Sertã | Vereadores defendem-se de “acusação de cobardia” proferida por eleito municipal

Foto: mediotejo.net

A passada sessão de Assembleia Municipal, de dia 28 de fevereiro, e as propostas aprovadas de reconhecimento de interesse público concelhio, marcaram a reunião de Câmara pública desta quinta-feira, dia 14 de março. Os vereadores recordaram e defenderam-se da “acusação de cobardia” proferida pelo deputado do PSD João Carlos Almeida que criticou as abstenções da vereação nos pontos sobre esta matéria, e classificaram tal atitude como “lamentável” e “arrogância política inaceitável”.

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Carlos Miranda, vereador do Partido Socialista, interveio no período antes da Ordem do dia e apresentou um esclarecimento sobre os três pedidos de interesse público concelhio que despoletaram debate tanto em reunião de executivo camarário de dia 14 de fevereiro, como na sessão de Assembleia Municipal do mesmo mês.

Recorde-se que João Carlos Almeida (PSD) referiu, na passada Assembleia Municipal, estranhar haver da parte do executivo “muitas abstenções” e passou a citar definições do conceito, bem como a expressão de Sá Carneiro “a abstenção é um ato de cobardia política”.

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As propostas em deliberação em causa referiam-se a reconhecimento de interesse público concelhio para instalação de oficina bate chapa em Encosta do Capitólio, na Sertã; para construção de edifício destinado a comércio e serviços do ramo automóvel em Barreiros – Cumeada, requerido pela empresa Stand Frigi, Ldª; para instalação de “BRICOMARCHÉ” em S. João do Couto, Sertã, requerido por Alcapredial – Investimentos Imobiliários S.A.

Os pedidos, lembrou o vereador da oposição, tinham por objetivo “ultrapassar constrangimentos de construção apontados no PDM” e nenhum dos pontos foi votado por unanimidade em sede de executivo camarário, tendo havido abstenções, algo que disse ser “difícil de compreender por parte de um deputado municipal, que acusou os vereadores de cobardia nos casos de abstenção”.

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“Parece-me a mim evidente que a análise destes pedidos deve ser feita caso a caso, mas está visto que não é evidente para todos (…) entendo que a aprovação de um pedido para contornar os limites impostos por um instrumento de ordenamento do território deve ser sempre uma circunstância excecional”, referiu.

Para o vereador do PS o interesse público concelhio faz sentido quando “as vantagens do projeto envolvido ultrapassam de forma clara o interesse individual, quando são óbvias para o concelho na sua totalidade”, reforçando a importância do ordenamento do território, “um bem maior que permite ter territórios mais atrativos, mais seguros, mais eficientes e mais sustentáveis”.

“Sem ordenamento, com anarquia, com o caos, ficamos todos a perder”, prosseguiu, referindo que é preciso ter em conta se o projeto em causa poderá causa dificuldades a outras atividades económicas já existentes no comércio local ou se poderá colocar em causa a qualidade de vida da população.

Quanto à “acusação de cobardia” dirigida à vereação por João Carlos Almeida, deputado da bancada social democrata na Assembleia Municipal, Carlos Miranda (PS) referiu ser “lamentável porque corresponde a um juízo de caráter” e uma “arrogância política inaceitável”.

Também Jorge Coluna (PSD) se manifestou sobre esta matéria, lembrando que se exaltou na sessão de Assembleia Municipal durante a intervenção do deputado municipal visado, tendo até chegado a pedir para intervir para defesa da honra, algo que acabara por prescindir considerando que o deputado acabara por se justificar no fim da intervenção, afirmando que o seu sentido de voto nestes pontos tem sido “coerente”.

“Há 15 anos que faço parte dos órgãos autárquicos da Câmara Municipal e sempre que vêm estas questões, a maioria das vezes abstenho-me devido ao PDM, mas já votei contra e a favor”, disse.

Cláudia André, vereadora do PSD, não escondeu a indignação perante tal ato por parte do eleito municipal, e afirmou que foram proferidas “ofensas de caráter” e que foi mencionada por “incoerência”.

Abstendo-se de discutir sobre o tema de interesse público, manifestou ter sido “profundamente lamentável a forma pessoal com que aquela intervenção citou o meu nome e colocou em causa todos os vereadores do executivo”, e afirmou que foram proferidas “opiniões ofensivas simplesmente por alguém não concordar com o sentido de voto [do deputado]”.

Cláudia André foi mais longe, referindo não se surpreender com tal postura, uma vez que considera que tem sido “perseguida por alguns elementos do PSD Sertã”, excluindo os membros do atual executivo.

“Quando as coisas chegam à ofensa pessoal publicamente, é evidente que não posso ficar calada (…) indignei-me um pouco porque não é só isso que está em causa, é o facto de alguém que ocupa um lugar eleito pelo povo o usar para ofender e atingir pessoalmente alguém”, afirmou a vereadora do PSD.

José Farinha Nunes, presidente da CM Sertã e presidente da Concelhia do PSD, mostrou compreender a posição dos vereadores e disse que “todos devem dizer o que lhe vai na alma”.

Quanto ao interesse concelhio, o autarca referiu que cumpre o PDM, e o objetivo com os reconhecimentos de interesse público concelhio é assegurar investimentos e empreendimentos no concelho, para que não percam para concelhos vizinhos.

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