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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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“Taberna Ó Balcão”, por Armando Fernandes

Passados meia dúzia de anos o amante da boa mesa Rodrigo Castelo atravessou com pleno êxito o Rubicão de estrénuo a lídimo cultor das artes culinárias para nos dias de hoje ser considerado talentoso chefe de cozinha criador de receitas inspiradas nos produtos ribatejanos em geral e do rio Tejo. Reabilitou a fataça ou mune, deste peixe construiu pratos sápidos e singulares, o mesmo fez relativamente ao voraz lúcio, à corvina aventureira rio acima, sem esquecer a carpa e o camarão pequenino a par do lagostim.

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Lá voltei há dias, iniciei o festim apreciando finas tiras de salgadas de modo a dar a ideia de estarmos a apreciar anchovas, finas fatias de cenisa (presunto de vaca fumado) temperado com um fio de azeite abrantino e aspergido por gotas de bom vinagre, uma excelsa cabidela de carpa cujo tempero integrou gotas de limão que lhe concederam peculiar e guloso gosto.

Um doce intitulado café das velhas coroou a refeição na qual se abordaram elementos estruturantes da cozinha contemporânea e de autor.

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A Taberna Ó Balcão está muito bem e recomenda-se.

Estacionamento pago a cinco metros. Aceita cartões de crédito. Santarém

Moscatel, Graúdo

Em devido tempo emiti opinião acerca de vinho licoroso, no entanto, volta à ribalta em face da caloraça que se faz sentir de forma desapiedada a obrigar os cães a colocar a língua de fora e nós a molhar as nossas línguas de maneira a tornearmos a incidência do calor digno do Demónio ao meio-dia na tórrida Castela como vem explicado em várias obras da literatura picaresca.

Este licoroso bebido a uma temperatura entre os nove e onze graus, a sós ou a acompanhar queijo fresco, morangos, ou frutos secos concede-nos prazer palatal e ajuda-nos a minorar os efeitos da imitação do inferno no Ribatejo. Outros acompanhamentos podem ser aduzidos ao vinho, é tudo uma questão de gosto e apuro das papilas gustativas. Porque manda a prudência não cometer abusos convém que o leitor e a leitora tenham em conta a graduação do refrigério da alma e do corpo.

Origem – TEJO. Produzido e engarrafado pela Casa Paciência. Alpiarça. Ano de colheita: 2018. Graduação: 17º.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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