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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Sertã | Velhacas, Vadias, Piratas e outras cervejas para ‘Provart’ na Alameda da Carvalha

O Provart, na Sertã, é o festival dedicado à cerveja artesanal pioneiro no País. Nos três dias da sua 5ª edição, aposta no crescimento contínuo, na promoção da cerveja artesanal, e na divulgação dos cervejeiros nacionais. Este ano, até este domingo, dezenas de produtores portugueses, uma cerveja do Reino Unido, uma ginger ale e uma cidra marcam presença no certame Para acompanhar as bebidas, há “street food”, com comida mexicana e vegetariana, salgados, hambúrgueres, bolos e sandes grelhadas e tremoços. São várias as atividades desde workshops a provas comentadas sem esquecer os mais pequenos. A música sempre presente com concertos reservados para a noite.

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Na sexta-feira 17, dia de abertura, a Alameda da Carvalha encheu-se de apreciadores. Não faltou o presidente da Câmara, José Farinha Nunes, que explicou ao mediotejo.net a lenda da Celinda que deu nome à cerveja oficial do Festival.

Pode dizer-se que o Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã, nasceu em Lisboa, já que o criador da Celinda, a cerveja oficial do festival, da cervejeira sertanense Legend’s, descobriu o seu interesse pela cerveja artesanal após ter visto um documentário sobre a Oitava Colina. Depois foi “estudando, aprendendo, experimentando” conta Bruno Dias ao mediotejo.net até arriscar, em 2009, a aventura de fazer cerveja artesanal.

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Trata-se de “um hobby! Ainda não dá para viver da cerveja” diz. Por isso, prossegue a sua vida profissional na aviação, em Lisboa, até poder regressar definitivamente à sua terra natal, a Sertã, uma vontade latente que sonha concretizar o mais breve possível.

Reza a lenda, e contou ao mediotejo.net o presidente da Câmara, José Farinha Nunes, que “Celinda era uma mulher de armas que não permitiu que os romanos invadissem o castelo da Sertã”. Terra que na época “tinha muita agricultura e por isso tinha um castelo para se defender das invasões. Celinda com uma sertã quadrada, com quatro bicos e azeite a ferver afastou os invasores”. Muitos séculos depois deu nome à cerveja artesanal da vila pertencente ao distrito de Castelo Branco.

Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã. Bruno Dias.

José Farinha Nunes é apreciador de cerveja e reconhece que o consumo da bebida em Portugal está a começar mas “bem, porque não têm muito álcool, faz boa companhia e é muito agradável” considera.

O autarca reconhece o crescimento do Festival com mais produtores em cada edição e mais visitantes. “Quem vem à Sertã gosta, e durante o ano depois volta. O Festival é um pretexto para virem pela primeira vez tal como o Festival de Gastronomia”. E a Câmara Municipal investe “porque dá resultado” no crescimento do turismo, garante. “Todos os anos vêm muitos estrangeiros, principalmente dos países nórdicos, com mais apetência para a cerveja”.

O Provart, organizado pelo Município da Sertã, “foi inovador. E em consequência temos uma empresa produtora de cerveja artesanal com sede no concelho, por isso já deu frutos e dá todos os anos, as instalações hoteleiras estão cheias, os restaurantes e é isso que pretendemos: dinamizar a economia local”. O autarca referia-se à Legend’s, original da Sertã que conta com quatro estilos de cerveja diferentes, entre elas, a Celinda (Weiss), Maria Severa (Red Ale), e duas cervejas especiais (NIPA e Coffee Porter).

Aquando do nascimento da ideia de criar um festival de cerveja artesanal, José Farinha Nunes lembrou a existência de resistência “mesmo dentro do Executivo porque o normal era o vinho, mas agora reconhecem ter sido uma boa aposta”. O presidente recordou também que os sertanenses “gostam de receber bem. Temos bom clima, boas condições para as pessoas sentirem-se bem no concelho da Sertã”.

O presidente da Câmara Municipal da Sertã, José Farinha Nunes, não faltou ao Provart.

A quinta edição do Provart decorre até este domingo, 19 de agosto, na Sertã, e apresenta um programa com concertos, cerca de 100 cervejas artesanais para degustar, espetáculos de magia, teatro, workshops, artesanato e gastronomia. O evento apresenta-se, assim, como uma iniciativa de mostra de cerveja artesanal, onde se demonstra o que de melhor se faz em Portugal e que visa o intercâmbio de experiências e sabores entre os vários produtores presentes e os visitantes.

Carla Rodrigues é a diretora do Festival. Foi pelo casamento com Bruno Dias que chegou até à Sertã trazendo na mala a paixão pela cerveja artesanal. A ideia do Festival surgiu então desse interesse com Bruno responsável pela produção e Carla como organizadora de eventos. “Quando foi a primeira edição praticamente não se ouvia falar de cerveja artesanal. Acabámos por ser pioneiros a trazer um festival para Portugal, surgiu na mesma altura do festival de Caminha”, nota.

A cerveja artesanal “é mais suave, parte de ingredientes mais naturais. A produção não tem nada de pasteurização nem filtragem, os ingredientes são usados de acordo com as caraterísticas que o produtor quer dar à cerveja, personalizar”, explica.

Na época da idealização do Festival “já existiam alguns produtores e quisemos reuni-los num espaço. Na primeira edição trouxemos 10 produtores agora são cerca de 50. A cerveja artesanal está a crescer imenso” afirma, lamentando não conseguir trazer todos os que existem em Portugal. “Quem sabe um dia se consiga alcançar o objetivo de apresentar mais ofertas”.

As cervejas no Provart “são de muita qualidade” garante Carla. “Fazemos uma seleção bastante rigorosa na escolha dos produtores. As cervejas são avaliadas antes do Festival e temos gosto em trazer marcas novas e algumas novidades, como cervejas que façam lotes especiais, produzidas em determinadas quantidades, experiências que muitas vezes mais elaboradas, mais caras em custo de produção mas que para o consumidor apresentam-se bastante acessíveis”.

Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã.

E um copo de cerveja no Provart custa cerca de dois euros. O evento com entrada gratuita é aberto a todas a faixas etárias, onde apenas é cobrado os valores do copo oficial e dos produtos consumidos.

A resposta do consumidor revela-se “bastante positiva!” afirma Carla. Tendo em conta que Portugal é um país de vinho, com uma cultura de consumo de cerveja bastante diferente dos países do Norte da Europa. “Na primeira edição as pessoas pensavam tratar-se de uma cerveja feita em casa. Mas não! É todo um processo de produção com muito rigor. Um produto que passa por processos de higiene muito rigorosos”.

O Provart acabou por conseguir apresentar grande variedade de cervejas artesanais despertando a “curiosidade” no consumidor que inicialmente poderia nem ser grande apreciador. É natural ao provar “estranhar-se a cerveja artesanal porque é completamente diferente, em termos de sabor, das industriais, mas à medida que se prova fica-se mais recetivo a outras cervejas”. Hoje o público apreciador de cerveja artesanal “é muito grande. Tem-se verificado esse crescimento”, assegura.

Na verdade, tal como o mediotejo.net comprovou, a oferta é diversificada: cervejas frutadas, amargas, torradas e tudo o que se possa imaginar.

Na programação deste ano destacam-se duas novidades em forma de atividades desportivas que combinam a prática de fazer exercício físico com o beber cerveja, são elas, o Beer Yoga e a Celinda Beer Mile, ambas a decorrer no domingo (19) refere Carla Rodrigues.

“O Beer Yoga consiste numa modalidade onde os praticantes aprendem a fazer algumas das posições clássicas do yoga com uma garrafa de cerveja. A Celinda Beer Mile consiste numa corrida em que ao longo do percurso os atletas param para beber um copo de cerveja artesanal”, explica.

A cerveja Velhaca, de Portalegre representada no Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã, pelos seus sócios.

José Manuel, João Pedro e André são os três sócios responsáveis pela marca de cerveja artesanal Velhaca, de Portalegre. Há 10 anos que fazem cerveja mas só comercializam há dois, apresentando cinco estilos de cerveja – Weiss, Hopfenweizen, Imperial Stout, APA, American Wheat – e estando presentes em alguns mercados incluindo bares e lojas da especialidade em Lisboa.

Não vivem da produção de cerveja artesanal. Para o pão nosso de cada dia trabalham noutras atividades, produzindo cerveja como “hobby” ao fim de semana, numa capacidade de três mil litros, mas esperam um dia poder dedicar-se inteiramente às “loiras” e não só, porque as “ruivas” também marcam presença. “Estas iniciativas são muito importantes” considera José Manuel, “para mostrar que em Portugal não há só duas marcas mas outras e melhores opções”.

A Velhaca é uma cerveja premiada, com uma medalha de ouro e duas bronze no 2018 Iberian Awards Aveiro, em maio último. O nome da marca surgiu logo na primeira experiência, conta José Manuel. “Queríamos fazer uma cerveja com um grau de álcool de 5 mas fizemos com o dobro e ao provar soltámos uma expressão muito comum por terras alentejanas: eh pá, esta é velhaca!”. E Velhaca ficou.

Marco e Bárbara da cerveja Vadia, de Oliveira de Azeméis

Outro dos 16 produtores nacionais presentes na 5ª edição do Provart é responsável pela marca de cerveja Vadia, de Oliveira de Azeméis. Marco Ribeiro, responsável pelo organização de eventos da empresa com três sócios, e Bárbara fazem as apresentações e servem os copos com a bebida pedida.

A marca apresenta uma gama de onze cervejas diferentes mas ao Festival leva apenas seis: Loira, Trigo, Preta (com travo a café), Ginja e Sidra. “Vadia, ao contrário do que se possa pensar, quer apenas dizer uma rapariga boémia, que gosta de viver a vida sem complexos”, explica Marco.

A Vadia é uma das cervejas artesanais “mais antigas de Portugal, com produção desde 2006, com boa resposta por parte do consumidor”, atesta. A marca encontra-se “espalhada pelo país, e é vendida em grandes superfícies comerciais, bares, restaurantes, à pressão ou em garrafa”.

Parece que três é mesmo a conta que Deus fez, como diz o povo, a avaliar pelo número de sócios das empresas cervejeiras. Marco Dias, Bruno Ferreira e Francisco Campino são os informáticos (não sendo piratas) dos Piratas Cervejeiros, da Amadora.

Esta é uma marca de garagem. Uma “brincadeira que começou na garagem do pai de Bruno há dois anos, entretanto criamos o nosso espaço, desenvolvemos receitas e criámos a empresa e estamos a crescer um bocadinho limitados pela nossa disponibilidade”, conta.

O Piratas Cervejeiros da Amadora, Marco e Bruno, no Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã.

Mas essa limitação profissional não foi a única. “Estivemos seis meses sem trabalhar à conta do Estado português” lamenta Bruno. Explica que para obterem a Licença de Produção de Álcool “com emissão em 30 dias úteis, esperámos seis meses, com tudo pronto, instalações, máquinas, a pagar renda, água, luz eletricidade, prontos a avançar”.

“O Estado é muito amigo” dos empreendedores, desabafa. Burocracias ultrapassadas, os Piratas Cervejeiros velejam agora em velocidade cruzeiro. Na produção, tiveram de apelar a um parceiro para conseguir responder às encomendas, o que reduziu a fábrica dos Piratas “a um laboratório de desenvolvimento, onde afinamos as nossas receitas, sendo produzidas no parceiro de forma a chegar a todos os clientes”.

Os nomes atribuídos às criações cervejeiras também merecem curiosidade. Os Piratas apresentam no Festival a Joli India Pale Ale, The Quest for the Holy Gr’ale, Komoberi, Aarrr!, Os Gauleses, Ale’oween, Walk the Plank e No Barley on the Deck. “É extremamente gratificante ver que o consumidor procura a cerveja artesanal porque lhe dá outros sabores e começa a fazer a ligação com a comida”, refere Bruno.

Entre os apreciadores, no dia de abertura do Festival, encontrámos Fátima, Júlio, João Natacha e Nuno, este último alentejano a viver em Setúbal. Um grupo de amigos que não perde uma edição do Provart.

“Venho à Sertã beber cerveja e depois aproveito para visitá-los. Prefiro a cerveja artesanal por duas razões: pelo sabor superior e pelo preço igualmente superior”, graceja Nuno, referindo-se aos amigos residentes no concelho de Sertã. Além das cervejas, o grupo aprecia o ambiente e os concertos. Fátima refere guardar “todos os copos e canecas” das várias edições do Festival.

Júlio, Natacha, João, Nuno e Fátima são consumidores habituais de cerveja artesanal. Não faltam a uma edição do Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã.

Por seu lado, Júlio sublinha a diferença entre a artesanal e a industrializada. “É uma cerveja personalizada, enquanto a industrial é igual em todo o lado” nas diversas marcas.

As preferências são transversais: Weiss, IPA, Stout, APA. Mas “como este ano o Festival tem cervejeiros novos, o melhor é percorrer todos os expositores. Temos tempo, sábado e domingo também são dias” afirma Fátima.

E como a festa não se faz só com cerveja, mas também com música, “escolhida dentro dos espírito do Festival, para criar um ambiente bastante descontraído, com música dançante, procuramos artistas de música folk, algum rock, mas sempre suaves. É esse o conceito, queremos animação acima de tudo”, sublinha Carla Rodrigues.

Para completar, o cartaz musical e animação de rua conta com Cais Sodré Funk Connection, Farra Fanfarra, Dj Tom Violence, Soul Brothers Empire, Blue Ribbon Healers, uma Jam Session à moda do Provart que convida ao improviso, e ainda momentos de magia e espetáculos com Andrea Mariani Clown.

Provart – Festival de Cerveja Artesanal da Sertã.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 COMENTÁRIO

  1. Um abraço para a Sertã onde tenho alguns amigos !
    Como antigo aluno do IVS ( Cernache do Bonjardim ) não posso deixar de me congratular por mais esta
    5ª edição do Provart desse Concelho ( dessa Beira Baixa que eu tanto gosto !) ! Espero, por isso, em
    próxima oportunidade poder ir aí e provar esses diferentes sabores da cerveja artesanal !
    Que passe a ser (se não é já ! ) uma Boa Tradição !

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