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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Thomar Honoris, uma associação ao serviço da História e da evocação templária, “em cena” este fim de semana

Decorre este fim de semana a Festa Templária, altura em que Tomar e as gentes nabantinas recuam no tempo, até à Idade Média, para recordar parte relevante da História do concelho. Rigor histórico e preservação do património são bases para o sucesso desta iniciativa, e a programação de evocação destes tempos de D. Gualdim Pais e o sucesso dos cavaleiros templários sobre os mouros muito depende dos recriadores que por estes dias circulam de vestes e armas em punho, encarnando neste espírito de forma voluntária. Falamos da associação Thomar Honoris e dos seus valentes membros, que o mediotejo.net lhe dá a conhecer.

Tomar, a principal sede da Ordem dos Templários, evoca anualmente o cerco ao castelo ocorrido em 1190, promovido pelo rei de Marrocos, Almançor, que já vinha conquistando terras desde o Algarve. No entanto, a resiliência de Gualdim Pais, e a valentia dos seus guerreiros, impediu a conquista, fazendo com que os árabes recuassem e tornassem aquele assédio de seis dias ao castelo num marco histórico para a cidade.

Durante a Festa Templária é habitual a recriação daquele cerco, que foi extenuante para as tropas de D. Gualdim Pais, estando em confronto duas vontades: a dos mouros, que pretendiam conquistar o castelo, e a dos Cavaleiros Templários, que lutam pela sua libertação.

Assalto ao Castelo de Tomar, recriando o cerco de 1190. Foto: CMT

Quem visitar terras nabantinas durante este fim-de-semana verificará que este capítulo da História de Portugal e de Tomar é revivido com fulgor e com a participação e promoção destes detalhes, com o rigor da associação Thomar Honoris, uma coletividade tomarense que se assume como promotora das artes medievais, sendo por inerência também responsável pela recriação, preservação e estudo desta época e património, participando em inúmeras iniciativas de norte a sul do país.

Presidida por Filipe Pires, um dos fundadores e reeleito em eleições há cerca de 4 meses, a associação conta com “Honra e Valor” como lema. Juntamente com Inês Cúrdia e Vasco Alves entendeu, com outros elementos, fundar a associação para dar estrutura legal a esta aventura.

Fundada a 3 de dezembro, de 2014, a Thomar Honoris nasceu com um grupo de 12 pessoas a praticar esgrima histórica, tendo-se estreado na Festa Templária desse ano, altura em que a aceitação foi tal que fez os membros repensar a aposta da associação e onde poderia criar valor, em particular, para Tomar e para os amantes da História de Portugal em geral.

Recriação histórica do grupo Thomar Honoris, para ver este fim de semana em Tomar. Foto: DR

A associação sem fins lucrativos sediada na cidade de Tomar, e com recente nova sede numa das salas da antiga escola Infante D. Henrique, dedica-se ao estudo e prática das artes medievais, e apesar de estar a caminho dos 7 anos de existência formal, acrescem mais dois de preparação, discussão e experiências para decidir se este era um projeto a cumprir.

Após a fundação, a associação e seus elementos ingressam em formação e trabalho que valeu dois anos fora de Tomar, com colaboração de outras companhias de recriação histórica, como a Companhia Livre, a Velha Lamparina, a Espada Lusitana, e onde se trabalhou essencialmente a sala de armas, área onde se destacou desde logo com títulos mundiais, caso de vice-campeões do Mundo de demonstração numa dinâmica templária/sarracena.

Os cavaleiros templários voltam por estes dias ao castelo de Tomar Foto: DR

Também já percorreram todas as grandes feiras medievais do país, desde Guimarães, Aljubarrota, Castro Marim, Santa Maria da Feira, Silves, Sines.

Após acumulação de experiência, o foco virou-se para a cidade-mãe, Tomar, altura em que a Thomar Honoris começa a estudar a história local e a trabalhar na Festa Templária.

Desde 2018, reconhece o presidente da associação, que o trabalho tem vindo a crescer. “Abrimos a Academia de Arco e Besta histórica, abrimos a parte de Danças históricas – medievais e renascentistas –, e também da Música histórica e representação de personagens. Isso é que faz com que haja dinâmica, porque já houve preparação, várias aprendizagens, workshops, formações… Dotámos as pessoas de Tomar com competências que fomos buscar fora, porque não existia em Tomar quem fizesse este tipo de trabalho e ensinasse. Temos dois instrutores de armas e uma monitora de armas, coisa que nunca existiu aqui. Tinham de vir pessoas pagas a peso de ouro para fazer trabalhos de recriação histórica e representação”, enumera e recorda Filipe.

A associação tem 140 sócios pagantes e ativos – isto é, que além de pagamento de quotas se envolvem no contributo à associação, fazendo figuração, ajudando na montagem de acampamentos ou atividades –, e em todas as academias há cerca de 80 praticantes, desde crianças a adultos, que engloba a competição e a recriação, ou a prática lúdica. O mais novo praticante tem 8 anos e o mais velho 60 anos, mas não há limite para os interessados em participar, podendo dizer-se que está aberta a participação dos 0 aos 100 anos.

Começou-se por criar um primeiro departamento, a Academia de Armas, depois a Academia de Arco Histórico, seguiram-se outros tantos caso da Academia de Artes Históricas, Academia de Ofícios Históricos, Serviço Social, Serviço Educativo e os departamentos de gestão e funcionamento da associação.

Foto: DR

Vive essencialmente da participação de amigos e simpatizantes, associados e de apoios de mecenas e ao associativismo, primando pela autossustentabilidade e mantendo “um pé de meia” para fazer face às despesas inesperadas e acautelar períodos mais conturbados, como o caso da pandemia de covid-19.

A pandemia tornou-se um período “complicado”, uma vez que a associação fez um trabalho de preparação nos últimos anos para em 2020 começar a dinamizar iniciativas diferenciadoras em Tomar, desde “jantares medievais, percursos de interpretação histórica, torneios de esgrima e de arco, Festas templárias, festas de cerveja artesanal, feiras de cutelaria”.

“Tínhamos conferências históricas, vários workshops para a população, e em março de 2020 foi tudo por água abaixo. Fizemos três ou quatro aparições. E é triste, porque vemos os nossos camaradas desta área, nascem como cogumelos mas a cair de seguida. Foi muito complicado. Ver grandes companhias de teatro e de recriação histórica sem trabalho”, conta.

Acampamento das tropas, no parque do Mouchão, em Tomar Foto: DR

O objetivo para o futuro, agora que já se abrem portas a eventos e iniciativas e que começa a surgir esperança para alguma normalidade, com cautelas e cumprindo as normas de segurança das autoridades de saúde devido à pandemia, é apostar na inovação da recriação histórica. “Há muito tempo que se faz a mesma coisa em Portugal neste setor. Estamos a pensar inovar. Por exemplo, quando se faz um percurso histórico não se colocam personagens a pensar no amanhã. Propomos fazer quatro percursos, se tudo correr bem, com interpretação histórica, com personagens a surgir e vamos inserir os produtos locais, vinhos, queijos, mel e enchidos, que a região tem para oferecer. Trabalhar em parceria, numa estratégia integrada e de coesão do território, com promoção da produção local”, contextualiza, deslindando um pouco da estratégia em cima da mesa.

A ideia é promover também packs de experiências para o cidadão comum, permitindo que contacte com toda a realidade que compõe um acampamento militar e civil da Idade Média, permitindo que aprenda todas as artes associadas e até o manuseamento de armas, vivendo na pele aquela época e vestindo-se a rigor.

Recriação histórica da Thomar Honoris. Foto: DR

Para ingressar na Thomar Honoris basta demonstrar interesse através do email geral@thomarhonoris.pt ou através da página de Facebook.

Por outro lado, também a presença feminina é muito bem-vinda, nomeadamente nas danças de época e nas salas de armas, existindo atualmente três meninas a praticar esgrima e a fazer apresentações. “A esgrima numa senhora é algo que deixa toda a gente maravilhada. Em qualquer feira medieval ou evento, podemos fazer a melhor a apresentação, mas ver uma senhora e a forma como lida com a arma é majestosa. Totalmente diferente”, assume o presidente da associação, muito envolvido na Academia de Armas de Thomar.

“Basta gostar de uma das atividades que oferecemos, e ingressar e treinar. As pessoas que gostarem e queiram fazer parte, têm a porta completamente aberta. É uma experiência maravilhosa, porque não se aprende só a parte do manejar armas, no caso da academia de Armas, mas aprende-se toda a história desde o mestre à modalidade de esgrima, constituição das armas. E o mesmo para as restantes academias. Estudamos toda a história e envolvência”, afirma Filipe Pires.

Acampamento histórico no Parque do Mouchão, em Tomar Foto: DR

Durante a Festa Templária poderá acompanhar e conhecer o trabalho desta associação em diversos momentos, mas em especial visitando o Acampamento no Mouchão, entre sábado e domingo, e assistindo à recriação do Assalto ao Castelo Templário, à noite.

Este fim de semana volta a evocar-se em Tomar o legado do mestre Gualdim Pais. Fotografia: Arlindo Homem

PROGRAMA

Sábado, 10 de julho
10h, 11h, 12h, 14h, 15h, 16h, 17 e 18h, Convento de Cristo/Adega dos Frades (Entrada pela Mata dos Sete Montes – Porta da Condessa / Horta dos Frades):

Apotheca Templi – A Iniciação Secreta | Escape Room
Acedendo ao Templo pela Mata, os irmãos reúnem-se no terreiro que acede à Apotheca. Aqui, trancados e em provação dos seus Votos à Ordem, revelarão o caminho da purificação, em cada fecho d’arco transposto. Orientados pelo Mestre do Templo, este punhado de irmãos contará com apenas 45 minutos para cumprir o ritual e escapar, tornando-se finalmente Cavaleiro da Fraternidade.
(8 jogos com 8 jogadores por jogo | M/5 com acompanhamento de um adulto | 45 min. | entrada gratuita, sujeita a levantamento de bilhete no Secretariado na entrada da Rua Serpa Pinto)

14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 22h00, 23h00, Mouchão
Acampamento Templário
Recriação de acampamento militar e acampamento civil.
Thomar Honoris
– Trebaruna, danças históricas
– Baphomet, músicas históricas
– Academia de Armas Thomar
– Academia de Arco Histórico Thomar
– Academia de Ofícios Históricos Thomar
– Aves rapina, cobras e cavalos
– História Viva – Recriações Históricas
(máx. 60 participantes por sessão | 45 min. | entrada gratuita, sujeita a levantamento de bilhete no Secretariado até 15 minutos antes de cada sessão e até 2 bilhetes por pessoa; os ingressos sobrantes de cada sessão, estarão disponíveis para entrega na entrada principal do Mouchão)

14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 22h00, 23h00, Mouchão
Mercado rural – venda de artesanato e produtos locais

16h00 às 18h00 e 20h00 às 22h00, Mouchão
Selway Statues – Estátuas Vivas

16h, 18h, 20h, Jardim da Várzea Pequena
Danças Sellium

18h00 às 20h30, Rua Serpa Pinto e Praça da República
Grupo de Gaiteiros Os Patos Bravos

22h15, Cerrada dos Cães / Convento de Cristo
Assalto ao Castelo Templário | Cerco de 1190
Evocação da data de 13 de julho de 1190, referência do confronto de duas vontades: dos mouros de Almançor e dos bravos cavaleiros templários de Dom Gualdim Pais.
(120 lugares | 25 min. | entrada gratuita, sujeita a levantamento de bilhete no Secretariado na entrada da Rua Serpa Pinto até às 21h00 e até 2 bilhetes por pessoa; a partir das 21h00, entrega de bilhetes no local, condicionado à quantidade disponível; o bilhete é válido até às 22h15, após essa hora, o bilhete é anulado e será permitida a ocupação do lugar por outra pessoa)

Visitas guiadas ao património de Tomar
(visitas disponíveis em www.cm-tomar.pt | marcação direta junto de cada guia)

Domingo, 11
10h, 11h, 12h, 14h, 15h, 16h, 17 e 18h, Convento de Cristo/Adega dos Frades (Entrada pela Mata dos Sete Montes – Porta da Condessa / Horta dos Frades):
Apotheca Templi – A Iniciação Secreta | Escape Room
Acedendo ao Templo pela Mata, os irmãos reúnem-se no terreiro que acede à Apotheca. Aqui, trancados e em provação dos seus Votos à Ordem, revelarão o caminho da purificação, em cada fecho d’arco transposto. Orientados pelo Mestre do Templo, este punhado de irmãos contará com apenas 45 minutos para cumprir o ritual e escapar, tornando-se finalmente Cavaleiro da Fraternidade.
(8 jogos com 8 jogadores por jogo | M/5 com acompanhamento de um adulto | 45 min. | entrada gratuita, sujeita a levantamento de bilhete no Secretariado na entrada da Rua Serpa Pinto)

11h, 12h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, Mouchão:
Acampamento Templário
Recriação de acampamento militar e acampamento civil.
Thomar Honoris
– Trebaruna, danças históricas
– Baphomet, músicas históricas
– Academia de Armas Thomar
– Academia de Arco Histórico Thomar
– Academia de Ofícios Históricos Thomar
– Aves rapina, cobras e cavalos
– História Viva – Recriações Históricas
(máx. 60 participantes por sessão | 45 min. | entrada gratuita, sujeita a levantamento de bilhete no Secretariado até 15 minutos antes de cada sessão e até 2 bilhetes por pessoa; os ingressos sobrantes de cada sessão, estarão disponíveis para entrega na entrada principal do Mouchão)

11h, 12h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, Mouchão
Mercado rural – venda de artesanato e produtos locais

11h30 às 12h30, 15h00 às 16h30 e 17h00 às 19h00, Mouchão
Selway Statues – Estátuas Vivas

16h, 17h, 18h, Jardim da Várzea Pequena
Danças Sellium

18h00 às 20h30, Rua Serpa Pinto e Praça da República
Grupo de Gaiteiros Os Patos Bravos

21h30, Zona Desportiva junto à Piscina Municipal Vasco Jacob
Fire Dragons
Espetáculo de fogo por Rita Miguel.
(máx. 120 lugares | entrada gratuita, sujeita a levantamento de bilhete na entrada da Rua Serpa Pinto até às 20h00; a partir das 20h00, entrega de bilhetes no local, condicionado à quantidade disponível)

Mais informações na página do Evento no Facebook.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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