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Domingo, Outubro 24, 2021

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Tomar | Alienação do Convento de Santa Iria ao grupo Vila Galé em tribunal (c/ÁUDIO)

A Câmara Municipal de Tomar aprovou na reunião de executivo a adjudicação definitiva da alienação do Convento de Santa Iria ao grupo Vila Galé. Uma aprovação que contou com voto contra da vereadora Célia Bonet (PSD) que declarou não ser contra a adjudicação em si, mas quanto à transparência do processo. Acontece que uma empresa tomarense interessada no procedimento, e que detém um hotel junto ao Convento e ex-Colégio Feminino, interpôs uma ação judicial para impugnar a mesma, processo que deu entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Leiria a 15 de setembro e do qual a autarquia foi notificada formalmente a 17 de setembro, estando a elaborar resposta com apoio da advogada síndica.

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Na reunião do dia 13 de setembro, com 5 votos a favor do executivo e um voto contra da vereadora do PSD, Célia Bonet, avançou a autarquia para a adjudicação definitiva da alienação do imóvel, propriedade municipal, ao grupo Vila Galé, para o investimento anunciado de 10 milhões de euros de reconversão em unidade hoteleira naquela zona do centro histórico.

Acontece que Célia Bonet (PSD) optou por se opor neste ponto, discordando da forma como o processo se desenrolou. “Obviamente que concordo com a alienação do Convento de Santa Iria. Concordo ainda mais que tem que ser requalificado. Não é isso que está em questão… Como disse nos vários pontos que já votámos sobre este assunto, no meu ponto de vista, o processo não foi transparente. Muito antes do concurso já a Vila Galé anunciava que tinha sido adjudicado ao seu grupo o Convento de Santa Iria. Depois houve abertura por parte do executivo no sentido de ouvir três interessados e de fazer o concurso, mas no meu ponto de vista, não houve transparência suficiente, até porque os critérios foram muito afunilados para que correspondessem ao perfil do Vila Galé”, referiu.

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A vereadora de oposição justificou o sentido de voto, frisando que a motivação “não é o assunto em si, concordo em absoluto com a alienação, mas o processo em si não correu como eu entendia que deveria ter corrido. Pessoalmente vou votar contra no ponto 15”.

Já o camarada de partido José Delgado (PSD) mostrou-se favorável a este desfecho. “É uma oportunidade de reaver e de colocar este Convento de Santa Iria e o ex-Colégio Feminino ao serviço novamente de Tomar, apesar de ser através de uma empresa. Foi muito tempo, durou muito tempo este processo. Começou mal, muito mal, e eu defendo que ao público o que deve ser público, e ao privado o que deve ser privado. Acho que se deu uma oportunidade das empresas terem oportunidade de se pronunciarem. Chegou-se à conclusão que quem tinha condições de vencer é o Vila Galé, está decidido, eu confio no júri”, aludiu, frisando que se não tivessem existido a pandemia e recursos deste processo, possivelmente o complexo hoteleiro já estaria ao serviço de Tomar.

“Vamos ter um complexo único quer em Tomar, e se calhar a nível nacional, com esta grandeza, dimensão e com algo de património importante, caso do claustro e das fachadas. Vai ser uma oportunidade de lavar e requalificar e aumentar o valor patrimonial da zona (…) independentemente do processo, acho que vale a pena e espero que agora corra bem e dentro do previsto na empreitada”, concluiu.

Célia Bonet (PSD) voltou a intervir para frisar que confia “plenamente no júri”, mas considera que “os procedimentos e elementos documentais que serviram de base para depois ser escolhido o Vila Galé, é que para mim, pessoalmente, me deixam algumas dúvidas”.

“A minha questão aqui é apenas uma questão de procedimento. Confio no júri e fico muito contente de finalmente este edifício seja requalificado”, sublinhou.

Porém, sabe-se agora que a empresa tomarense também envolvida neste processo, mas que não apresentou proposta, recorreu ao tribunal.

A ação interposta integra as designadas “providências relativas a procedimentos de formação de contratos”, e sucede pela mão da empresa Ninho do Falcão – Actividades Hoteleiras Lda, outro interessado no procedimento de alienação. O processo apresenta como partes o Município de Tomar enquanto réu, e como contrainteressado a empresa Vila Galé-Sociedade de Empreendimentos Turísticos S.A, sendo que estes dois últimos têm agora oportunidade de se pronunciarem perante esta ação.

Em declarações ao mediotejo.net, a autarca tomarense Anabela Freitas confirmou esta situação, e diz que a autarquia se encontra a elaborar a resposta com a advogada síndica do Município de Tomar, sendo que as partes poderão pronunciar-se durante 7 + 3 dias.

Anabela Freitas, a par do que já havia dito em reunião de Câmara do dia 13, voltou a frisar que o empresário não apresentou proposta, mas sim um documento no dia de abertura de propostas após o retomar do procedimento. A autarca disse ainda que o empresário desde início que se opõe à alienação deste imóvel ao grupo hoteleiro Vila Galé até porque tem a escassos metros uma unidade hoteleira.

ÁUDIO | Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, sobre o procedimento e adjudicação da alienação ao grupo Vila Galé – reunião de Câmara do dia 13 de setembro

A presidente de Câmara já havia dito que o Vila Galé, ganhando este procedimento, não deveria ser visto como concorrência pelas empresas locais, mas sim como parceiro.

Refira-se que estes acontecimentos marcam o desfecho há muito esperado pela autarquia tomarense no sentido de requalificar e devolver os imóveis, património municipal, à comunidade, valorizando aquela zona da cidade.

Um procedimento moroso este, relativo à alienação do Convento de Santa Iria e do ex-Colégio Feminino, imóveis que são propriedade municipal, junto ao rio Nabão, no centro histórico da cidade de Tomar e já a ficarem em avançado estado de degradação, mas que após retomar do procedimento e abertura de propostas, a autarquia tomou como válida a do grupo hoteleiro Vila Galé.

Recorde-se que responsável pelo Grupo Vila Galé já tinha anunciado publicamente, em entrevista ao jornal Expresso, que iria investir 10 milhões de euros para converter o Convento de Santa Iria e o ex-Colégio Feminino num hotel com 100 quartos.

Porém, após saber-se desta intenção do Vila Galé, também um empresário tomarense demonstrou interesse e foi convidado pelo Município a participar na apresentação de propostas para que não ficassem potenciais interessados de fora.

Na reunião de Câmara de 19 de julho, a presidente da Câmara Municipal admitiu aguardar a abertura de propostas, a 23 de julho, para confirmar se os interessados se mantinham para investir na reconversão do Convento de Santa Iria e antigo Colégio Feminino, propriedade municipal, no centro histórico de Tomar, junto ao rio Nabão.

Pretensão já muito premente da autarquia para reabilitação daquele património no centro histórico da cidade, junto ao Nabão e à Ponte Velha, este investimento virá aumentar a capacidade hoteleira e diversificar a oferta por terras templárias, dando resposta à procura de Tomar enquanto destino turístico de predileção no Médio Tejo e no país.

Por outro lado, irá reabilitar-se aquela zona da cidade, sendo que um estudo promovido pela autarquia sustenta que, só em conservação, são necessários 2,5 ME investidos no imóvel.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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