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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Setor do azeite está a parar por falta de capacidade de escoamento do bagaço de azeitona

Em ano de números recorde de azeitona, o setor do azeite está em vias de parar a nível nacional devido à lotação da capacidade de armazenamento de bagaço de azeitona. Os problemas já se sentem na Cooperativa de Olivicultores de Fátima, que pondera recorrer a Espanha, com custos extra para a produção.

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O alerta foi dado esta quinta-feira, 9 de dezembro, pela FENAZEITES – Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Olivicultores, mas já há algum tempo que era esperado pelo setor da oliveira e do azeite. Num ano em que se prevê que a produção de azeite venha a atingir valores na ordem das 180 mil toneladas, constituindo a maior campanha de que há registos, as três grandes unidades nacionais que recebem o bagaço de azeitona já esgotaram o seu armazenamento. No Alentejo, refere a FENAZEITES, todo o setor já está paralisado.

Bagaço de azeitona no lagar da Cooperativa de Olivicultores da Freguesia de Alvega (Abrantes). Créditos: mediotejo.net

“A FENAZEITES tomou conhecimento de que todo o setor olivícola do Alentejo está paralisado, desde a apanha de azeitona aos lagares que a transformam”, refere a instituição em nota de imprensa. “Devido ao boom verificado na produção deste ano, as três grandes unidades de receção de bagaço de azeitona, proveniente dos lagares, cooperativos e não cooperativos, que processam toda a azeitona produzida no Alentejo, têm a sua capacidade de armazenamento esgotada ou praticamente esgotada e não aceitam mais matéria-prima”, explica.

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“Toda esta situação está a provocar prejuízos incalculáveis aos agricultores e empresas ligadas ao setor, além de que será aterrador o que poderá ocorrer à cadeia de valor oleícola, por não haver onde colocar aquele bagaço de azeitona, cuja produção estimada prevê atingir os 900 000 000 Kgs”, adianta a mesma informação.

Tanto a FENAZEITES como a sua associada, a UCASUL – União de Cooperativa Agrícolas, encontram-se há vários anos a tentar sensibilizar as entidades responsáveis para esta eminente possibilidade. “Apesar disso, as unidades extratoras não tiveram autorização nem para aumentar a sua capacidade, nem licenciamento para abrir novas unidades”, refere.

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“A imagem negativa das unidades de tratamento de bagaço que tem passado nos últimos anos, seja através de grupos de pessoas ou de associações que, de algum modo, identificaram a fragilidade no impacto social, fizeram parte da agenda política setorial e em nada ajudaram a implementar as soluções necessárias para garantir o equilíbrio e a tão desejada sustentabilidade do setor”, constata.

Acresce que o Programa de Desenvolvimento Rural 2020 deixou de incluir o setor olivícola desde 2018 até novembro último. “A transferência de verbas do 2º pilar para o 1º pilar demonstra a pouca preocupação da administração na urgência dos investimentos na transformação e laboração dos bagaços”, aponta.

“A ausência e recusa da aceitação de uma estratégia global equilibrada para o setor, pelos organismos competentes, tem provocado estes desequilíbrios estruturais, que já estão a penalizar todo o setor nacional, nomeadamente no Alentejo, onde o estrangulamento na receção dos bagaços de azeitona está a levar ao colapso das atividades relacionadas”, conclui a mesma informação.

A situação já está a afetar a Cooperativa de Olivicultores de Fátima, que recebe azeitona de todo o país, nomeadamente do Alentejo, e nesta campanha já ultrapassou as 5 mil toneladas. “É um ano com muita quantidade, que se previa muito forte”, admite, não obstante a qualidade seja inferior devido às condições meteorológicas, razão pela qual este cenário não é propriamente uma surpresa. 

O responsável da Cooperativa, Pedro Gil, explicou ao mediotejo.net que nos últimos anos, face aos múltiplos incentivos para a plantação de olival, este tem crescido por todo o país, no entanto o financiamento não veio acompanhado das necessárias autorizações de ampliação do armazenamento do bagaço de azeitona. “Temos vindo a alertar que isto um dia ia acontecer”, salientou ao nosso jornal.

Ainda a trabalhar, a Cooperativa de Fátima encontra-se porém também em risco de parar. Neste momento a estrutura está a ponderar alternativas, nomeadamente encaminhar o bagaço para Espanha, o que se irá refletir no aumento dos custos de produção de azeite. “Todos os lagares que estão a funcionar encontram-se a lidar com este problema”, constatou.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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