“Tempo de mudança”, por Pedro Marques

Sinto a semana que ontem começou como um tempo de mudança.

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O tempo vai finalmente mudar lá para o final desta semana e espera-se que, desta vez, seja para durar mais um pouco e que seja uma Primavera ainda firme antes de o Verão nos torrar o pensamento. Bem precisamos de um tempo mais ameno, para nos alegrarmos e para que os turistas ajudem economicamente o nosso país com viagens, estadias, refeições, consumo…

Por outro lado, a incerteza quanto ao desfecho do campeonato de futebol vai também terminar e vamos conhecer o epílogo deste longo e intenso ano futebolístico nacional. Aconteça o que acontecer, seja o Benfica ou o Sporting o campeão final, há muito tempo que a emoção e a incerteza quanto ao vencedor não chegava até à última jornada. Foi um campeonato bonito, embora recheado de ódios, irritações, crispações desnecessárias, divisões artificiais e inúteis ante a dimensão de problemas que todos temos para solucionar.

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No Brasil a Câmara dos Deputados revoga decisão e aprova destituição de Dilma Rousseff. Amanhã o plenário do Senado deverá votar a admissibilidade do pedido de “impeachment” entregue pela Câmara dos Deputados, depois do voto positivo (15 contra cinco) ocorrido na semana passada na comissão especial. A oposição, que não fica quieta, já ameaçou levar o caso ao Supremo. Esta decisão foi tomada por um tal Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara dos Deputados, membro do PP, partido que tal como o PMDB, até há pouco estava coligado com o PT de Dilma e Lula. Este sujeito não se livra, contudo, de também ele estar associado ao fenómeno de corrupção no Brasil e está a ser investigado no âmbito da operação Lava Jato, tal como o anterior presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Pobre Brasil… Pobres brasileiros.

O que também parece estar a mudar é a conceção do Estado sobre o papel dos privados na Educação. O atual Governo pretende terminar com os contratos de associação através dos quais os privados têm estado inseridos no sistema de educação. A forma como o processo tem sido gerido aparenta uma certa balcanização ideológica e há, claro está, os defensores de uma coisa e os do seu contrário. Só não percebo o motivo pelo qual, no setor da saúde, podemos ter ainda privados, igualmente financiados pelos sistemas e subsistemas de saúde, integrados na oferta pública… O atual ministro sustenta que os contratos das escolas privadas com o Estado não têm base legal e já informou que não irá financiar novas turmas em colégios particulares onde exista oferta pública. O Bloco de Esquerda já avisou que apoiar o atual governo implica “esticar a corda”. Por outras palavras, a fatura do apoio será cara e será, mais ano, menos ano, suportada por todos os portugueses.

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Mudou também o palco dos ataques dos terroristas. Esta manhã foi Munique, com um homem dentro de um comboio a apunhalar passageiros e a invocar o nome do seu deus. Os deuses devem estar loucos porque há muito que todos percebemos que os deuses não mandam matar, primeiro porque não existem e, em segundo, porque caso existissem seriam sinónimo de amor e paz. O que os homens inventam para poderem ser maus, velhacos, assassinos, cruéis. Escondem-se atrás dos deuses como se estes lhes dessem ordens aos ouvidos.

Também mudou Londres, que passou a ter um muçulmano como mayor. Filho de imigrantes oriundos do Paquistão, o novo ícone da política pop proferiu em tom firme “chamo-me Sadiq Khan e sou o mayor de Londres”. A Europa acolhe bem e ficamos todos à espera de que, em breve, um qualquer cristão, ou budista, ou ateu, ou agnóstico, possa ser mayor de uma qualquer cidade da Arábia Saudita, dos Emiratos Árabes Unidos ou mesmo do Paquistão. Isso, sim, seria mudança.

Por cá começam também a ser preparadas mudanças nas autarquias locais. Os partidos políticos afinam estratégias, começam a fazer as suas escolhas e, em breve, começaremos a conhecer quem serão os protagonistas dos embates eleitorais. No Médio Tejo haverá mudanças mas haverá, sobretudo, novos desafiadores aos poderes estabelecidos. Costuma dizer-se que as eleições não se ganham – perdem-se. Quase sempre assim é. Resta esperar para saber em que concelhos os munícipes não apreciaram o trabalho dos autarcas respetivos e se isso é suficiente para mudar de equipas.

No meio de todas estas mudanças que se avizinha, volto ao princípio: que mude o tempo, para melhor. Já não se aguenta este longo período de chuva e nuvens negras.

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