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Sábado, Outubro 23, 2021

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Tomar / Abrantes | Motard condenado a ano e meio de prisão com pena suspensa por agressão fatal

O tribunal de Tomar condenou a ano e meio de prisão com pena suspensa o motard Hugo Alhadas por agredir outro motard, Hugo Jacob, do Tramagal, agressão que se revelou fatal para a vítima.

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Os factos aconteceram a 10 de junho de 2017, durante o encontro motard anual na antiga escola primária do Coito, Tomar, organizado pelo grupo motard “Os Templários”.

Acusado do “crime de ofensa à integridade física simples, agravado pelo motivo da morte”, Hugo Alhadas, de Louriçal, Pombal, foi julgado por, na sequência de um desentendimento, ter agredido Hugo Jacob que tropeçou e caiu desamparado, acabando por morrer pouco depois.

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A juíza considerou provados a maior parte dos factos constantes da acusação, mas tendo em conta que o arguido está inserido na sociedade, não tem antecedentes criminais e não teve intenção de matar, decidiu suspender a pena por igual período (ano e meio).

Além da pena de prisão, o arguido foi condenado a pagar 30 mil euros a cada a um dos progenitores por danos não patrimoniais e mais 80 mil euros como reparação pela perda do direito à vida, o que totaliza 140 mil euros, que era exatamente o valor do pedido de indemnização civil apresentado pela família. Hugo Alhadas foi ainda condenado a pagar as custas do processo.

Recorde-se que nas alegações finais, a Procuradora do Ministério Público defendeu que não havia motivo para prisão do arguido autor da agressão e defendeu que a pena de multa era suficiente.

A juíza realçou a “gravidade do gesto efetuado” pelo arguido e o local atingido pela agressão (zona entre o pescoço e o queixo), ressalvando, no entanto, que não teve intenção de matar mas sim de agredir.

Os pais e irmãos de Hugo Jacob assistiram, emocionados, à leitura da sentença. No final, em declarações ao mediotejo.net, os familiares não se mostraram totalmente satisfeitos com a decisão da juíza. Entendem que o arguido devia ir preso para “pagar por aquilo que fez”.

Quanto à indemnização, consideraram que “não há dinheiro que pague a perda de um filho”. Mais emocionada, a mãe de Hugo Jacob desabafou que a sua vida nunca mais foi a mesma depois da perda do filho. “Estou a sofrer muito”, diz Maria Rosa André, com lágrimas nos olhos.

Hugo Jacob, 39 anos, era sócio e dirigente do clube motard “Os Últimos do Ribatejo”, do Sardoal.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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