Sertã | Ausência de Filarmónicas locais no Festival do Maranho gera críticas

Foto: mediotejo.net

O assunto já havia sido divulgado nas redes sociais pela Filarmónica União Sertaginense (FUS), indicando a não participação no principal certame do concelho por não ter sido feito convite pela organização. O mesmo sucedeu com a Sociedade Filarmónica Aurora Pedroguense. Quanto à exclusão das Filarmónicas da edição deste ano do Festival de Gastronomia do Maranho, a iniciar esta quinta-feira, dia 12, José Farinha Nunes indicou como “uma questão de programa”, salientando que a abertura do certame terá presença dos Brass Fusion, banda composta por músicos da FUS.

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O tema surgiu na reunião de Câmara desta quarta-feira, dia 11, levantado pelo público presente, bem como pela vereadora do PS, Cristina Nunes, que quis saber se a FUS foi ou não convidada a atuar no certame, questionando sobre “o porquê da mudança se houve sempre presença das duas Filarmónicas a assinalar o momento e o porquê de este ano não suceder”.

O presidente da CM Sertã disse que “a atuar serão os Brass Fusion, que fazem logo a abertura no primeiro dia. A própria Filarmónica, penso que nem uma nem outra [foram convidadas]”, acrescentando que “não há motivo nenhum, pelo contrário, temos em boa consideração tanto uma como outra”.

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Ainda assim, José Farinha Nunes deu conta que, apesar de não serem convidados a atuar, os músicos das Filarmónicas “são convidados a estarem presentes, porque ali teremos as associações e as coletividades todas”.

Também no momento de intervenção do público, Avelino Reis e Moura se pronunciou sobre o tema, entendendo que “é inaceitável, como cidadão e presidente do Conselho Fiscal da Filarmónica União Sertaginense, que não se dê visibilidade a uma banda que tem apresentado concertos de excelência e que não esteja um dia dedicado [às Filarmónicas locais]”.

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Reis e Moura, socorrendo-se do panfleto com o programa do certame, e questionando a ausência das bandas filarmónicas do concelho na edição de 2018. Foto: mediotejo.net

Reis e Moura afirmou ainda que, ao contrário do que dissera o autarca, a banda Brass Fusion “não tem nada a ver com a FUS, são duas coisas distintas. São um grupo de músicos da FUS, que entenderam fazer este projeto, mas não tem nada a ver com a banda [FUS]”.

“Já que se tem dado visibilidade a tanta coisa, dê-se visibilidade àquilo que começamos a ter de ótimo”, frisou, indicando que se devem “acarinhar” estas instituições e personalidades do mundo cultural sertaginense, pois são pessoas que “dão visibilidade ao concelho”.

José Farinha Nunes (PSD) interpelou a intervenção de Reis e Moura, e afirmou que “se alguém tem acarinhado as Filarmónicas é a Câmara da Sertã. Garantidamente, não há ninguém que diga com razão que não o fazemos. Durante o ano chamamos muitas vezes as bandas”, disse.

Por fim, também a assistir à reunião, esteve Victor Cavalheiro, presidente da Filarmónica União Sertaginense, que tem também assento na bancada do PS na Assembleia Municipal da Sertã, e que diz ser confrontado na rua sobre a ausência das bandas na edição de 2018 do evento. Referiu que “é evidente que a Câmara tem apoiado a Filarmónica, é indesmentível. Sei também pelo carinho especial que [o presidente da CM Sertã] tem pela FUS, também já fez parte dos seus órgãos sociais, e não me compete a mim falar pela Sociedade Filarmónica Aurora Pedroguense”. Por outro lado, assumiu a pertinência deste tema e considera “normal que esteja a ser discutido, porque é estranho que a Filarmónica não apareça neste evento com algum valor e onde esteve o ano passado e foi muito acarinhada e muito elogiada pelo espetáculo fez”.

Victor Cavalheiro, presidente da direção da FUS, durante a sua intervenção. Foto: mediotejo.net

“Nós não estamos no Festival, porque não fomos convidados”, continuou, indicando que “a organização demonstrou uma grande insensibilidade” e que “um Secretário de Estado não se recebe de qualquer forma”, aludiu quanto à presença da Secretária de Estado do Turismo na abertura oficial do Festival de Gastronomia do Maranho e lembrando a presença da FUS na receção ao Secretário de Estado das Autarquias Locais aquando da inauguração da obra de requalificação do Edifício dos Paços do Concelho.

Quanto à recém-criada banda local Brass Fusion, Victor Cavalheiro referiu que “é um grupo que nasceu no seio da Filarmónica, uns têm instrumento próprio, outros têm instrumento da FUS (…) mas eu nunca fui contactado para a banda Brass Fusion ir ou não ir”, disse, indicando que “são problemas mais internos, e que os Brass Fusion têm a estrutura deles” e que não substituem nenhuma das bandas filarmónicas do concelho.

Na página de Facebook a FUS escreveu sobre o facto, indicando que “lamentavelmente a Filarmónica União Sertaginense não participará no Festival de Gastronomia do Maranho (…) A todos os que questionam a ausência das Filarmónicas, concretamente em relação à FUS, pura e simplesmente não fomos convidados, porque quem coordena, muito mal, este grande evento do concelho, lamentavelmente considerou que não havia espaço para esta coletividade. Resta-nos o orgulho de, no nosso concelho vizinho de Proença-a-Nova, termos sido convidados para o encerramento das Festas do Concelho, com um invejável espetáculo piromusical”, pode ler-se.

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