Sertã | Vereadora Cristina Nunes (PS) indignada com falha na comemoração do 25 de abril

Foto: mediotejo.net

A não existência de comemorações a assinalar a Revolução de 25 de Abril de 1974 no concelho da Sertã marcou a intervenção da vereadora socialista na última reunião pública do executivo camarário. Cristina Nunes mencionou que “a liberdade foi celebrada por todo o Portugal, à exceção do concelho da Sertã”, lamentando que apenas se tenha assinalado os 44 anos da revolução a 5 de maio e somente no concerto com a Filarmónica União Sertaginense.

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A socialista referiu que o 25 de Abril é o “parente pobre das efemérides, comemorações e festividades anuais” do concelho da Sertã.

A vereadora do PS, referindo-se a si mesma como “Filha da Liberdade”, referiu que os 44 anos assinalados da Revolução de 25 de abril de 1974 deveriam ter sido assinalados, nomeadamente para lembrar aqueles que viveram a revolução e que lutaram pela liberdade, dizendo que “foi esse dia de 74 que permitiu que hoje estivéssemos aqui a várias vozes, masculinas e femininas, e a representar diferentes visões partidárias”.

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“Será que o 25 de abril causa pruridos a alguém? É que sistematicamente este feriado nacional na Sertã é considerado o parente pobre das efemérides, comemorações e festividades anuais, muito celebradas no concelho. E este ano, então a celebração foi sui generis: celebrar o 25 de abril no dia 5 de maio”, salientou, visivelmente insatisfeita, e sublinhando que “independentemente dos compromissos definidos para o 5 de maio, deveria a Câmara Municipal garantir a comemoração na noite de 24 para 25”.

Cristina Nunes foi mais longe, mencionando que “há cidadãos sertaginenses com responsabilidades políticas a nível local que gostariam que nunca tivéssemos saído do 24 de abril, gostariam que os emissores associados de Lisboa não tivessem passado “E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, como senha radiofónica, gostariam que a “Grândola Vila Morena”, do Dr. José Afonso nunca tivesse sido difundida como segunda senha radiofónica, e símbolo da canção de intervenção e protesto”, prosseguiu.

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“Não vivi o 25 de abril, já sou filha da Liberdade”, afirmou, indicando ter “o privilégio de privar com pessoas que o viveram na primeira pessoa, testemunhos esses que podem ser transmitidos às gerações mais novas, para que saibam quanto custou a liberdade”, notando ainda que esta partilha não tem sido promovida pelo setor da Cultura da autarquia, ainda que devesse ser feito.

Apesar de tudo, a vereadora do PS deixou “um elogio à Filarmónica União Sertaginense pelo excelente concerto de liberdade”, e reconheceu o maestro Vítor Feitor e os seus músicos, remetendo para a iniciativa decorrida no dia 5 de maio, na Casa da Cultura da Sertã, intitulada “Estórias com Música”.

Por seu turno, José Farinha Nunes, autarca sertaginense, mencionou que é habitual o 25 de abril ser assinalado com o concerto da Filarmónica, porém “este ano por vários motivos alheios não pôde ser no dia 24, e portanto foi no dia 5 de maio. Mas não quer dizer que não seja uma homenagem ao 25 de Abril. Todos nós reconhecemos que liberdade e democracia são fundamentais e neste momento é pacífico entre todos os partidos políticos. Não me parece que haja alguma contestação em relação a isso”, justificou o autarca social democrata.

Este assunto já havia sido abordado na passada sessão ordinária da Assembleia Municipal da Sertã, nomeadamente pelo deputado socialista Victor Cavalheiro e em intervenção do público por Adelino Reis e Moura.

Reis e Moura voltou a intervir, desta feita na reunião pública da CM Sertã, usando o mesmo tom irónico, referindo manifestar o seu “contentamento” enquanto “Capitão de Abril” pelas “cerimónias brilhantes que ocorreram no concelho”.

Frisou ainda a “agravante” de o presidente da CM Sertã não ter estado presente “por motivos pessoais” no concerto de dia 5 de maio e não ter havido alguém presente, em sua substituição, que pudesse “falar do 25 de abril” na ocasião.

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