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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Sertã | Cernache do Bonjardim, uma vila com 66 anos e a esperança num futuro melhor

Uma exposição, a inauguração do novo campo polidesportivo, homenagens e concertos fazem parte do programa de comemorações do 66º aniversário da vila de Cernache do Bonjardim, no concelho da Sertã, que ontem se iniciaram e continuam durante o fim de semana.

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Há 66 anos, Eduardo Patrício, um cernachense quase nonagenário que participa ativamente na vida local, estava a dar instrução militar em Moçambique. Na Rádio Clube de Nampula os militares ouviram a notícia de que Cernache do Bonjardim tinha subido ao estatuto de vila. Sabendo que o aspirante a sargento Eduardo Patrício era daquela terra, saudaram-no e obrigaram-no a pagar uma cerveja a cada um. O episódio foi relatado pelo próprio no passado dia 20 de agosto, minutos antes do início das comemorações do aniversário da vila, sede da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais e do Clube Bonjardim.

O programa começou com a abertura da exposição “Nuno Álvares Pereira: evidências e legado no concelho da Sertã”, no Ateliê Túllio Victorino, momento em que o Presidente da Câmara, José Farinha Nunes, interveio para destacar a história, as potencialidades e os projetos para a vila, onde, na sua opinião “se respira futuro”.

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E esse futuro, diz, “já está a ser preparado, através de uma série de investimentos que com certeza colocarão a vila na rota de grandes projetos. Falo do SerQ, do Seminário das Missões, do Instituto Vaz Serra, do futuro mercado municipal”.

A vila que viu nascer a figura de D. Nuno Álvares Pereira, e outras personalidades mais recentes como Cândido Teixeira, Abílio Marçal ou Libânio Vaz Serra, é, para Farinha Nunes, “um local especial, onde as suas gentes partilham uma identidade muito própria e característica”. Para o autarca “há um sentir bairrista que corre nas veias de todos os cernachenses e que os leva a defender a sua terra de um modo muito especial”.

ÁUDIO | Discurso de Farinha Nunes, presidente da Câmara Municipal da Sertã

Nos séc. XX, Cernache “deixou o imobilismo e atavismo em que vivia no século XIX”, como sublinhou o Presidente, que lembrou factos marcantes como a fundação da Companhia Viação de Sernache, a construção da Casa do Povo, a inauguração do subposto da GNR, a fundação do Grupo Desportivo Viação de Sernache, a chegada da eletricidade, a criação do Instituto Vaz Serra, a construção da nova ponte do Vale da Ursa, o abastecimento de água e a inauguração do edifício do Centro de Assistência Social Beato Nuno de Santa Maria.

Foram aliás, alguns destes factos a juntar ao “notável incremento industrial e comercial da referida freguesia” e às “boas vias de comunicação”, que serviram de argumento para a elevação ao estatuto de vila, conforme se pode ler no decreto assinado por Craveiro Lopes e publicado no Diário da República de 20 de agosto de 1955.

“Uma freguesia viva”

Ao ler este documento, a Presidente da Junta de Freguesia confessa que se emocionou, porque o seu território alcançou um grande desenvolvimento, apesar de ter registado uma redução da população.

“Passados 66 anos, temos tantas coisas mais, mas falta-nos o essencial que são as pessoas. Temos muita menos população que tínhamos há 66 anos, mas estamos cá e estamos de pedra e cal”, afirmou Filomena Bernardo ao mediotejo.net

Para a autarca, comemorar a data “significa muito”, pela história que Cernache encerra e pelo que a vila conquistou no último século.

ÁUDIO | Filomena Bernardo, presidente da Junta de Freguesia de Cernache do Bonjardim

Na vila, destaca a fábrica de confeções Viviana, que ali labora há mais de 30 anos, empregando quase 80 operárias. Em contraponto refere as sucessivas promessas e a falta de investimento na EN 238, que considera ser “o calcanhar de Aquiles” da freguesia.

“Somos uma freguesia três em um (com Nesperal e Palhais), somos uma freguesia viva. Sou uma presidente orgulhosa”, confessa Filomena Bernardo.

Décio Ramos (à esqª), o benemérito que financiou o recinto desportivo. Foto: mediotejo.net

Após a inauguração da exposição “Nuno Álvares Pereira: evidências e legado no concelho da Sertã”, no Ateliê Túllio Victorino, a comitiva seguiu para o recinto do novo Polidesportivo do Clube Bonjardim, frente à antiga Escola Primária.

O campo resulta do donativo de um sócio benemérito, Décio Ramos. A Câmara da Sertã contribuiu com 15 mil euros destinados à construção da base do campo. Em declarações ao mediotejo.net, o empresário Décio Ramos mostrou-se feliz por contribuir para a tua terra e para que as crianças e os adultos tenham um espaço onde possam praticar desporto.

A cerimónia inaugural começou com os agradecimentos pelo Presidente do Clube, António José Simões, e a entrega de lembranças aos autarcas e ao sócio benemérito, seguindo-se a bênção pelo Padre Paulo Ribeiro.

Coube ao benemérito Décio Ramos e ao cidadão Eduardo Patrício dar o pontapé de saída no primeiro jogo no campo em que participaram algumas crianças da vila.

Autarca de Cernache com a família de Antunes da Silva. Foto: mediotejo.net

Reconhecer o mérito

Dali a comitiva seguiu para o Auditório da União de Freguesias, onde decorreu a cerimónia de homenagem a Vasco Nunes atleta que aos 12 anos é Campeão Regional de Ténis tendo conquistado 15 primeiros lugares em competições e três segundos lugares.

Seguiu-se a entrega do Prémio Dr. Antunes da Silva a Marina Ramos, aluna da união de freguesias que ingressou com média de 18 no curso de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior.

O programa das comemorações dos 66 anos da vila prossegue neste fim de semana. No dia 21 de agosto, o Jardim da Memória, em Cernache do Bonjardim, é palco do concerto de Tiago Silva, a partir das 21h30, a ser também transmitido em direto nas plataformas digitais do Município da Sertã.

A 22 de agosto, as comemorações da elevação de Cernache do Bonjardim a Vila encerram com o concerto da Filarmónica União Sertaginense, às 17 horas, no Jardim da Memória.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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