Sertã | Vereador do PS chocado com venda de rifas pelos alunos para obra na escola

Foto: mediotejo.net

Carlos Miranda (PS) trouxe a debate na reunião pública da Câmara da Sertã o facto de alunos da Escola Básica Padre António Lourenço Farinha, na sede de concelho, terem recorrido a venda de rifas para angariar verbas no sentido de se construir um telheiro na entrada que os abrigue enquanto aguardam para entrar ou pelo transporte após as aulas. “No que toca a obras, acho que deve ser o município a assumi-las e não os alunos”, rematou o vereador, não escondendo algum choque sobre esta matéria e a inação da autarquia.

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O vereador do Partido Socialista começou por referir ter tido conhecimento de que foi construída “uma pequena cobertura para abrigar os miúdos no momento em que estão à espera dos pais e poderem estar ali debaixo quando chove”.

“Chocou-me um pouco saber que essa cobertura foi construída com recurso a verbas que foram angariadas pelos alunos através da venda de rifas, acho um pouco inédito e até um pouco ridículo… Os miúdos muitas vezes vendem rifas para pagar as suas atividades próprias, viagens, etc… Agora para uma obra numa escola, terem de andar a vender rifas para depois se fazer essa pequena obra, e por acaso até parece que o telheiro ficou relativamente pequeno e estreito, pois com certeza que a verba recolhida com as rifas não terá sido uma verba muito grande”, disse.

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E continuou, mostrando alguma estranheza e afirmando que o município deveria ter assumido responsabilidade e concretizado a obra em causa.

“Faz-me alguma confusão porque é que num município que gere 20 milhões de euros por ano, não há umas centenas de euros para se fazer uma obra que aparentemente é uma necessidade daquela escola”, aludiu.

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O vereador disse ainda compreender a preocupação da direção do Agrupamento de Escolas da Sertã, tendo noção dos constrangimentos orçamentais dos agrupamentos que “não têm dinheiro para nada”, mas insistiu com o presidente da Câmara Municipal que esta seria uma das situações “em que o município tem de ter umas centenas de euros para fazer a obra e não faz sentido andarem os miúdos a vender rifas”.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal José Farinha Nunes (PSD) afirmou que a Câmara nunca disse que não tinha dinheiro para fazer a obra e assumiu que há “pedidos” feitos por várias escolas, mas disse crer que se tratou “de uma iniciativa que faz todo o sentido”, tratando-se de estímulo ao “espírito de iniciativa e empreendedor, porque os alunos precisam ser despertos para este tipo de iniciativas”.

“Foi mais, penso eu, para descobrir quem tem espírito empreendedor, quem vende mais rifas… é uma atividade”, insistiu, rematando que a Câmara colabora “com todos os estabelecimentos de ensino”.

Carlos Miranda (PS) insurgiu-se contra o que dissera o autarca, entendendo que faz sentido os alunos se organizarem para conseguirem determinado tipo de verbas, mas “para atividades deles”, por exemplo uma visita ou ida ao estrangeiro.

Por outro lado, o vereador apontou que, tratando-se de uma recolha diminuta, a obra acaba por não ser “satisfatória” e “acaba por não cumprir as funções para que foi feita”.

Rogério Fernandes, vice-presidente da CM Sertã, interveio na discussão, lembrando que as obras anteriores decorridas naquele estabelecimento tiveram intervenção da Câmara e foi feito o que fora pedido. Quanto ao telheiro, o vereador referiu que “existe para uma esplanada, estão lá mesas e cadeiras debaixo”.

Rogério Fernandes acrescentou que a Comissão de Pais tem pedido “um telheiro de proteção para os alunos ficarem à entrada e é isso que vamos fazer. Aquilo foi um à parte, e não nos pediram mais, pelo menos que haja conhecimento”.

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabens aos alunos , que tomaram em mão a resolução de um problema que exigia resolução por parte de entidades públicas , as quais exibiram o seu alheamento . Simplesmente espantoso ?!…..ou ?!….

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