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“Siddhartha e a arte”, por Massimo Esposito

Um dos livros do século passado mais lidos é com certeza Siddartha, de Herman Hesse, Prémio Nobel da Literatura. Livro de poucas páginas, mas com conceitos profundos escritos de uma forma compreensível e simples. Um homem à procura de si mesmo e do seu lugar no tempo e no espaço; em poucas palavras, um homem em busca de si mesmo e da sua identidade. É isto que basicamente um artista deve fazer (além das pessoas em geral)… procurar-se.

Siddartha era um jovem rico e sem problemas, mas sentiu um desejo impelente de saber mais. Foi para a floresta a jejuar e viver ao relento, foi interrogar um sábio para saber o caminho da sabedoria, foi amante duma belíssima mulher, foi um rico empresário… foi muitas coisas, mas sempre duvidando, interrogando-se, melhorando-se até chegar a ser um homem simples e feliz com as suas características e escolhas.

Sim, o artista deve fazer o mesmo. Depois de ter passado um período de pesquisa técnica copiando outros artistas, deve entrar em caminhos próprios, e andando à direita e à esquerda, errando, sofrendo, até encontrar o seu modo de se exprimir, o seu estilo.

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Há alguns que têm como objetivo ser famosos, outros procuram ser bons profissionais, outros gostam de explicar o que sabem, alguns são surrealistas, outros realistas, outros ainda estão indagando mas, se amam a arte, se são sinceros com eles mesmos, antes ou depois terão o seu estilo, os seus temas preferidos e serão reconhecidos além da assinatura.

No Médio Tejo há muitos que já tem uma identidade vincada e conhecida (não vou nomear nenhum para não falhar), mas são ótimos artistas. Há também muitos que ainda estão a tatear, a aprender, mas já se sentem os Van Goghs, os Picassos da região, espero que a investigação deles possa ser um sucesso e que possam realmente vincar o território com a sua arte. Mas uma coisa é certa: a Arte não se copia e não se aprende em poucos dias.

Por isto, por favor não façam plágio, não usem as imagens da publicidade, as fotos das revistas ou quadros de outros e depois de “re-pintá-las”, as vezes não muito bem, vão despachá-las como “obras de arte”. Sejam vocês próprios, únicos. Assim ajudam-se a si mesmos e os outros terão possibilidade de aprender novidades.

Quem tem ouvido entende.

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Massimo Esposito
Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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