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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Sertã: Projeto aposta na preservação das tradições gastronómicas e artesanais

Chama-se “Tradições de Celinda” e aqui o maranho, o bucho e os cartuchos de amêndoa de Cernache do Bonjardim são os reis. Não estamos a falar de um restaurante, mas sim do projeto que a Aproser- Associação de Produtores do Concelho da Sertã está a desenvolver e que tem por objetivo a certificação dos produtos tradicionais do concelho.

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Preservar as tradições gastronómicas e artesanais do concelho é o que se pretende com as “Tradições de Celinda”, um projeto que nasceu em dezembro de 2014 e que, neste momento, está prestes a conseguir a certificação de três produtos do concelho: o maranho, o bucho e os cartuchos de amêndoa de Cernache do Bonjardim. E, no futuro, é intenção da associação estender esta certificação a outros produtos alimentares e também ao artesanato local.

serta_cartuchos de cernache_foto Aproser
Os cartuchos de Cernache do Bonjardim são um dos produtos do concelho da Sertã que está prestes a obter certificação

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“Isto é uma proteção, aqueles três produtos que agora vão ser alvo de qualificação vão ter uma proteção de indicação geográfica protegida, são registados primeiramente em Portugal e depois na União Europeia, é como se fosse uma marca europeia”, explica ao mediotejo.net Nuno Farinha, da Aproser.

A Associação de Produtores do Concelho da Sertã foi constituída precisamente para que este projeto das “Tradições de Celinda” tivesse andamento, já lá vai mais de um ano. Foi feita uma candidatura a um programa de apoios da EDP Produção e as “Tradições de Celinda” foi um dos 14 projetos contemplados com uma verba financeira, entre 122 candidaturas nacionais apresentadas.

O projeto, que está agora na segunda fase, envolve a participação dos produtores (gastronomia e artesanato) em exposições, em feiras que se desenvolveram nos concelhos vizinhos, mas também estiveram, no ano passado, na Feira Internacional de Artesanato de Lisboa, para além de mostras ao vivo, explica Nuno Farinha.

Paralelamente, ao longo deste último ano, tem vindo a ser desenvolvido todo o trabalho que envolve o processo de certificação dos três produtos regionais: o maranho, o bucho e os cartuchos. “São processos morosos, não traz resultados práticos imediatos porque há um grande trabalho que é feito por trás e que não se vê mas quando a qualificação for aceite, vai trazer resultados para a região”, afirma Nuno Farinha.

O maranho da Sertã distingue-se dos demais que se produz pelo país, devido à variedade de carnes que é usada na sua confeção

O que se pretende é preservar a maneira artesanal e ancestral como se produzem os produtos gastronómicos e o artesanato. A título de exemplo, Nuno Farinha faz referência ao maranho da Sertã “que aqui é feito de forma diferente de outras partes do país e o objetivo é fazer esta separação e dizer que o maranho da Sertã é feito de determinada forma e estamos a protege-lo, a certificá-lo a qualificá-lo desta maneira”.

No futuro, o objetivo da Aproser “é ir agora para outras áreas e já há interessados em produtores de coscoréis, que é outro produto tradicional da zona, de queijos, de empadas, entre outros”, refere Nuno Farinha.

Uma das fortes apostas da Associação é também desenvolver o design da embalagem e da rotulagem dos produtos, dando esse apoio aos produtores da Sertã. “Alguns não têm essa mentalidade de aposta no design e pensam que a imagem não conta, mas conta e estamos a tentar mudar essas mentalidades aos poucos”, refere o técnico da Aproser.

Após um ano do desenvolvimento do projeto, Nuno Farinha faz um balanço positivo: “os produtores já estão a sentir os benefícios em aderir a este projeto porque já participaram em feiras, já foi dinamizada a imagem deles e o objetivo é evoluir e eles têm notado isso, o consumo de maranho, bucho e cartucho tem vindo a subir e ao longo dos últimos 5 anos essa evolução tem sido maior e até já temos produtores que enviam produtos para Lisboa e para o Porto, para lojas gourmet”.

“O maranho já é embalado em vácuo, já tem uma validade maior e mantém as mesmas propriedades quase iguais como se tivesse sido acabado de cozinhar em casa, em termos sensoriais não perde nada”, salienta o técnico.

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Os coscoréis são um produto tradicional da Sertã que, no futuro, também poderá vir a ter certificação

No futuro, produtos alimentares como os coscoréis, “que já estão a ser comercializados em Lisboa”, e as tradicionais bonecas de Palhais que são feitas com canela, também serão alvo de certificação, à semelhança do que também se pretende fazer com o medronho, o mel e o azeite do concelho da Sertã.

Produtos da região em concursos nacionais

Para este ano, a Aproser tem já prevista a dinamização da Oficina do Artesanato, um projeto promovido pela autarquia local mas que será da responsabilidade da associação, e que consiste num espaço onde diversos artesãos concelhios vão estar a trabalhar os seus produtos, a vender e a ensinar quem esteja interessado. Este novo espaço deverá abrir durante o mês de abril e funcionará numa das salas da Escola Primária Conde Ferreira, na Alameda da Carvalha.

Por outro lado, “temos intenção de criar um catálogo com os produtores associados e os produtos que têm para oferecer, com o logotipo do produtor, contactos e fotos dos produtos que comercializam”, refere Nuno Farinha.

A Aproser, para além de continuar a apostar na presença em feiras e exposições para divulgar os produtos locais, vai participar com alguns produtos em concursos nacionais de produtos locais.

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Nuno Farinha, um dos técnicos da Aproser que presta diverso tipo de apoio aos produtores do concelho

Com uma equipa de dois técnicos, Nuno Farinha e Susana Marques, a Aproser está a trabalhar em parceria com a Inser – Incubadora Empresarial da Sertã auxiliando no tratamento de todos os processos ligados a empreendedores da área do artesanato ou da área alimentar, bem como em termos de rotulagem.

No decorrer deste ano, a associação vai ainda promover algumas ações de formação gratuitas.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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