Sertã | FestIn volta a aquecer o concelho no inverno (c/ entrevista)

FestIn 2018. Fotos: DR

O FestIn começa este sábado, dia 3, e volta a levar concertos gratuitos em que se canta em português à Casa da Cultura da Sertã e à Igreja Matriz de Cernache do Bonjardim até 31 de março. Conversámos com Pedro Ferrão, o mentor do projeto, sobre o festival que aquece o concelho no inverno com um ambiente intimista e na segunda edição passou a juntar o sotaque brasileiro ao deste lado do oceano Atlântico.

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Pedro Ferrão nasceu na Sertã e assume-se como um amante de música desde que se lembra. Sabe tocar trompete, nos tempos de estudante chegou a ser Dj e já na vida de adulto questionou-se “se saio daqui para ir a festivais porque não fazer qualquer coisa cá?”. O pensamento transformou-se em ideia e dela nasceu o FestIn, o festival de música portuguesa que se realiza no concelho desde 2017.

A proposta foi feita à Câmara Municipal da Sertã, que aceitou e se tornou entidade parceira e financiadora, e para o primeiro cartaz foram escolhidos os nomes de Tio Rex , Birds Are Indie, Noiserv e Um Corpo Estranho. O primeiro e os últimos regressam este ano e, em resposta ao desafio lançado por Pedro Ferrão, fecham o programa juntos com a tertúlia musical “O Pulsar das Tragédias”.

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“Preguiça” dos Namari, a primeira banda do cartaz

Estão marcados três concertos antes desta hora e meia de conversa e música que se torna na “cereja em cima do bolo” do festival idealizado pelo docente de inglês sertaginense. O FestIn não foi forjado nos moldes dos grandes festivais de verão, antes pelo contrário, a essência é a de um festival de inverno com ambiente intimista e familiar que “aproxime as pessoas das bandas”.

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Pedro Ferrão confirma que a aposta é arriscada e o risco aumenta se lhe juntarmos as propostas musicais que considera “fora da caixa”. O também autor dos livros “Noel e o Espírito de Natal” e “Onde Moram as Coisas” contrapõe com o facto de gostar de partir para os concertos sem expetativa e de ser nos de pequena dimensão que “acontecem coisas diferentes e com uma qualidade bestial”.

Pedro Ferrão é o mentor e produtor do FestIn. Foto: Pedro Ferrão

Com o FestIn, o gosto de ser surpreendido foi complementado pelo gosto de surpreender e a vontade de “levar as pessoas a fazer algo diferente” e “a conhecer coisas novas”. As novidades deste ano são os ritmos dos Namari e dos músicos Gobi Bear e Luca Argel, que partilham o cartaz com os sons e histórias de Miguel Reis (Tio Rex) e a dupla João Mota e Pedro Franco (Um Corpo Estranho).

A lusofonia estará presente este sábado no timbre de Mariane e os instrumentos de Bernardo, Tico, Ricardo e Sérgio e regressa no concerto de Luca Argel, poeta e cantautor brasileiro radicado no Porto que estabelece intimidade entre a voz e o violão a 17. Entre ambos há tempo para uma voz diferente, a de Gobi Bear (alter-ego de Diogo Alves Pinto), gerar cumplicidade com as cordas da guitarra, sem esquecer o live looping e o indie folk, a 10.

“Scarecrow in the Rain”, de Gobi Bear que atua na Igreja Matriz de Cernache do Bonjardim

Luca Argel atua na Igreja Matriz de Cernache do Bonjardim e a Casa da Cultura da Sertã é o palco dos concertos de Namari e Gobi Bear e da tertúlia musical com Tio Rex e Um Corpo Estranho, sempre às 22h00. O organizador espera ter “casa cheia ou quase cheia” nos dois locais e, à semelhança da primeira edição, o público pontual se misture na plateia com aquele que acompanha todo o festival.

Pedro Ferrão confirma que já existem ideias para a edição de 2019, mas não as avança. Prefere esperar e ver como corre a segunda edição do FestIn. Só depois fará o que gosta de fazer, surpreender no festival em que, diz inspirado no slogan publicitário desenvolvido por Fernando Pessoa para a Coca-Cola, “as pessoas primeiro estranham e espero que depois se entranhe”.

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