Tejo | ProTEJO em campanha de crowdfunding para apoiar Arlindo Marques

O Movimento Pelo Tejo (ProTEJO) lançou no dia 16 de janeiro uma campanha de crowdfunding que visa angariar apoios monetários que ajudem Arlindo Marques, o “Guardião do Tejo”, a suportar as custas judiciais após uma empresa de celulose de Vila Velha de Ródão lhe ter interposto uma ação judicial que exige ao ambientalista cerca de 250 mil euros de indemnização.

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A campanha estará em vigor até às 16:00 de dia 16 de março, sendo que o ProTEJO garante que “o valor que não seja utilizado no âmbito do processo será destinado à restauração fluvial do rio Tejo”. Às 9:00 de hoje, quarta-feira, dia 24, estavam registados 159 apoiantes que contribuíram com 3.459 euros, 15% do objetivo. Na segunda-feira, Arlindo Marques partilhou novamente imagens de um Tejo que continua a ser alvo de descargas poluentes, com um manto branco que o ambientalista designa de ‘espuma da morte’.

RIO BRANCO pois hoje 22 Janeiro 2018, mais um de muitos dias tristes para o Tejo. Até quando vamos tolerar esta situação? (os que tiverem paciência para me ouvirem e verem têm de ver o video até ao fim)PARTILHEM

Publicado por Arlindo Consolado Marques em Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

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Na página da plataforma que acolhe a campanha, o Movimento Pelo Tejo mostra a sua “solidariedade com o Arlindo Consolado Marques no processo instaurado pela Celtejo-Empresa de Celulose do Tejo, SA, do Grupo ALTRI”, prevendo que o prazo do processo seja de dois anos e estabelecendo uma meta de 21.885 euros, a atingir dentro de um mês e quatro semanas.

Esta meta foi definida com um orçamento, distribuindo por comissões (1885 €), custas processuais (2000 €), advogados (10.000 €), pareceres/perícias de especialistas (2000 €), deslocações (2000 €), recursos judiciais (2000 €) e t-shirts exclusivas da campanha a ofertar aos apoiantes que façam donativo superior a 50 euros. (2000 €), mediante as condições da campanha em causa.

Paulo Constantino, porta-voz do ProTEJO, disse ao mediotejo.net que os membros do movimento “dão todo o apoio ao Arlindo Consolado Marques, achando que este processo é um processo que tem em vista a intimidação daqueles que defendem o ambiente, e tenta condicionar os direitos constitucionais da livre expressão e o artigo 66º, alínea 1, da Constituição Portuguesa que diz “Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender”.

“Consideramos que devemos estar ao lado do Arlindo Marques e apoiá-lo nesta causa”, mostrando que a grande expetativa é “alcançar o objetivo da campanha, arranjando meio de financiar o custo dos advogados, as despesas do processo,… E caso haja algum excedente que sobre da campanha, será direcionado para a restauração fluvial do rio Tejo”, justificou.

Paulo Constantino deixou ainda um apelo a todas as pessoas para que “partilhem massivamente a campanha nas redes sociais, porque só assim estaremos mais perto de alcançar o objetivo e apoiar judicialmente o Arlindo”.

No comunicado, também deixado na página de crowdfunding, pode ler-se “O Arlindo Consolado Marques, membro e secretário da mesa do Conselho Deliberativo do proTEJO, é um cidadão ribeirinho do Tejo que ama verdadeiramente o Tejo tendo vivido à beira Tejo e convivido com o rio ao longo da sua vida”, referindo-se ainda que “desde início de 2015 que tem vindo a denunciar às autoridades competentes a extensa e grave poluição que começou a observar no rio Tejo, a qual começou a registar em vídeo e a divulgar nas redes sociais para que todos pudéssemos saber do estado lastimável a que o rio Tejo tinha chegado”.

Na mesma informação consta que “em muitas das situações registadas em vídeo e denunciadas por Arlindo Consolado Marques existem fortes suspeitas da poluição existente no rio Tejo ser proveniente da CELTEJO – Empresa de Celulose do Tejo, S.A., pertencente ao Grupo ALTRI, ou de indústrias de papel associadas uma vez que esta empresa foi sinalizada pela Agência Portuguesa do Ambiente como contribuinte significativa para as ocorrências de poluição no rio Tejo”, recordando a ação judicial interposta pela dita empresa “por ofensas à sua credibilidade e bom nome em consequência das denúncias que o mesmo tem feito e divulgado nas redes sociais sobre a poluição do rio Tejo, reclamando o pagamento de uma indemnização de 250 mil euros”.

O Movimento Pelo Tejo afirma ainda que “esta ação contra o Arlindo Consolado Marques é uma ação contra todos os cidadãos de Portugal e Espanha que defendem o rio Tejo e contra todos os defensores do ambiente, consistindo num ato de intimidação que tenta condicionar o direito constitucional que todos os cidadãos têm de expressar livremente a sua opinião e o dever constitucional que todos os cidadãos têm de defender o ambiente”, pelo que o movimento ambientalista diz que “esta é a hora de retribuirmos e de nos unirmos todos para ajudar na defesa de Arlindo Consolado Marques tal como ele tem defendido o rio Tejo e os seus afluentes”.

“Apelamos a que todos os cidadãos comunidades ribeirinhas do rio Tejo e seus afluentes, em Portugal e Espanha, se solidarizem agora para ajudar e defender aqueles que com o risco da própria vida protegem os nossos rios. O Arlindo Consolado Marques merece e o Tejo também o merece!”, termina.

Até às 14h55 desta quarta-feira, dia 17, já foram reunidos 1023 euros com o contributo de 37 apoiantes, o que representa 4% do total a angariar.

Para apoiar o ambientalista, natural de Ortiga, concelho de Mação, ou obter mais informações clique na ligação abaixo:

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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