Sertã/Vila de Rei: Zona despovoada onde cristãos, judeus e muçulmanos conviviam

Maria Graça Vicente é natural de Castelo Branco e quis estudar os inícios da nacionalidade na região. FOTO: Colibri e Maria Graça Vicente

A investigadora Maria Graça Vicente publicou recentemente em livro, pelas edições Colibri, a sua tese de doutoramento, intitulada “Povoamento e Propriedade entre o Zêzere e o Tejo (séc.XII-XIV)”. O texto é um estudo sobre o nascimento da propriedade, vilas e aldeias desde a época da reconquista por D. Afonso Henriques até à conquista de Ceuta, na região da Beira Interior Sul (Sertã e Vila de Rei, com incidências ainda em Mação e Ferreira do Zêzere). A história é sempre uma reconstrução, afirma, mas as conclusões da investigadora dão conta que já nessa época o território necessitou de um forte repovoamento.

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Natural de Castelo Branco, a investigadora confessou ao mediotejo.net o seu interesse pela região, apesar de viver em Lisboa. O trabalho ocupou dois séculos de História devido à falta de documentação. “As conclusões estão sempre em aberto”, adiantou, mas procurou definir sobretudo a forma como o território foi sendo repovoado após a reconquista, com a recuperação das estradas deixadas pelos romanos.

“Como se foi reorganizando o território em vilas e aldeias, a sua fortificação”, uma vez que, com avanços e recuos, os limites de Portugal permaneceram muito tempo nesta linha entre o Tejo e o Zêzere.

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O livro é assim uma recuperação documentada da estruturas sociais, políticas, religiosas e económicas que existiam nesta zona de Portugal (agricultura, pastorícia, religião, forais, trocas, etc) para onde D.Afonso Henriques trouxe população do norte do país, a fim de se defender e manter as fronteiras, além de distribuir a propriedade da terra. “A região não estaria despovoada completamente, os mouros também passaram por ali”, refere, havendo registos da convivência entre populações de vários credos, de cristãos, judeus e muçulmanos. “Haveria gente, mas não muita”, sintetiza.

“Era uma zona bastante móvel, parou muito tempo na linha do Tejo e do Zêzere”, explicou. Naquela época, o Rei necessitou de trazer população para a região, mas o despovoamento de então não pode ser comparado ao de hoje. “Hoje a realidade e as necessidades são outras”, refletiu. Na época “tentou-se repovoar e criar riqueza” através do desbravamento de terra.

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A região também interessou a Maria Graça Vicente pela existência de numerosos senhores feudais. Os Templários e os Hospitalários dominavam, mas havia ainda feudos do Rei e de ordens menores, como a de Avis. “É uma região interessante porque tinha vários senhores presentes. Tinha ali muitas pressões, várias entidades”, referiu.

O livro está à venda no Museu dos Lanifícios, na Covilhã, e no site das edições Colibri.

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