Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sexta-feira, Outubro 22, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Tancos | Interrogatório terminou com depoimento do diretor-geral da PJM

O interrogatório dos detidos no âmbito do caso da recuperação das armas roubadas em Tancos terminou cerca das 03h00 desta sexta-feira, dia 28 de setembro, com o depoimento do diretor-geral da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira.

- Publicidade -

À saída do tribunal, já depois das 03h00, o advogado de defesa, João Magalhães, disse que o seu cliente “esclareceu tudo o que o tribunal queria ver esclarecido, respondeu com verdade aos factos pelos quais via necessidade de esclarecer o tribunal”.

“Tais factos, como é timbre de pessoas com elevada galhardia militar, deram a explicação que o tribunal lhe pediu, de forma clara e castrense”, adiantou.

- Publicidade -

O advogado disse esperar que o tribunal compreenda o peso que tem a hierarquia militar, dentro daquilo que é o exército, e que compreenda que há um poder político que deveria refletir sobre as palavras de um ministro que, a seu ver, “devia estar aqui”.

“O exército é uma instituição de respeito”, sublinhou. João Magalhães argumentou que o poder político, “tal como também não respeita os médicos, também não respeita as necessidades que o exército tem para ver cumprida a sua posição”.

“Estamos a lidar com material extremamente perigoso, com organizações bastante poderosas e creio que o Governo deve refletir sobre a situação que se criou”, acrescentou.

João Magalhães salientou que o episódio revelou “debilidades que o exército enferma e que foram objetivamente alvo de uma tentativa de compensação pelo esforço que a PJ militar fez para recuperar esse armamento, que foi subtraído de dentro de um quartel”.

Na opinião do advogado, “estava em jogo a honra do exército perante uma situação que foi embaraçante para o próprio exército”.

Relativamente às medidas de coação que espera para o seu arguido, João Magalhães disse prever “que o MP [Ministério Público] venha a pedir medidas que não sejam apenas e só o termo de identidade e residência [TIR], ou outras do género”.

“Parece-me que a posição do MP [Ministério Público] é uma posição extremamente dura face àqueles arguidos, mas também acho que o MP, enquanto instituição hierárquica, mas independente, deveria refletir sobre o facto que o exército é [uma] estrutura hierárquica, mas não é independente”, disse.

O advogado considerou que “numa perspetiva mais lata, o principal arguido devia ser o poder político”.

“O Estado ou o Governo devia refletir sobre uma situação que permitiu que, por falta de apoio ao exército, fosse criada, e o exército (…) reagisse a todo o custo para lavar a face, com uma expressão que eu diria, ‘não faltava mais nada que as armas aparecessem sob a bandeira da PJ [Polícia Judiciária] civil’”, defendeu.

A promoção das medidas de coação por parte do MP a aplicar aos arguidos está prevista para hoje às 13h30, a que se seguem as alegações dos advogados sobre as mesmas.

Para além do diretor-geral da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, os mandados de detenção visaram outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil e três elementos da GNR.

A Operação Húbris investiga o aparecimento na Chamusca em outubro de 2017 de material furtado em Tancos e, segundo o Ministério Público, em causa estão “factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”.

O furto de material militar dos paióis de Tancos – instalação entretanto desativada – foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

Presidente da República acompanha investigação “com todo o interesse”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quinta-feira, dia 27 de setembro, acompanhar “com todo o interesse” a investigação criminal sobre o caso de Tancos, recordando que sempre insistiu no apuramento “do que se passou”.

À margem da IV Cimeira do Turismo, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que no “último ano e alguns meses” sempre insistiu “pelo apuramento do que se passou em Tancos, no sentido de apuramento do que aconteceu às armas, num primeiro momento, e o apuramento do que aconteceu às armas, num segundo momento”.

“Sempre disse que uma investigação criminal era fundamental”, reforçou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que, por isso, acompanha “com todo o interesse” a investigação criminal que agora decorre nos dois planos.

“Os portugueses querem saber o que se passou com a devolução das armas e querem saber o que se passou com o desaparecimento das armas. Espero que seja possível, correspondida, essa pretensão justa dos portugueses na investigação em curso”, afirmou o chefe de Estado.

Questionado sobre se este processo não afeta a credibilidade das instituições, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que sempre considerou que a investigação criminal era fundamental, “precisamente, pelo prestígio das Forças Armadas, pelo prestígio do Estado e da Democracia”.

“O pior que podia acontecer era sobre uma matéria desta sensibilidade ficar uma cortina de nevoeiro que não fosse possível ultrapassar com o apuramento da verdade”, disse.

“Tudo o que seja levar até ao fim a investigação em curso, que deu agora um passo, aparentemente, importante, é bom para as Forças Armadas, é bom para a Democracia, é bom para o Estado de Direito e vamos olhar para as conclusões dessas investigações, nos vários planos, e depois, naturalmente, inferir comportamentos para o futuro”, acrescentou.

Instado ainda a comentar se o Chefe do Estado Maior do Exército tem condições para continuar no cargo, o Presidente da República insistiu: “Acabei de dizer que vamos olhar para as conclusões dos processos em curso e depois agir em conformidade, é essa a minha posição”.

Marcelo Rebelo de Sousa recusou ainda comentar o facto de agora se questionar a existência da Polícia Judiciária Militar (PJM), reiterando que não comenta “investigações em curso”.

O diretor-geral da Polícia Judiciária Militar (PJM), Luís Vieira, foi detido na terça-feira, estando entre os oito visados por mandados de detenção emitidos na Operação “Húbris”, relacionada com o caso das armas furtadas em Tancos.

Para além de Luís Vieira, os mandados de detenção visaram outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos da GNR.

A Operação Húbris investiga o aparecimento na Chamusca em outubro de 2017 de material furtado em Tancos e, segundo o Ministério Público, em causa estão “factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”.

O furto de material militar dos paióis de Tancos – instalação entretanto desativada – foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

Em outubro, a PJM divulgou, através de comunicado, que tinha recuperado o material de guerra furtado.

Agência de Notícias de Portugal

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome