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“Sindrome de Stendhal  e Notre Dame”, por Massimo Esposito

Há uma doença, ou síndrome, ligada à arte, ou melhor, à relação entre o espectador e uma obra de arte. É a Síndrome de Stendhal ou hiperculturemia ou síndrome de Firenze (Florença) que é uma doença psicossomática que causa aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, desmaio, confusão e mesmo alucinações, quando um indivíduo é exposto a obras de arte de valor extraordinário.

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Parece uma fantasia mas há muitas pessoas que, ao estarem em contacto visual com obras de arte, sentem perturbações físicas e uma espécie de transporte emocional que chega, em casos extremos, ao desfalecimento momentâneo. Tanto é que, em muitos museus internacionais, existe um gabinete de apoio a pessoas que se encontrem neste estado.

O primeiro a descrever estas emoções foi o escritor francês do sec. XIX Stendhal, que se sentiu em estado confusional ao ver um fresco de Giotto em Florença em 1817. Mas só em 1979 a síndrome foi descrita e aceite a nível médico pela psiquiatra Graziella Magherini.

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Mas afinal o que é realmente a Síndrome de Stendhal ou porque falamos disto? Os humanos não são todos iguais e cada um sente e vive em maneira diferente. Há pessoas que se dedicam exclusivamente a fazer dinheiro e mostrar que o tem, outros dedicam-se ao lazer, ao futebol, e assim por diante. Há pessoas que gostam de arte, desde aquele que frequenta as galerias e museu, porque gosta de ver, aquele que colecciona arte, aquele que pinta e cria arte, e tudo isto em graus diferentes, lúdicos, compulsivos e muitos mais.

E há pessoas, poucas, que têm a Sindrome de Stendhal, aquelas que num museu se emocionam a ver um quadro ou uma escultura, ficam horas a “senti-la”, participam emocionalmente da criação da obra junto ao artista e sentem-se invadidos pela mesma febre da criação. Entram literalmente dentro da obra.

Até o director italiano Dario Argento filmou ‘La Sindrome di Stendhal’, a história de um homem que sequestra uma mulher no momento em que ela é acometida pelas sensações do fenómeno em um museu. Em Florença, é claro. E vê-se claramente como ela “entra” no quadro e participa ao que é retratado.

Eu sofro esta doença e quando visito um museu há obras que me “raptam”por momentos e é uma sensação incrível e intensa que me aproxima aos grandes artistas do passado. É uma “bela” sensação, mas as vezes há problemas, como quando vi o pináculo de Notre Dame cair. Senti uma forte picada ao coração e estive mal por algum tempo. Eu sei! É só uma igreja, mais ainda antiga, são só pedras e vidros que desapareceram, tudo se pode reconstruir, mas eu senti uma profunda tristeza a pensar quanto trabalharam aqueles artistas, arquitectos, pedreiros, e escultores para criar tanta beleza, o quanto sofreram e o quanto foram felizes em ver realizadas as suas obras.

Mais uma obra de arte da humanidade que não será como antes, como Petra, o Coliseu, Conímbriga, as obras de arte no Iraque e muito, muito mais. Que pena!

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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1 COMENTÁRIO

  1. Gostei do artigo. Achei-o interessante e oportuno . Conhecia vagamente o Síndrome. Fiquei mais informado
    Agradecido. Parabéns

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