Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Domingo, Setembro 26, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sertã | Defesa de engenheiro incendiário quer que este seja considerado inimputável

Advogado de Nelson Afonso confirmou ao mediotejo.net que deu entrada com um requerimento ao tribunal de Castelo Branco para que, através de uma perícia médica, seja avaliado “o estado emocional e psicológico do arguido”.

Luís Pires, advogado de Nelson Afonso, engenheiro eletrotécnico suspeito de ter ateado 16 fogos florestais na Sertã e concelhos vizinhos nos últimos cinco anos, apresentou um requerimento ao tribunal de Castelo Branco para que, através de uma perícia médica, seja avaliado “o estado emocional e psicológico do arguido”.

- Publicidade -

Questionado pelo mediotejo.net sobre se o objetivo é que o arguido seja considerado inimputável (ou seja, que não pode ser responsabilizado e punido pelos seus atos), o jurista esclareceu que compete aos médicos analisar e ajuizar o estado de saúde mental do suspeito.

Fez no entanto notar “o histórico do arguido”, lembrando o que ele sofreu com a morte do pai num acidente de trator há poucos anos. Desde então, Nelson Afonso, de 38 anos, vivia sozinho com a mãe em Mosteiro de São Tiago, no concelho da Sertã. Trabalhava numa fábrica de transformação de madeiras, em Oleiros, mas, apesar de ser considerado um profissional exemplar, era visto como uma pessoa muito reservada.

- Publicidade -

O seu perfil no Facebook já não é atualizado há vários anos. O seu último post data de 2016 e é uma fotografia do próprio, sozinho, de pé, a agarrar um arbusto num jardim. Solteiro e benfiquista fervoroso, apresenta como citação favorita: “Água parada não move moinho”.

Estudou na Sertã até ao ensino secundário e depois concluiu a Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e das Telecomunicações na Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco.

No primeiro interrogatório judicial, Nelson Afonso alegou problemas de estabilidade psicológica e não conseguiu justificar algumas situações em que é suspeito, problemas que os peritos médicos vão agora avaliar.

O advogado Luís Pires, de Castelo Branco, disse ao mediotejo.net que já teve oportunidade de consultar o processo, dando conta de que se trata de um processo “bastante extenso”, com cerca de 3 mil páginas.

“Ainda não decidimos se vamos recorrer da medida de coação que foi decretada (prisão preventiva)”, adiantou. Dada a natureza urgente do processo, o prazo de 30 dias para recurso continua a correr mesmo durante as férias judiciais.

O jurista ressalva também que, a cada três meses, a medida de coação é revista oficiosamente. Ou seja, o tribunal analisa se mantém ou altera, neste caso a medida de prisão preventiva.

Sendo certo, faz notar o advogado, que “daqui a três meses o perigo de continuação da atividade ilícita já é bem menor”, uma vez que a época dos incêndios já terminou, o que significa “mais fundamentos para o tirar da prisão preventiva”.

Para já, Nelson Afonso mantém-se no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco e nesta altura encontra-se isolado, em quarentena, devido à pandemia. Durante 14 dias não pode receber visitas.

Um dos dispositivos incendiários investigados pela Polícia Judiciária. Créditos: PJ

Fora do perfil dos incendiários

Depois de vários anos de investigação, a PJ aponta Nelson Afonso como sendo o responsável, desde 2017, por alguns dos maiores incêndios que atingiram a zona do Pinhal Interior, no distrito de Castelo Branco, bem como pelo incêndio de Mação que destruiu 33 mil hectares de floresta, em 2017. A PJ apreendeu 16 engenhos nos locais incendiados e que foram alegadamente construídos por Nelson Afonso, mas acredita que possam ter sido mais os incêndios provocados.

O suspeito foi detido pela PJ no dia 19 de julho, depois de um fim de semana em que deflagraram quatro focos de incêndio na Sertã e em Proença-a-Nova.

Este caso suscita maior interesse por parte dos investigadores uma vez que foge totalmente ao perfil do incendiário: baixa escolaridade, morador em zona rural, consumidor de álcool ou com outras dependências, com problemas do foro mental ou com atraso cognitivo.

No caso de Nelson Afonso, um homem com formação superior, qualificado, visto com uma pessoa culta, inteligente e com uma vida estabilizada, o que motivaria a sua faceta oculta de incendiário, segundo a investigação policial, era ver o pânico dos moradores e proprietários a fugirem ao fogo e toda a movimentação no teatro de operações.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome