Sertã | Autarca fala em “oportunidade” mas teme “visão castradora” na revisão do Plano de Ordenamento de Castelo do Bode

A revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB) é uma "oportunidade" para o desenvolvimento do interior, defende a CIMT. Foto: DR

A revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB) é uma “oportunidade” para o desenvolvimento do interior, defendeu o presidente da Câmara da Sertã. José Farinha Nunes (PSD), no entanto, teme uma “visão castradora” relativamente ao aproveitamento económico da albufeira.

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“O que se pretende não é uma liberalização destes planos. Mas a qualidade da água da albufeira de Castelo do Bode não pode criar constrangimentos de tal ordem que impeçam o desenvolvimento da zona”, disse à agência Lusa o autarca.

O presidente da autarquia da Sertã, município que integra a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo,  alertou ainda que existem “inúmeros obstáculos ao desenvolvimento de projetos turísticos ou ao aproveitamento das águas para atividades de lazer e recreio”.

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José Farinha Nunes defende a revisão do POACB como uma “oportunidade” para o desenvolvimento do interior e frisou que não aceita uma “visão castradora do legislador” relativamente ao aproveitamento económico da albufeira.

Atividades náuticas no Trízio. Foto: CM Sertã

No entanto, o autarca afirmou que, “se essas restrições aumentarem, talvez seja de abrir uma outra discussão e perceber de que forma podem os municípios da região ser ressarcidos por abdicarem de um ativo económico tão valioso e estratégico em benefício do bem-estar de outros”.

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Para o presidente do município da Sertã, que tem uma área de cerca de 450 km2 e partilha três grandes albufeiras com os seus municípios vizinhos [Castelo de Bode, Bouçã e Cabril, todas elas implantadas no Rio Zêzere], é que deve “existir alguma abertura na discussão de determinadas soluções, sob pena de se estar a condenar toda uma região” que tem no turismo uma das suas principais atividades.

O POACB “já foi bastante castrador no desenvolvimento de duas zonas turísticas de excelência, o Trízio e o Almegue, e o receio é que novas alterações possam agudizar ainda mais esta situação”, referiu, tendo lembrado que “é preciso não esquecer” que, “em regiões deprimidas e onde o despovoamento e a falta de investimento marcam o quotidiano, o turismo surge como uma das boias de salvação para a economia, a par da floresta e da produção de energia”.

As águas da Albufeira de Castelo do Bode asseguram qualidade e proporcionam espaços e recantos paradisíacos para um “à descoberta”. (Foto: DR)

A região do Médio Tejo tem cinco municípios banhados pela albufeira de Castelo do Bode [Abrantes, Ferreira do Zêzere, Sertã, Tomar e Vila de Rei], tendo o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal (CIMT) afirmado que “este é um momento extremamente importante” num processo que a CIMT “está a acompanhar e a concertar em termos de contributos” por parte dos municípios diretamente envolvidos.

“É um ativo muito importante para a região do Médio Tejo e um dos grandes desafios estratégicos é que a albufeira, além da sua preservação, possa ajudar a promover a valorização económica destes territórios”, disse à Lusa Miguel Pombeiro.

O wakeboard é um desporto náutico em crescendo na Albufeira de Castelo do Bode. Foto: mediotejo.net

O Governo decretou a revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB) e a sua substituição pelo Programa Especial da Albufeira de Castelo do Bode (PEACB), processo que foi lançado em junho e que está em discussão, tendo um prazo de 18 meses para sua conclusão.

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