadãos devem oferecer para a sustentabilidade da Vida e para a conservação do seu património, sendo hoje urgente defender rios Vivos sem poluição e Livres com dinâmica fluvial de modo a garantir: a qualidade das massas de água superficiais e subterrâneas; a conservação dos ecossistemas, dos habitats e da biodiversidade; o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; a rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens e a exigência de uma regulamentação adequada para as barreiras que já existem; um regime fluvial adequado à migração e reprodução das espécies piscícolas; e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.

Continuaremos a combater a sobre exploração da água do Tejo que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear.

Conhecemos os males de que os rios padecem e o maltrato que a mão dos humanos tem vindo a infligir à sua água e aos seus ecossistemas. Para conter essa mão que o maltrata temos que abrir a outra mão para que o proteja, e essa mão somos nós!

Por isso temos o dever de estender essa mão aberta para criar uma corrente de vontade e de intencionalidade, que seja capaz de esclarecer quem decide e que exija um tratamento ecologicamente sustentável para os rios. Devemo-lo a nós próprios, que com os rios partilhámos a nossa vida e aceitámos a generosidade das suas águas.

Devemo-lo às gerações futuras para que conheçam rios Vivos e Livres, como nós os conhecemos, e não escravos e prisioneiros do egoísmo, da especulação, da ganância e da irresponsabilidade dos humanos.

Se continuarmos neste rumo, as próximas gerações já não conhecerão rios Vivos e Livres, mas apenas imagens na internet… que serão sombras do que um dia nos foi oferecido com generosidade, e não terão incentivo a reconhecer o valor destes rios de que nunca tiveram a possibilidade de desfrutar.

Por tudo isto, devemos unir-nos e reclamar a defesa da qualidade da água do rio Nabão e dos rios da bacia do Tejo, bem como da quantidade de água e a rejeição ou remoção das barreiras à sua conectividade, para que sejam saudáveis e forneçam os serviços ecológicos necessários à Vida no seu conjunto biodiverso e se mantenham como referência do Património ribeirinho.

Devemos ainda unir-nos e reclamar a unidade e integridade dos rios e da sua bacia, já que o amor e o respeito que por ele sentimos não se esgotam em nenhuma das fronteiras administrativas e artificiais que os homens impõem à natureza.

Para que as nossas mãos os protejam temos que as unir e coordenar, mostrando a união dos cidadãos e cidadãs portugueses e espanhóis na defesa dos rios da bacia do Tejo, enquanto bacia ibérica internacional, e afirmar a nossa determinação para combater a indiferença ao maltrato que têm vindo a sofrer”.

Na sessão, que contou ainda com a leitura de um poema de Miguel Torga, foi lembrado o ativista Damian Martin “companheiro espanhol da Rede do Tejo/Tajo que sempre participou nas descidas de canoa do Vogar Contra a Indiferença, falecido recentemente”.

O proTEJO lembrou Damian Martin (à dirtª), ambientalista espanhol da Rede do Tejo/Tajo que morreu recentemente e que sempre participou nas descidas de canoa do Vogar Contra a Indiferença. Foto: DR

“Que as nossas mãos unidas protejam os rios Nabão e a bacia do Tejo. E digamos com Miguel Torga, porque os poetas sabem ver o futuro:

Recomeça

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

O Nabão merece!”

Próximas iniciativas do proTEJO – Movimento pelo Tejo:

18 de setembro – Ação de demonstração em defesa dos caudais ecológicos integrados nos planos de gestão da bacia hidrográfica do Tejo – Parque Tejo em Rossio ao Sul do Tejo – Abrantes

16 outubro – Seminário Tejo Vivo e Vivido – Biodiversidade, Ciclos Ecológicos e Rios Livres – Vila Nova da Barquinha

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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