“The Book of Joy – A procura do “bem-estar”, por Rui Calado

Caro leitor…

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O conhecimento universal da definição de SAÚDE adotada e difundida pela Organização Mundial da Saúde, tem induzido uma reflexão muito alargada, não só sobre o conceito de “bem-estar”, necessariamente subjetivo e inconstante, mas também sobre o seu papel essencial na manutenção da esperança individual e coletiva de que vale a pena a procura incessante da felicidade.

Estou convencido que as férias também contribuem para a nossa alegria de viver. Para além de muitas outras coisas, elas proporcionam-nos o tempo indispensável para algumas leituras. É por isso que vos escrevo hoje. Estando de férias, escolhi para ler o “The Book of Joy”, livro que descreve conversas entre dois galardoados com o Prémio Nobel da Paz, que decidiram fazer um convívio temático, durante uma semana, na tentativa de encontrarem a melhor resposta para a seguinte questão: “Como encontrar felicidade face ao sofrimento inevitável da vida?”. E entre encantos vários e muitos ensinamentos que esse livro me proporcionou, não resisti à tentação, para aqueles que não tiveram a felicidade de ler este livro, de vos transcrever o seguinte diálogo, que o Arcebispo Desmond Tutu (DT) e o Dalai Lama (DL) terão mantido no mês de Abril de 2015:

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A sabedoria dos mestres

DT – Sim, há muitas, muitas coisas que nos podem deprimir. Mas há também muitas, muitas coisas sobre o nosso mundo, que são fantásticas. Infelizmente “os media” não as divulgam porque elas não são “notícia”.

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DL – Penso que tem razão. Quando acontecem coisas más elas são “notícia” e então é fácil sentirmos que a nossa natureza humana básica nos impele a matar, a violentar ou a sermos corruptos. Nesse contexto, podemos sentir que não há muita esperança para o nosso futuro. De facto (prossegue o Dalai Lama), todas essas coisas acontecem, mas são exceções e é por isso que se transformam em “notícia”. Há milhões e milhões de crianças que são amadas pelos seus pais, todos os dias. Nas escolas, os seus professores prestam-lhes todos os cuidados. Ok, pode ser que haja alguns maus professores, mas a maioria são realmente carinhosos e cuidadosos. Também nos hospitais, todos os dias milhões de pessoas recebem imensos cuidados. Mas isso é tão normal que nenhuma dessas situações se transforma em “notícia”. Nós encaramos isso como garantido.

Quando vemos as notícias, devemos ter sobre os assuntos uma visão mais holística. Sim, acontecem algumas daquelas coisas terríveis. Sem dúvida, há muitas coisas negativas, mas ao mesmo tempo, acontecem no mundo muito mais coisas positivas. Devemos ter o sentido das proporções e uma perspetiva alargada. Só assim conseguiremos não nos sentirmos desesperados quando vemos essas coisas más.

Manter a esperança… 

Num momento em que somos confrontados com imagens cruéis de adolescentes que se agridem de forma bárbara e inqualificável, não posso deixar de vos transmitir, com a preciosa e sábia ajuda de Desmond Tutu e do Dalai Lama, uma grande convicção de que a maioria dos adolescentes, os nossos filhos, os nossos netos, não são assim.

Sem perder a noção de que os factos que nos são revelados impõem uma análise muito rigorosa, corajosa, dos factos e a identificação de formas concretas de responsabilização dos autores e facilitadores. Só assim poderemos manter a esperança de que as pessoas confrontadas com essa realidade, ainda possam aspirar à melhoria dos seus níveis de “bem-estar” e estejam disponíveis para receber os nossos votos de um 2017, de acordo com os seus maiores desejos.

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