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Sábado, Julho 24, 2021

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“Sexualização da Infância e da adolescência”, por Vânia Grácio

O Ministério da Justiça avançou esta semana que a lista de pedófilos conta com 5.618 nomes em menos de um ano. A lei que criou o sistema de registo de identificação criminal de todos os condenados pela prática de crimes contra a autodeterminação sexual e a liberdade sexual de menor entrou em vigor em novembro do ano passado, embora pais e responsáveis legais por crianças e jovens não lhe possam aceder, conforme estava previsto inicialmente.

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De qualquer forma, a importância de vos falar deste assunto esta semana não se prende com a existência deste registo, que causa tanta controvérsia na nossa sociedade. Se por um lado não se deve estigmatizar as pessoas e exclui-las, por outro, há a pressão psicológica do “e se fosse um filho teu?”, para se querer saber onde pode estar um potencial agressor. A questão que muitas vezes se esquece é que a maioria dos casos de abuso sexual de crianças acontece no seio familiar, ou é perpetrado por pessoas muito próximas da família. Logo, a lista de abusadores por si só, não resolve o problema.

Escolhi este tema esta semana, porque considero importante sublinhar a necessidade de se desenvolverem programas preventivos e de alertar os pais e os responsáveis legais das crianças para os perigos a que as mesmas estão expostas.

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Muitas vezes em conversas com pais ou mesmo com amigos meus dizemos que, “os miúdos de hoje estão “muito mais à frente” do que nós éramos no nosso tempo”. As crianças e adolescentes falam de sexo, como quem fala que tem uma camisa para lavar, mas fazem-no com um desprendimento afetivo e emocional, que assusta. Se calhar os nossos pais diziam o mesmo de nós quando tínhamos aquela idade, mas nessa altura não tínhamos o acesso a meios de comunicação, a redes sociais, sites e chats como eles e elas têm agora.

É prática recorrente os adolescentes nos intervalos das aulas, visitarem sites pornográficos ou de cariz sexual, tirarem fotos nus e enviarem uns aos outros, postarem fotos provocatórias no facebook e estabelecerem contactos com adultos que se fazem passar por adolescentes nas redes sociais. Acresce a tudo isto, uma falta de supervisão adequada da parte dos pais e o fácil acesso a telemóveis com internet e computadores.

Temos também uma infância cada mais sexualizada em questões de comportamentos e atitudes, desadequada para esta faixa etária. Pais e mães vestem roupas que poderiam ser consideradas desadequadas se vestidas por adultos; crianças que fazem dietas loucas por questões de estética, que se maquilham e que participam em eventos como os concursos de beleza infantil.

O resultado deste tipo de comportamentos na infância e na adolescência, é uma sociedade cada vez mais “erotizada” onde tudo tem uma componente sexual, desde o simples anúncio da TV até aos modelos que se começam a impor de forma irreversível para que se seja aceite socialmente.

É urgente estarmos atentos enquanto pais, mas sem sufocar os nossos filhos. Dando-lhe espaço para explorar o mundo, mas acompanhando-os para que “não se percam”, controlando e impondo limites ao “consumo” de redes sociais e aos meios de comunicação (telemóveis, internet, etc.).

Depois, é também urgente que se avance com programas de prevenção primária abrangentes a toda a comunidade, a par de programas de intervenção terapêutica junto dos agressores. Só assim poderemos ter uma sociedade mais alerta e segura para todos e todas.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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