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Sábado, Setembro 18, 2021

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Sertã | Município prepara desafio de recolher e tratar biorresíduos

Até ao final de 2023, os Municípios portugueses estão obrigados a implementar um sistema de separação e reciclagem dos biorresíduos, que incluem os resíduos verdes (de jardins, por exemplo) e os resíduos alimentares (que resultam da preparação e consumo de alimentos).

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Para começar a preparar respostas a este desafio, o Município da Sertã avançou com um “Estudo para o Desenvolvimento de Sistemas de Recolha de Biorresíduos”, tendo a versão preliminar sido apresentada publicamente no dia 14 de julho.

Coube a Bruno Cunha, da empresa Fénix Ambiente, apresentar o documento, que está disponível no site do Município.

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O que o Município da Sertã pretende é definir “um modelo de gestão de resíduos eficaz, flexível e aglutinador que absorva todos os princípios fundamentais e inovadores no que a esta matéria se refere”. Isto tendo em conta “a crescente necessidade de minimizar a produção de resíduos e de assegurar a sua gestão sustentável, a par da contínua inovação tecnológica e a indiscutível diminuição da capacidade do ambiente para acolher os resíduos gerados pela sociedade”.

O estudo apresentado define um “plano de ação e de investimento para a operacionalização da recolha seletiva de biorresíduos conducente à sua valorização, seja através da implementação de uma rede de recolha seletiva de biorresíduos seja pela separação e separação e reciclagem na origem através da implementação da compostagem doméstica ou comunitária”.

A autarquia sertaginense lembra que “os biorresíduos representam uma grande quantidade de recursos que podem ser utilizados em novas aplicações”. 

“Numa bioeconomia circular, a reciclagem dos biorresíduos é uma estratégia crucial para otimizar o uso de biomassa existente, através, por um lado, dos processos eficientes de compostagem que produzem o composto que enriquece os solos com nutrientes e atua como um repositório de carbono e, por outro, a digestão anaeróbia que pode ser utilizada para a produção de energia”, lê-se na introdução ao estudo.

Daí considerar-se “crucial a transição para uma recolha seletiva de biorresíduos, pois só desta forma será conseguida a recuperação dos produtos que resultam do seu tratamento”.

Ao longo das 64 páginas do documento, é feito uma caracterização do território da Sertã e um diagnóstico sobre o tema, ao mesmo tempo que se procura “identificar as melhores soluções a implementar com vista a assegurar que os biorresíduos são separados e reciclados na origem ou recolhidos seletivamente com a máxima eficiência pelos sistemas em baixa e devidamente encaminhados para tratamento nas infraestruturas dos sistemas em alta, de modo a obter benefícios económicos globais na sua valorização, evitando em paralelo os custos e impactos decorrentes da necessidade de eliminação deste tipo de resíduos”.

É um desafio para o Município implementar no terreno um novo sistema num concelho bastante disperso, que produz 46,38% de resíduos indiferenciados, dos quais 32,93% são alimentares e 13,45% verdes, segundo dados da VALNOR referentes a 2019. Sertã é um dos 25 Municípios que integram a Valnor, entidade gestora em alta.

A frota do Município da Sertã para recolha de resíduos é de três viaturas de 15 m3 e de uma viatura de 7 m3 para recolha de monos/verdes, estando a decorrer o processo de aquisição de equipamento de lavagem de contentores.

Neste território, o serviço de recolha de resíduos está distribuído em 32 circuitos de recolha, afetos a três equipas de trabalho. Os circuitos são realizados em dias úteis, quinzenalmente. Dois desses circuitos são efetuados ao sábado, semanalmente, efetuando a recolha no centro da freguesia da Sertã e em Cernache de Bonjardim.

Um caminho já iniciado

A preocupação com os biorresíduos não é nova no Concelho da Sertã. O Município já possui há alguns anos um projeto de compostagem nos viveiros municipais onde valoriza os resíduos verdes oriundos da manutenção dos espaços verdes que, após tratamento, são utilizados na fertilização e correção de diversos solos do município. No entanto, não há contabilidade das quantidades processadas.

Além disso, através de uma parceria com a Palser – Bionergia e Paletes, Lda., são disponibilizados aos munícipes dois contentores de grande capacidade, um na freguesia da Sertã e outro na União de freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, para colocação de resíduos verdes e posterior valorização energética. Em 2019 foram recolhidas 278,4 toneladas de resíduos verdes. Em 2019 e 2020 foram recolhidas, seletivamente, 278,4t e 385t de resíduos verdes, respetivamente. Estes resíduos verdes recolhidos são encaminhados para valorização energética.

Soluções estão na origem

Através do estudo e tendo em conta a realidade do território, a empresa Fénix Ambiente concluiu que “a recolha seletiva de biorresíduos no Município da Sertã, e respetivas freguesias, é inviável”.

Procurou-se então identificar as soluções mais vantajosas ao nível técnico, ambiental, económico e social, identificando-se diferentes soluções, por zona geográfica, a juntar àquilo que já se faz.

Está prevista a compostagem doméstica para utilizadores domésticos a abranger a maioria do território do concelho.

Essencialmente em duas vilas do concelho, Sertã e Cernache do Bonjardim, está prevista a compostagem comunitária para os utilizadores domésticos, enquanto que para os não domésticos (hotelaria, restauração e cafetaria) propõe-se a compostagem comunitária através de biocompostores.

Quanto aos resíduos verdes, o estudo propõe a recolha seletiva por marcação para os utilizadores domésticos, a abranger todo o território.

Está previsto que os investimentos para implementar o sistema de recolha e valorização de biorresíduos sejam distribuídos ao longo dos anos “de modo a permitir uma implementação faseada e eficaz”.

Esses investimentos passam por Compostores Domésticos, Kit de compostagem doméstica (balde de cozinha e manual de utilização de compostor), Compostores Comunitários, Biocompostores Comunitários, Viaturas Elétricas de apoio à compostagem Comunitária, Viatura de Caixa Aberta para recolha de Bioresíduos verdes, Campanhas de Sensibilização e ainda Monitorização e Fiscalização, estimados em 844.702 euros + IVA até 2030, sendo cerca de metade até 2023.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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