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Terça-feira, Setembro 21, 2021

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Sertã | PJ descobre cadáver que se supõe ser de britânico desaparecido há um ano

As pesquisas e buscas realizadas pela Polícia Judiciária num terreno florestal, na zona de Pedrogão Grande, distrito de Leiria, resultaram na descoberta de ossadas humanas, “presumivelmente de um cidadão britânico, desaparecido no ano transato”, no concelho da Sertã, refere a PJ em comunicado.

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Os inspetores da PJ estão no terreno e para localização do cadáver tiveram de recorrer a metodologias técnico-científicos de arqueologia forense, bem como a equipamentos de georadar.

Os restos mortais encontrados vão ser removidos para o  Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses  (INMLCF), para a realização da respetiva autopsia.

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A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Centro e do Laboratório de Polícia Científica, iniciou esta investigação por suspeita de crime de homicídio há cerca de um ano, trabalho que está a ser feito “em estreita colaboração com as autoridades policiais do Reino Unido, prosseguindo com vista ao cabal esclarecimento dos factos”, esclarece o comunicado.

Joel Eldridge, de 30 anos, mudou-se para Portugal em janeiro de 2018 para trabalhar, instalando-se na localidade de Macieira, freguesia de Troviscal, concelho da Sertã, e terá mantido contacto com a família e amigos até meados de julho do ano passado através das redes sociais.

Há poucos meses, a família lançou um apelo público por informação. “Nós sabemos que alguém deve saber alguma coisa. Por favor, se souberem de alguma coisa, se ouviram rumores sobre onde o Joel possa estar, se viu o Joel, que foi a última pessoa a vê-lo, por favor entre em contacto com a Polícia de Sussex e diga o que sabe”, pediu a mãe de Joel Eldridge, Jacki.

O apelo, feito em vídeo, foi divulgado através da página de Internet da Polícia do condado de Sussex, a sul de Londres, na tentativa de resolver o mistério do desaparecimento.

Porém, a família considera invulgar a falta de notícias e deu conta do desaparecimento no final de agosto do ano passado, tendo também iniciado uma campanha na Internet para o encontrar e visitado Portugal no final de outubro para procurar mais informação.

Detetives da Equipa de Crimes Graves da região de Surrey e Sussex trabalham em colaboração com a Polícia Judiciária e deslocaram-se ao país, onde o caso está a ser tratado como uma potencial morte suspeita e a ser investigada por agentes da PJ especializados em homicídios.

“As nossas investigações, em apoio às dos investigadores portugueses, levam-nos a crer que o Joel sofreu nas mãos de outros quando estava em Portugal”, adiantou o inspetor-chefe da polícia britânica, Chris Friday, num comunicado enviado em março à agência Lusa.

Pais procuraram apoio dos jornalistas na Sertã em outubro de 2018

Num pedido de conferência de imprensa realizado em outubro de 2018 na Sertã por meio da embaixada britânica, os pais de Joel Eldridge começaram a apelar por notícias à imprensa regional. Segundo narraram na ocasião a vários órgãos de comunicação social, incluindo mediotejo.net, Joel Eldridge deslocou-se a Portugal na sequência de uma prolongada situação de instabilidade laboral e uma promessa de trabalho na construção civil juntamente com alguns amigos ingleses. Estava a viver em Macieira, Sertã, e trabalhava em Pedrógão Grande. Nos inícios de julho de 2018 deixara de dar notícias à família.

“Algo não está bem… Só queremos encontrar o Joel e levá-lo para casa”, explicou Jacqueline Eldridge, a mãe, aos jornalistas. Os pais inicialmente pensaram que o filho estaria com muito trabalho e que, por isso, não telefonava. Com o decorrer dos dias sem que houvesse qualquer contacto – algo pouco usual no filho, garantiram -, com a atividade no Facebook estagnada e sem registo de movimentos na conta bancária, os pais dirigiram-se à polícia britânica para participar o seu desaparecimento. O caso foi reportado às autoridades portuguesas, chegou à GNR da Sertã e encontrava-se a ser investigado pela PJ de Coimbra desde final de setembro.

“Sabíamos que o Jo estava deprimido e que queria regressar a Inglaterra”, comentou Jacqueline. O trabalho em Portugal seria diferente do que o jovem estava à espera e passara a viver numa zona bastante isolada, não tendo sequer carta de condução. Algum mau ambiente entre o grupo de amigos ingleses, com quem foi viver para uma casa arrendada em Macieira, tê-lo-á levado a abandonar a aldeia da Sertã por algum tempo, mas acabaria por regressar, adiantaram os pais.

Uma das últimas fotos que Joel Eldridge publicou no Facebook, a 2 de julho. A última atividade pública registada é de 6 de julho. Foto: DR

Após a participação do desaparecimento, o casal terá sido aconselhado pelas autoridades a deixar as forças policiais trabalharem. Com o passar dos meses, porém, Alan e Jacqueline decidiram vir eles próprios a Portugal, tendo chegado à Sertã a 19 de outubro e realizado a sua própria busca na Macieira. O grupo de amigos ingleses entretanto dispersou, sendo que os que permanecem na aldeia terão dito ao casal que Joel regressara a Inglaterra.

Joel não tinha filhos e era solteiro. Em Inglaterra frequentava bastante o ginásio e, com o seu 1,78m e uma fisionomia musculada, era um homem que não passa despercebido.

A aldeia de Macieira, no concelho da Sertã. Foto: mediotejo.net

Macieira fica a cerca de 15 quilómetros a norte de Sertã e 16 quilómetros a sul de Pedrógão Grande. O caminho é feito em estradas estreitas e acidentadas, num ziguezague por vezes a pique, subindo e descendo a serra, situando-se a localidade meio isolada entre o eucaliptal, ainda com marcas dos grandes incêndios do ano passado. Há uma capela, um café, uma mercearia. Pouco mais.

Na localidade, o mediotejo.net procurou falar com alguns moradores. A situação do desaparecimento do inglês era conhecida da população, tendo as autoridades já visitado a aldeia e feito por ali algumas perguntas.

O grupo britânico visitava frequentemente o café local, mas Joel pouco interagia com a população, até porque não sabia falar português. “Era simpático, mas não falava com ninguém. Os restantes amigos viam-se mais”, comentou uma moradora; “Bom dia, boa tarde… Ele não sabia português, eu não sei inglês”, recordou outra habitante. Entretanto, o jovem deixou simplesmente de aparecer.

Não havia sinais da sua partida do local mas também nada ficou da sua bagagem, nomeadamente uma guitarra que trazia sempre consigo. Era impossível, garantem os pais, que Joel tivesse ido embora da aldeia carregando sozinho todas as suas malas. Os pais estranharam ainda que ele nada dissesse sobre uma possível “mudança”, sendo que já tinha manifestado vontade de regressar a Inglaterra. “Já ajudámos o Jo no passado, sabemos que numa situação destas nos pediria ajuda”, garantiram.

*c/ Cláudia Gameiro

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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