“Tempos de espera para consultas e cirurgias mostram o caos no SNS”, por Duarte Marques

Centros de Saúde retomam consultas e tratamentos a partir desta segunda-feira. Foto: DR

Depois das eleições, o ministério da Saúde já teve tempo de atualizar o site com os Tempos Médios de Resposta para Primeiras Consultas Hospitalares e para Cirurgias. Antes de dia 6 de outubro, os dados disponíveis eram apenas relativos ao primeiro trimestre do ano de 2019 e, por isso, ficavam convenientemente de fora os efeitos da segunda greve cirúrgica dos enfermeiros, que aconteceu em fevereiro.

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Agora, consultando os tempos de espera de cirurgias, cujos dados mais recentes são de agosto de 2019, podemos ver alguns exemplos que demonstram bem o caos do SNS em Portugal:

– no Hospital de Braga os utentes esperam em média 430 dias por uma cirurgia geral e as crianças esperam 265 dias por uma cirurgia pediátrica;
– no Hospital Espírito Santo de Évora, uma cirurgia vascular demora mais de 9 meses; e em Santarém, os doentes esperam mais de um ano.
– no Hospital de Faro, um utente que necessite de neurocirurgia espera em média 8 meses;
em Coimbra, nos Hospitais da Universidade quem precise de uma cirurgia de ortopedia tem de aguardar 10 meses, e os Transplantes Hepáticos levam em média 300 dias para serem agendados.

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Mas antes de serem indicados para cirurgia, os cidadãos têm de conseguir marcar consulta. E os dados mais recentes que o ministério da Saúde decidiu agora disponibilizar, relativos a setembro de 2019, dão médias de espera para consultas absolutamente intoleráveis. Os problemas são de Norte a Sul do país, transversais a todas as especialidades, não podendo o governo falar em políticas de casos:

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  • Em Leiria, no Hospital de Santo André, uma consulta de anestesiologia (que normalmente é necessária antes de uma intervenção cirúrgica) está a ser agendada com 351 dias de espera – aproximadamente um ano.
    No mesmo hospital, os utentes têm de esperar 2 anos e meio por uma consulta de neurologia.
  • No Hospital Egas Moniz, em Lisboa, uma consulta de Angiologia ou cirurgia vascular tem de ser marcada com 19 meses de antecedência – note-se que quem precisa deste tipo de consultas sofre de doenças das artérias, veias e linfáticos, como é o caso dos aneurismas.
  • Em Beja, no Hospital José Joaquim Fernandes, para ter uma consulta de cardiologia é necessário um ano e meio.
  • Em Santa Maria, em Lisboa, uma cardiologia pediátrica tem de ser agendada com um ano de antecedência.
  • Desafortunados são os utentes do distrito de Viseu que necessitam de uma consulta de Dermato-Venerologia: no Hospital de São Teotónio têm, em média, 2 anos de espera pela frente.
  • Nos Hospitais da Universidade de Coimbra, esperam-se 304 dias por uma consulta de neurocirurgia.
  • No Hospital de Faro, uma consulta de ginecologia leva um ano para ser agendada; e uma de ortopedia leva, em média, três anos e meio.

Estes são apenas alguns exemplos que nos devem procurar e que revelam o estado a que este Governo, com o apoio do BE e PCP, levou o SNS. Quem tem dinheiro vai ao privado e o povo é que se lixa.

Se tiverem curiosidade, as listas completas estão disponíveis para consulta em:

Consultas: http://tempos.min-saude.pt/#/instituicoes

Cirurgias: http://tempos.min-saude.pt/#/instituicoes-especialidade-sigic

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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