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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Tejo: “Jogo do rato e do gato” não vai travar defesa do rio – CPA (C/FOTOS)

O presidente da Comissão Parlamentar do Ambiente (CPA), Pedro Soares, disse hoje ao mediotejo.net conhecer “o jogo do rato e do gato”, em termos de poluição do rio Tejo, tendo confirmado a receção de denúncias dando conta de novos episódios de poluição do Tejo assim que os deputados da CPA deixaram a região, depois de uma visita de quatro dias, entre os dias 3 e 6 de abril.

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“Entre domingo e quarta-feira, enquanto estivemos no terreno, o Tejo apresentava menos poluição e maiores caudais do que o habitual, segundo nos relataram, mas assim que saímos do terreno terminou o período de contenção poluidora e começámos a receber relatos de novos episódios de poluição no Tejo, na zona de Abrantes e a montante”, confirmou o deputado ao nosso jornal.

“Temos de continuar todos atentos e criar condições para que a CPA possa dar seguimento aos alertas e aos casos de poluição”, observou, tendo elogiado o papel desempenhado pelos ambientalistas e o seu exemplo de cidadania.

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“Foi com muito gosto que registei que os ambientalistas estiveram connosco, desde Vila Velha de Rodão a Vila Franca de Xira, num movimento de cidadania que desempenha um papel essencial tendo em conta que eles estão no local e representam os nossos olhos no terreno”, destacou, tendo ainda destacado o papel dos autarcas e dos pescadores contactados.

Pedro Soares disse ainda ao mediotejo.net que a visita “foi muito útil, porque permitiu envolver os deputados numa realidade com a qual o Parlamento, habitualmente, não contacta, e estar com autarcas, ambientalistas e pescadores, pessoas que vivem diariamente com esta realidade ribeirinha e conhecem os problemas melhor do que ninguém”, frisou.

A visita decorreu de um périplo que levou os deputados da CPA a percorrer, durante 4 dias, vários troços do percurso do Rio Tejo (Internacional/Superior e Médio/Lezíria), abrangendo municípios dos distritos de Castelo Branco, Portalegre e Santarém, iniciativa que principiou no domingo, dia 3 de abril, em Malpica do Tejo, aldeia tradicional do Tejo, e com uma reunião com o presidente da Câmara de Castelo Branco.

Depois de Nisa e Vila Velha de Rodão, a comitiva composta por deputados de todos os grupos parlamentares entrou na região do Médio Tejo em Ortiga, uma das freguesias ribeirinhas do concelho de Mação, Santarém, antes de ir ao Alamal, no concelho de Gavião, já no distrito de Portalegre.

Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, disse ao mediotejo.net que foi com os deputados da CPA à zona da praia fluvial de Ortiga, onde a autarquia tem feito investimentos avultados, e à zona da Barragem de Ortiga/Belver, onde “também ali se evidencia a ancestral tradição da pesca e onde hoje é impossível pescar”.

O autarca disse que foi com “muito bons olhos” que viu esta primeira visita concertada de deputados de todas as bancadas parlamentares, num trabalho da Comissão “demonstrativa da preocupação de todos os partidos com os problemas do Tejo”.

“Esta situação não pode deixar ninguém indiferente e esta vinda ao local, saindo dos gabinetes de Lisboa, penso que permitiu aos diferentes deputados dos grupos parlamentares constatarem os prejuízos que esta situação de baixos caudais e poluição causa aos pescadores, ao ambiente, e ao desenvolvimento económico da região e do país”, vincou.

Os deputados da Comissão Parlamentar do Ambiente (CPA) estiveram depois em Abrantes, onde foram recebidos pela presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, no Centro Interpretativo do Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, tendo visitado de seguida o açude insuflável e o travessão construído no Tejo para captação de água para o arrefecimento das turbinas da Central Termoelétrica do Pego – PEGOP, sempre com a presença de representantes de movimentos ambientalistas.

 

Na intervenção de boas vindas, a Presidente da Câmara Municipal de Abrantes identificou os baixos caudais, as transvases para o sul de Espanha, as descargas poluentes, entre outros, como fatores que afetam a qualidade da água e colocam em causa o investimento público feito nos últimos anos nas margens ribeirinhas do Tejo para devolver o rio às populações ribeirinhas. “É uma preocupação que não é nova e que não é de agora”, sublinhou Maria do Céu Albuquerque que elencou os alertas da Câmara e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

Na passagem pelo açude insuflável, a autarca explicou o historial desta obra de engenharia hidráulica, que remonta a 2007, com recurso a tecnologia inovadora para permitir a formação de um espelho de água permanente com condições para a realização de atividades náuticas e de lazer.

Prestou contas acerca do seu funcionamento, tendo assegurado que o mesmo cumpre os requisitos ambientais. Reafirmou o compromisso para continuar a avaliar e encontrar soluções para o processo de monitorização da escada passa peixes. Referiu que esse trabalho é feito desde a sua construção, lamentando que depois de ter sido nomeada uma comissão técnica constituída por várias entidades que tutelam o rio, as mesmas terem vindo a ser reestruturadas e renomeadas o que se traduziu, por vezes, em dificuldades acrescidas de articulação. A Câmara, afirmou, “está a trabalhar com a comunidade científica, em concreto com a equipa de investigadores da Universidade de Lisboa liderada pelo investigador Bernardo Quintela, para desenvolvimento de um sistema de monitorização”.

A Presidente da Câmara reclamou uma nova abordagem sobre o território do Tejo que valorize o ecossistema e o desenvolvimento económico, quer através da pesca, mas também das atividades desportivas e de lazer (turismo). “Todos somos responsáveis por devolver o Tejo ao seu lugar”, defendeu.

Os deputados da Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, estiveram depois em Constância, ainda na terça-feira, 5 de abril, no âmbito da visita que realizaram a vários troços do percurso do rio Tejo, desde Espanha até Vila Franca de Xira, com o objetivo de conhecerem melhor o estado ambiental daquele que é o principal curso fluvial do país.

Em Constância, além das inevitáveis questões ligadas à poluição, ao assoreamento, e às oscilações dos caudais, os deputados tomaram conhecimento – in loco – da necessidade de intervir na margem do Zêzere e também das dimensões dos rombos que dramaticamente «engolem» riquíssimos campos agrícolas, bem como dos efeitos destas problemáticas em diferentes setores económicos do concelho.

Junto ao Castelo de Almourol, em Vila Nova da Barquinha, ainda no mesmo dia, Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal, recebeu a comitiva, alertando para os problemas da poluição e baixos caudais, tendo apontado para os prejuízos ao nível ambiental, mas também do comércio, restauração e atividades ligadas ao setor do turismo.

Em declarações ao mediotejo.net, Fernando Freire destacou “a falta de caudais regulares e a poluição”, tendo manifestado a sua satisfação por ver, “pela primeira vez, deputados de todos os partidos num visita deste género”.

“Assim, depois de terem constatado no local os problemas reais das populações ribeirinhas, a CPA sai daqui mais atualizada e fundamentada para-a tomar as decisões políticas de direito e em conformidade com o objetivo comum de termos um rio mais sustentável, ambiental e economicamente”, notou.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Comissão Parlamentar do Ambiente, Pedro Soares, disse hoje que a importância da visita foi conferida pelo próprio rio Tejo “que é aquilo que nos importa, a par da recuperação da qualidade da massa de água, e conseguir perceber melhor o conjunto de problemas, ameaças e também de potencialidades que o rio Tejo tem”.

“Dentro das nossas competências, poderemos intervir em termos legislativos, como do próprio debate a nível nacional”, observou, tendo destacado que “o grande resultado desta visita vai ser colocar o Tejo no topo da agenda política nacional”.

Pedro Soares destacou ainda como “temas que sobressaíram e que se vão manter na agenda política” relativamente ao Tejo, a “ameaça” da central nuclear espanhola de Almaraz” que classificou de “inaceitável”, e “também os caudais, problemas muito presentes e que precisamos de enfrentar”, defendeu.

“Tudo isto implica um trabalho que queremos sereno mas muito firme, como por exemplo, e é incontornável, o diálogo ao nível da entidade que faz a gestão dos aproveitamentos hidroelétricos. Não podemos ter caudais com variações bruscas de um dia para o outro, quando não em poucas horas e vamos chamar os responsáveis da EDP ao Parlamento”,afirmou.

A iniciativa foi da Assembleia da República e visou o levantamento de situações críticas e de potencialidades, bem como a sensibilização de cidadãos e entidades diversas para a importância ambiental, cultural e económica do Tejo.

 

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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