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“Soco no estômago”, por Nuno Pedro

“Se morresse amanhã, morreria feliz”, Caio Júnior

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Há acordar e acordar. Um melhor que outro. O da manhã da última terça-feira foi diferente. Para pior. Pela surpresa. Pelo choque. Pela tragédia. Que abalou o mundo do futebol. Sim, porque nós temos um mundo. Que por vezes é só de alguns mas que em tantas outras é de todos. Até dos que clamam alarvidades contra este mundo. O nosso tal mundo. Dos que têm paixão pelo futebol. Despenhou-se um avião. Notícia que não é comum. Não tanto como um qualquer acidente de viação. Como aquele… Mas que chegou.

Por meio do facebook. Naquela revista que faço logo ao acordar. Aquele acordar. Obrigatório. A incredulidade apoderou-se de mim. Transportava uma equipa de futebol. Um “time”. Brasileiro. Aquele cujo nome até nem é fácil de pronunciar. Associação Chapecoense de Futebol. Da cidade de Chapecó. Coincidência. Nunca tinha visto um jogo desta equipa. Apenas alguns resumos. Até ao último domingo. Frente ao Palmeiras. Um jogo de festa. Que consagrou os verdes de São Paulo como campeões brasileiros. 22 anos depois do último título. O Chapecoense perdeu. Mas já tinha ganho. O respeito do mundo do futebol. Pela sua ascensão meteórica no futebol brasileiro. Em poucos anos.

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Tanto que já tinha garantida a presença na final da Taça Sul-Americana. Uma espécie de Liga Europa da CONMEBOL (a UEFA lá do sítio). A duas mãos. A primeira disputava-se na última quarta-feira. Na Colômbia. Em Medellín. Diante do outro finalista. O Atlético Nacional. Não se jogou. Assim ditou o destino. Uma fatalidade. Aquele avião. Maldito. Não chegou. Não aterrou. Como era justo. A última barreira não foi transposta. Por pouca distância. Mas a suficiente para interromper uma viagem. Que começou em festa. No aeroporto. Depois na cabine do avião. Aqueles homens sonhavam fazer história. Ou melhor. Dar-lhe continuidade. O seu sucesso desportivo estava em alta. A alegria de uma cidade, de um clube, o seu clube, nos mesmos era personificada. Era. Já não é. A tristeza invadi-os. Não só a eles. A todos nós. Os daquele mundo. A história, o tempo, encarregar-se-á de os imortalizar. Em cada um de nós. Como aconteceu em Sperga, Turim, com o Torino. Ao regressar de Lisboa. Ou em Munique, com o Manchester United.

Aquele em que sobreviveu um dos monstros do futebol mundial. Sir. Bobby Charlton. Como agora. Em que ainda houve quem conseguisse fintar a morte. Três jogadores. Um jornalista. Um técnico de aeronaves. Uma assistente de bordo. Soa-me a familiar. Uma equipa de campeões. Que assim eram. E vão continuar a ser. Porque só quem nunca foi campeão não entenderá aquilo que dizemos. Porque, depois de um título, de uma grande conquista, tudo nos poderá acontecer. Até morrer. Mas felizes. Para sempre.

chape

PS1: Aquele que seria o “like motive” previsto para o artigo que vem aqui à estampa deixou de o ser. Por razões óbvias. Mas vai ser. No próximo. Afinal, sempre serão dois novos sintéticos no Concelho de Abrantes. Ou três, se houver sensibilidade e predisposição para isso. Acredito que sim.

 PS2: O futebol é a minha paixão. Onde role uma bola, há sempre a possibilidade de estar presente. Nos grandes estádios, mas também naqueles pelados que já não deviam existir. Mas existem. Por isso, é com um sentimento de grande honra que irei integrar a futura direcção da Associação de Futebol de Lisboa. Tudo farei para continuar a ser merecedor da confiança que em mim vão depositando. Anteriormente “Pelo Nosso Futebol”, agora, para “Continuar a Vencer”.

Com uma vida ligada ao futebol, particularmente enquanto dirigente, Nuno Pedro, abrantino, 46 anos, integra desde 2008 o quadro de Delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e mais recentemente a direcção da Associação de Futebol de Lisboa mas, acima de tudo, tem uma enorme paixão pela modalidade. Escreve no mediotejo.net de forma regular.

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