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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Sertã | Como se faz o ‘Maranho da Sertã’, produto protegido a nível nacional? (c/video)

O ‘Maranho da Sertã’ foi considerado esta sexta-feira um produto protegido a nível nacional com Indicação Geográfica (IG), através de despacho da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural publicado em Diário da República. O mediotejo.net quis saber como se faz tradicional maranho e foi Odete Farinha, cozinheira há mais de 40 anos, que nos ensinou os truques e segredos deste produto tradicional procurado por muitos apreciadores durante todo o ano, um video que agora republicamos para os apreciadores.

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Foi na cozinha do restaurante Ponte Velha, na Sertã, que Odete Farinha, cozinheira há mais de 40 anos na empresa Santos e Marçal e chefe de cozinha deste restaurante, nos ensinou a confecionar o tradicional maranho da Sertã. Neste espaço de restauração são feitos cerca de 200 kgs de maranhos por semana, valor que mais que duplica nos dias do Festival de Gastronomia da Sertã, o que prova que, de facto, este é um produto muito apreciado e procurado, não só por turistas, como também pelos locais.

Odete Farinha é chefe de cozinha do restaurante Ponte Velha, na Sertã (Foto: mediotejo.net)
Odete Farinha é chefe de cozinha do restaurante Ponte Velha, na Sertã. Foto: mediotejo.net

A história do maranho da Sertã está ligada às condições socioeconómicas que se viviam no concelho, em que a cabra e o borrego existiam em abundância e havia a necessidade de aproveitar todas as partes dos animais. No início, o consumo deste produto foi muito regular. Mais tarde passou a estar presente em ocasiões festivas e hoje faz parte da maioria das ementas dos restaurantes da região.

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O típico maranho da Sertã tem um aroma e sabor muito característicos, onde a hortelã e a carne de cabra ou de borrego predominam.

A carne de cabra, ou borrego, e a hortelã são os aromas típicos do tradicional maranho da Sertã (Foto: mediotejo.net)
A carne de cabra, ou borrego, e a hortelã são fundamentais no tradicional maranho da Sertã. Foto: mediotejo.net

Mas, afinal, como é que se faz o tradicional maranho da Sertã? Odete Farinha ensina-nos: primeiro que tudo, há que ter um bucho de cabra, também conhecido como bandouga, que é muito bem lavado com água, sumo de limão e, depois de preparado, cose-se com linha e agulha de forma a conseguir um saco.

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Corta-se a carne de cabra em pedacinhos, bem como o chouriço, toucinho entremeado e presunto migados. Tempera-se com sal, pimenta e vinho branco e mistura-se tudo muito bem. A este preparado de carnes, junta-se a hortelã cortada em pedacinhos, afinal é esta erva aromática que vai dar todo o sabor característico do maranho. Volta a envolver-se tudo muito bem. O arroz, ao qual é misturado um pouco de azeite para, segundo ensina Odete Farinha, “permitir que o arroz fique mais solto depois de cozido”, é também adicionado à mistura das carnes.

Não esquecer de adicionar um pouco de sumo de limão “para que a hortelã não fique escura e fique verdinha”, sublinha Odete Farinha

Depois de tudo muito bem envolvido, eis que o maranho está pronto a encher. “Não convém ficar muito cheio”, alerta Odete Farinha. Depois de cheio, o maranho é cosido com agulha e linha, fica fechado e vai a cozer, mais ou menos durante hora e meia.

E assim temos um saboroso maranho da Sertã.

Durante o Festival Gastronómico do Maranho, o restaurante Ponte Velha serve mais de 400 kgs desta iguaria por dia (Foto: mediotejo.net)
Durante o Festival Gastronómico do Maranho, o restaurante Ponte Velha serve mais de 400 quilos desta iguaria por dia. Foto: mediotejo.net

O ‘Maranho da Sertã’ foi considerado um produto protegido a nível nacional com Indicação Geográfica (IG), através de despacho da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural publicado na sexta-feira em Diário da República.

Em nota de imprensa, José Farinha Nunes, presidente da Câmara Municipal da Sertã, afirmou estar “muito satisfeito com a notícia”, dando conta que “este é o corolário de um longo processo de certificação do Maranho, que o município da Sertã empreendeu, conjuntamente com a Associação de Produtores do Concelho da Sertã” (Aproser).

“Sempre acreditámos na viabilidade deste projeto de certificação, que considerávamos fundamental para a afirmação do Maranho. O Maranho necessitava desta proteção legal e a Sertã pode assim reforçar o seu estatuto enquanto terra de origem desta iguaria que é produzida no nosso concelho há mais de dois séculos”, sublinhou o autarca da Sertã, no distrito de Castelo Branco.

*Entrevista de Margarida Serôdio publicada em julho de 2016. Revista e atualizada em junho de 2020 no âmbito da certificação do Maranho da Sertã com Indicação Geográfica (IG), através de despacho da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural publicado em Diário da República.

**c/Mário Rui Fonseca

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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